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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

28/12/2016 10:08

Dívida nas finanças e na educação

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Com o aumento da dívida e dos juros, o efeito está sendo o empobrecimento geral, pois grande parte das aplicações baseadas na taxa Selic vem de fora, e para fora vai o rendimento, muitas vezes engordado com a diferença cambial entre a entrada e a saída com dólar mais barato. Estamos na ressaca da gastança sem metas adequadas para a sustentabilidade, fora os desvios e superfaturamentos.

Mas, se de um lado há a precarização e cortes nos salários congelados, por outro, os preços vão subindo, o que reduz o consumo ainda mais. São os enigmas do dinheiro que deveria estar circulando com juros compatíveis. A unilateralidade do foco no aspecto financeiro está retirando a vitalidade da economia.

Temos problemas graves: descontrole nos gastos, desvios, contas externas sem planejamento e déficits cobertos com aumento das dívidas. Com os juros abusivos, o meio circulante encolhe e tudo se deprime a começar pelos empregos numa economia globalizada onde sobra capacidade ociosa. Se o governo injetar dinheiro no sistema, onde irá parar com a forte atração da Selic?

O economista Bresser Pereira ressaltou a ferida que fragilizou a economia interna: o descontrole da conta corrente do país e dos déficits externos, pois não basta uma lei de responsabilidade fiscal; é preciso respeitá-la e também manter a correspondente responsabilidade do equilíbrio das contas externas. Com pequenas variações, a economia tem sido movida com foco direcionado para o acúmulo de riqueza que se beneficia quando há vínculos com a autoridade, estabelecendo relações entre o dinheiro e o poder. Algum dia isso se tornará insustentável, pois o desequilíbrio do sistema vai aumentado com as vantagens pessoais e de grupos, enquanto tudo o mais fica descuidado.

A China especializou-se na produção de tudo com ganhos de escala. Agora está tendo início uma onda de choques que poderão gerar alguma forma de remanejamento. O mundo estaria melhor se os países tivessem visado o aprimoramento da produção para atender primeiro ao mercado interno e gerar empregos, renda, receita tributária, exportando os excedentes. Mas prevaleceu um novo mercantilismo que visa o acúmulo de dólares.

É muito provável que a primazia nas finanças tenha gestado esta economia de mercado mesclada com o capitalismo de estado, aliando o livre comércio ao câmbio manipulado e mão de obra barata, alterando a estrutura econômica e as linhas do poder.

Há um aparato fortalecendo o poder econômico-financeiro, mas ao mesmo tempo, a humanidade vai se robotizando e perdendo essência. No Brasil, a classe empresarial está fragilizada, há tempos não surge uma geração de estadistas sérios, capaz de planejar um futuro melhor. Com isso, não se fortalece o preparo da população. São fatores que ameaçam o futuro, inviabilizando o país.

Prefeituras, estados, empresas estatais e União, fazem gastos sem atentar para as consequências. Agora a ilusão acabou; não há dinamismo e os empregos estão indo embora, o despreparo da população é grande, e a classe política só tem olhos para se perpetuar no poder. Estamos enfrentando a congestão de tudo e, ao lado dela, o apagão espiritual e mental, a falta de bom senso e iniciativa. Educar para o século 21 exige foco na melhora da qualidade humana. Temos de fugir da crescente robotização paralisante que sufoca as individualidades e contribui para formar uma geração apática e sem a imprescindível força de vontade voltada para o beneficiamento geral das condições de vida.

O grande desafio do mundo atual está no desequilíbrio geral no relacionamento entre os povos e nações; entre a humanidade e o meio ambiente; entre o lazer e o aprendizado para a vida. Urge incentivar a formação de uma geração forte. Sem dúvida, os grandes desafios do século são a educação e o restabelecimento do equilíbrio.

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, articulista, palestrante e escritor

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