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18/04/2016 14:58

Competir e colaborar

Por Walter Roque Gonçalves (*)

O instinto de sobrevivência e de preservação da espécie tem levado ao homem, desde a sua origem, a lidar com forças que, a princípio, parecem ser antagônicas. Refiro-me ao instinto de competir e colaborar.

O longa-metragem “Promessas de Guerra” dirigido e protagonizado por Russel Crowe (2015), o mesmo do premiado filme “O Gladiador” (2000), mostra exércitos, durante a Primeira Guerra Mundial, que competiam pelo mesmo território. Após os conflitos, houve dificuldades em comum na identificação dos soldados que morreram durante os enfrentamentos, então, os generais se uniram.

Identificar as ameaças e oportunidades geradas no contexto da atual crise (política e econômica) que vivemos, parece ser o grande problema em comum enfrentado pelas empresas atualmente.
É o momento oportuno para pensar em trabalho colaborativo, pois pequenas e médias empresas, têm dificuldades para, sozinhas, avaliarem o mercado, as tendências, identificar mudanças no comportamento dos consumidores, entre outros.

Unir empresários em torno de problemas comuns, no início, é tão desafiador quando unir dois generais de exércitos opostos. A solução é sensibilizar as partes a focarem no mesmo objetivo e estabelecerem o diálogo.

Nesses casos cooperar é como “baixar a guarda”. É natural que os líderes sintam-se inseguros, afinal, como confiar na concorrência?! Eles não são os inimigos?!

As dúvidas são compreensíveis, mas estamos falando de um modelo simples: imagine como se as empresas fossem jogadores de futebol que ora competem entre si por estarem em times opostos e ora são convocados para jogar no mesmo time.

Num nível mais elevado de cooperação estão as APLs (Arranjos Produtivos Locais). São empresas, geralmente pequenas e médias, que se unem na busca de soluções, como: o acesso ao crédito, treinamentos, consultorias, exportação, mais poder de baganha com os fornecedores, pesquisas, implantação de normas de qualidade, desenvolvimento de novos produtos, entre muitos outros benefícios.

O Brasil está repleto de bons exemplos de APLs como: a região do ABC paulista; Zona Franca de Manaus; as empresas de roupas de Maringá; de desenvolvedores de Softwares em Presidente Prudente; entre muitas outras.

No sentido de cooperação, as associações comerciais são os principais catalisadores das pequenas e média empresas ou, pelo menos, deveriam ser. Estas podem sensibilizar os empresários a, juntos, analisarem a realidade política e econômica brasileira e os reflexos na economia local no tocante as ameaças e, possibilidades de geração de negócios.

Desta forma, o grupo terá mais forças e motivação para criar soluções inovadoras, além de poder acionar, com maior facilidade, instituições como o Sebrae ou empresas privadas que auxiliarão na redução das incertezas geradas pela atual conjuntura.

Portanto, competir e colaborar são como os lados de uma mesma moeda, ou ainda, as asas de um mesmo avião. Estas atitudes coexistem e o esforço para discernir o momento em que se deve agir de uma forma ou de outra, tende a gerar o equilíbrio necessário para a sobrevivência de qualquer organização.

(*) Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor executivo/colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente (SP).

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