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03/12/2016 14:08

Educação e o futuro da alimentação

Por Ronaldo Mota (*)

Educação deve colaborar na preparação de todos para o pleno exercício da cidadania e, especialmente, formar os jovens para uma vida profissional que contribua com o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável. Estas missões envolvem aspectos muito complexos, especialmente em uma sociedade em permanente e profundas transformações.

No início do século passado, as ocupações rurais eram responsáveis por algo da ordem de 90% dos empregos e hoje respondem por menos de 5%. Mesmo assim, a cadeia que envolve produção, armazenagem, transformação, transporte e consumo de alimentos tem crescido sistematicamente e é um dos setores econômicos que permanecerão crescendo nos cenários futuros. O ciclo completo, desde a produção ao consumo, responde por, no mínimo, 6% do PIB global e representa, para um cidadão de classe média, em torno de 15% das despesas diárias.

Peter Diamandis, visionário e fundador da Singulary University (https://su.org/), tem apresentado interessantes discussões acerca do tema alimentos no futuro (http://www.abundance360summit.com). Segundo Diamandis, atualmente, para alimentar os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, cuidamos de mais de 60 bilhões de animais, os quais ocupam mais de um terço do território, consomem 8% da água disponível e são responsáveis por 18% dos gases do efeito estufa. A empresa Modern Meadow (http://www.modernmeadow.com/) já produz em laboratórios carnes bovinas, de suínos e de frangos, bem como couros, via sofisticadas engenharias de alimentos e impressoras 3D.

Tais inovações podem contribuir com a diminuição de danos ambientais, sendo que com essas tecnologias usaremos 99% menos solo, 96% menos água, 45% menos energia e poderemos reduzir os efeitos nocivos de gases na ordem de 96%. Não é claro onde estas inovações nos conduzirão, mas melhor entendê-las bem até mesmo para evitarmos exageros.

Os alimentos em seu prato, por incrível que pareça, percorreram algumas centenas, às vezes milhares, de quilômetros a partir de onde foram produzidos, fazendo com que mais da metade do custo final de varejo decorra do transporte, armazenagem e demais cuidados decorrentes. Portanto, soluções que viabilizem aproximar os centros produtores e consumidores podem significar grandes ganhos, em custos e em qualidade. A solução passa também por fazendas verticais, onde cada andar ou setor seja dedicado a um tipo diferente de alimento, todos controlados por inteligência artificial regulando as necessidades de luz, água e demais nutrientes.

Ambientes monitorados e limpos podem dispensar pesticidas e herbicidas, além de estarem imunes às intempéries climáticas e produzindo com muito maior eficiência. Tal conceito já contou com investimentos de mais de 1 bilhão de dólares em 2015 e há projetos em curso com previsão de investimentos de mais de 6 bilhões de dólares para os próximos anos. É possível explorar a permacultura nas fazendas verticais, ou seja, um sistema de justaposição de plantas complementares para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza.

Hoje, como regra geral, todos comemos de tudo, a partir do que está disponível e daquilo que nos apetece. Um novo ingrediente estará cada vez mais presente: o que efetivamente necessitamos, individualmente e a cada momento. É a chamada alimentação personalizada e customizada.

Biosensores, a partir da genética específica e das peculiaridades de cada um, aconselharão os ingredientes mais indicados e os melhores horários de ingestão dos mesmos. Obviamente, espera-se, resguardando os legítimos prazeres de podermos preparar e degustar o que mais gostamos e na hora que melhor nos agrada.

Por fim, do ponto de vista entrega de alimentos em sua porta, além das incríveis facilidades já existentes (quase todos os supermercados e restaurantes já têm disponível via Internet esta opção, incluindo até drones de entrega), acredito que teremos em breve algo ainda mais revolucionário. Cada família ao fazer sua alimentação doméstica, em caso de excedentes (pequenas porções), poderá colocar, via aplicativos de compartilhamento, à disposição de seus vizinhos pratos saudáveis e diversificados a custos muito acessíveis.

A escola contemporânea, neste novo cenário, terá de lidar com temas que vão desde alimentação saudável e obesidade às discussões envolvendo a adoção de tecnologias inovadoras, sustentabilidade, economia doméstica hábitos e costumes que marcarão os próximos tempos.

(*) Ronaldo Mota é reitor da Universidade Estácio de Sá

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