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08/03/2017 08:46

Esporte, lazer e empoderamento feminino

Por Renata Laudares Silva e Gisele Maria Schwartz (*)

Por muitas décadas, a presença feminina nos contextos do lazer e do esporte era quase nula, visto que estes campos, estavam restritos à exclusividade masculina. A mulher, por um bom período da história, ficou envolvida por uma teia social masculina, a qual negava oportunidades nos diversos âmbitos, inclusive no lazer e do esporte.

Vários autores que discorrem sobre as questões de gênero, empoderamento feminino, esporte e lazer, dentre eles Goellner (2013), Fernandes e Mourão (2014) Uchoga e Altmann (2016), Brauner (2015), Schwartz et al (2016), apontam, em suas pesquisas, uma carência no que tange a estudos de ponta sobre esses temas. Assim, torna-se importante elevar o número de contribuições académicas, para instigar novas reflexões e discussões, provocando novos olhares sobre essas temáticas.

As obras citadas mencionam que as diferenças existentes na vivência do esporte e das atividades do âmbito do lazer não são causadas ou relacionadas aos aspectos biológicos, mas sim, aos fatores culturais e sociais. As relações “patriarcalistas” de dominação, as quais ainda perduram na sociedade atual, afetam a vivência significativa da mulher no esporte e do lazer e, nesse sentido, a ideologia e a cultura contribuem, em grande medida, ainda, para a reprodução das desigualdades sociais.

Entretanto, alguns fatores de resistência já são percebidos, ampliando as possibilidades de extermínio das barreiras sociais impostas. Para tanto, há que se abrirem novos espaços de discussão, no sentido de amplificar a transformação do próprio ser humano, a partir de um repensar sobre esses valores impostos culturalmente. A promoção de novas reflexões poderá impelir à catalisação de movimentos sociais comprometidos com novas ideias de transformação da sociedade.

Algumas formas de transformação já se fazem sentir nos contextos do esporte e do lazer. Ao se tomar como referência o ano de 2016, este foi marcado por grandes vitórias, como a publicação, no Diário Oficial, da lei 13.272/2016, a qual instituiu 2016 como o Ano do Empoderamento da Mulher na Política e no Esporte.

Além disto, a Olimpíada realizada na cidade do Rio de Janeiro, foi considerada como a Olimpíada das Mulheres, pelo grande número de representantes femininos participantes. Nota-se, assim, que as mulheres vêm conquistando sua identidade e autonomia nesses sectores, o que contribui para uma ressignificação social das características femininas, ampliando o redimensionamento dos valores relativos aos papeis sociais, inclusive dentro do universo do esporte e do lazer.

Pode-se, assim, compreender o empoderamento feminino como uma ferramenta poderosa para superar essas premissas de género arraigadas no preconceito, uma vez que a mulher se vê, paulatinamente, assumindo seu papel como protagonista de suas ações. A conquista dos direitos da mulher e da igualdade de oportunidades entre gêneros, perpassa todos os segmentos da sociedade, inclusive os contextos esportivo e do lazer. Esses são compreendidos como fenômenos socioculturais, capazes de agregar múltiplas possibilidades de vivências e experiências, representando campos ricos de significados e profícuos para se estabelecerem ressignificações.

Por meio das vivências positivas nesses campos, a mulher pode adquirir e amplificar a qualidade da autoestima, impactando diretamente na autosuperação, no autoconhecimento e na autonomia, os quais representam geradores para o empoderamento. Assim, é legítimo afirmar que os campos do esporte e do lazer representam espaços férteis para se refletir sobre transformação social e empoderamento feminino, confluindo para a igualdade de género.

(*) Renata Laudares Silva e Gisele Maria Schwartz integram o LEL (Laboratório de Estudos do Lazer, do Departamento de Educação Física do Instituto de Biociências) da Unesp de Rio Claro.

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