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Do preconceito

Por Heitor Rodrigues Freire (*) | 18/10/2021 07:00

Os preconceitos que existem nas diversas sociedades criaram uma barreira quase intransponível para o verdadeiro relacionamento humano. É impressionante como se criaram situações que separaram o ser humano da sua própria essência. O primeiro deles é a questão da cor. A cor da pele decorre da pigmentação que deriva da genética de cada grupo étnico. É uma consequência do clima, do meio ambiente e da ascendência, principalmente. Há outros fatores, mas de menor importância. A cor branca, associada naturalmente à pureza, estabeleceu um primado que gerou uma superioridade ilusória. Os seres humanos de cor branca não são superiores aos seus semelhantes de outra cor. A reencarnação está aí para nos mostrar isso: cada um encarna e reencarna no local e com a cor necessária para seu aprendizado. Assim, cada um, a tempo e hora, vai reencarnar para desenvolver seu aprendizado espiritual, em todos os grupos étnicos existentes. Outro preconceito é o da nacionalidade. Os americanos e os europeus se consideram superiores às pessoas de outras nacionalidades, como africanos, chineses, hindus, árabes, judeus, etc. Deve-se considerar também o fator religioso. Exatamente a religião que, de modo geral, prega a igualdade entre os seres, mas que na prática age de forma preconceituosa e separatista. Há ainda, a questão política, onde prevalecem os interesses imediatos sem a menor observância dos princípios que deveriam nortear as decisões maiores em benefício da população. A divisão entre esquerda e direita contraria todos os postulados humanitários com a radicalização levando a extremos em que a ignorância prevalece sobre tudo. Quando se chega à questão econômica, o preconceito assume níveis desumanos. Quando as pessoas entenderem que desta vida não se leva NADA, apenas a consciência de cada um, e o desapego surgir naturalmente, ocorrerá uma libertação da matéria que elevará o nível de entendimento da Humanidade. O que realmente conta é o nível de evolução espiritual que, quanto mais elevado, desperta a consciência da universalidade do ser humano sem distinção, gerando o amor que deve envolver a todos. No livro Aos pés do Mestre, Krishnamurti apresenta as quatro etapas da evolução: discernimento, desapego, atos de bondade e amor. Discernimento é a capacidade de decidir conscientemente o ato que vai se realizar, sabendo diferençar o que se considera certo do errado, no aqui e agora, que é onde tudo acontece. Libertando-se do passado, sem projetar o futuro, vivendo intensamente o presente. Desapego nos mostra a realidade da vida. Nada é nosso, nada nos pertence. Nossos pais de hoje poderão ser nossos filhos de amanhã. E vice-versa. Tudo o que se adquire não nos pertence, porque não levaremos nada para onde formos quando chegar a morte – que é a única certeza da vida. Morte, que aliás, não é um fim em si mesma, mas apenas a passagem para outro nível de existência. De aprendizado e de evolução constante. Atos de bondade são um estágio que se atinge quando a consciência da fraternidade emerge, proporcionando o sentido de irmandade, disciplinando todos os atos humanos e nivelando todos nós como verdadeiros irmãos, conscientes de nossa origem divina. E finalmente, o amor que coroa tudo isso. Sentimento universal que nos conduz para a busca interior, onde compreendemos que o preconceito é uma ilusão e que não existe essência libertadora fora do ser humano. Aí chegamos ao VITRIOL, acrônimo que significa Visita Interiore Terrae, Retificandote Invenies Ocultum Lapidem (Visita o interior da Terra; retificando teus atos encontrarás a pedra oculta). Onde é o interior da Terra? No coração dos homens, como Deus mostrou a Moisés em Deuteronômio 31, 11-14. Esse despertar depende de cada um, sem necessidade de nenhum guru que nos diga isso. “Se compreendes, as coisas são como são; se não compreendes, as coisas são como são”. Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

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