A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 19 de Novembro de 2017

08/02/2012 07:54

Greve e justiça

Por Vladimir Polizi

Sempre fui contrário à greve, pois sendo o Brasil um Estado Democrático de Direito, no Judiciário deveriam ser travadas todas as discussões sobre os reajustes para qualquer categoria, servidores públicos ou não.

Revejo meu entendimento por vários fundamentos, mas tomo o mais recente: a greve dos policiais do Estado da Bahia. Lá, um soldado recebe mensalmente R$ 1.188,85 para defender a sociedade com sua vida. Com esse salário ele arca com o pagamento de sua moradia, com os gastos com alimentação, vestuário, lazer enfim, todas as despesas essenciais de qualquer trabalhador. Alguém acredita que com menos de 2 salários mínimos por mês alguém consiga viver com dignidade?

Nem se diga que o Brasil está em recessão e por isso do sacrifício. Não duvido que toda a sociedade faria qualquer esforço se, de fato, fosse necessário. Mas não é essa a situação. Na própria Bahia, estão abertas inscrições para juiz de direito, com remuneração inicial de R$ 18,3 mil; no Distrito Federal, o Tribunal de Contas abriu concurso para procurador, com salário de R$ 22,9 mil; juízes paulistas receberam “auxílio para adquirir tablets” de R$ 2,5 mil, e assim vai. Ainda que no STF (Supremo Tribunal Federal) tenha vencido o entendimento de que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) pode investigar juízes, pelo apertado placar de 6 a 5, e com isso evitar o corporativismo das corregedorias dos tribunais, tenho dúvidas se podemos confiar realmente na justiça.

Esse sentimento, ademais, conforme pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, e divulgada no jornal “Folha de São Paulo” de 07 de fevereiro, é partilhado por duas de cada três pessoas, que acreditam ser o Poder Judiciário “pouco ou nada honesto” e “sem independência”. No comparativo com outras instituições, o Judiciário ocupa a 6ª colocação, na frente do governo federal, Congresso Nacional e partidos políticos.

Na Bahia, o judiciário declarou a greve dos policiais militares ilegal. A Constituição Federal, que estabelece a “dignidade da pessoa humana” a todos e uma série de tratados internacionais ratificados pelo Brasil foram rasgadas, pois para a Justiça é legal que policiais vivam com pouco mais de R$ 1,1 mil por mês (isso é quase 17 vezes menos que um juiz). Por comportamentos do tipo, fica fácil compreender o porquê da avaliação negativa. Outras greves virão, pois muitos outros servidores são tratados sem dignidade. Pena que tenha de ser assim.

(*) Vladimir Polízio Júnior, 41 anos, é defensor público (vladimirpolizio@gmail.com)

Carta aberta ao ministro Joaquim Barbosa
Em nome de milhões de brasileiros e brasileiras insisto na solicitação para que concorra à Presidência da República, em 2018. Precisamos de alguém co...
Qual é a diferença entre preço e valor?
Existe uma grande confusão entre os significados de valor e preço. São duas coisas completamente distintas no mundo das negociações. Quando se fala e...
"Bruxaria e Ciência"
Anteriormente ao período conhecido como Renascimento na Europa, particularmente antes das contribuições de pensadores como Copérnico (1473-1543), Gal...
O artista plástico Frans Krajcberg
O artista plástico Frans Krajcberg , falecido no Rio de Janeiro, em 15/11/2017, é uma perda para o mundo das artes visuais e para todos aqueles que d...


A falta de Políticas de Estado nao permite el funcionamiento fluente das Instituções, pois ao não ter definiciones básicas sobre criterios y procedimientos, estes ficam a vontade do governo de turno y da capacidade de " curvatura" de gremios e individuos, fortaleciendo ainda mais as estructuras totalitarias que não ven, na capacidade de escolha a melhor expressão da libertade
 
Javier Eduardo Navarrete Echeverria em 09/02/2012 03:41:36
Que bom que ainda podemos dar as nossas opiniões. Por quanto tempo mais, não sabemos.
Algum comentario sobre a greve dos P.M de bahia só pode ser dado no contexto de uma situação nacional: a incapacidade das nossas autoridades de atuar em um contexto de Politicas de Estado, que ao parecer não existem pois, o mesmo vivencíam outras categorias ( todas as categorías?), que si decidem entrar em greve
 
Javier Echeverría em 09/02/2012 03:28:23
Parabens Vladimir! sábias palavras em defesa desses profissionais tão importantes para a sociedade...os policiais!!!
 
daniela rodrigues em 09/02/2012 01:50:53
Parabéns ao ilustre Dr. Vladimir por traçar com esmero e conhecimento a situação antagônica que estamos vivenciando. Penso que o salário de um magistrado deve ser ainda melhor, mas pagar um salário indigno a uma pessoa que está na linha de frente da segurança pública é tratamento dado em épocas passadas aos jagunços e capitães do mato.
 
Luiz Duarte em 08/02/2012 11:22:15
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions