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Campo Grande, Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

27/02/2014 14:20

O apagão logístico, a seca e o futuro

Por Ciro Antonio Rosolem (*)

Enfim aparece uma luz para resolver o apagão logístico agropecuário. É simples: vem a seca. O seguro agrícola é ridículo. Outorga de água para irrigação, nem pensar! O agricultor não consegue pagar a conta, não planta mais. Resolvido o problema! Em pouco tempo não haverá mais o que transportar. Afinal, para que perder tempo com essa tal agropecuária que sabe muito bem se virar? O governo tem coisas muito mais importantes a fazer: financiamentos para índios e quilombolas, bater papinho com o MST, financiar Cuba, pensar em novas bolsas/votos etc. “Rolezinhos” parecem preocupar mais os nossos governos que o problema agrícola.

O marco histórico de uma tonelada de grãos produzidos para cada brasileiro foi adiado pela seca. Tragédia anunciada. Todos os ganhos, benefícios na balança comercial, empregos e desenvolvimento devido ao agronegócio são rapidamente esquecidos e já se começa a culpar a produção de alimentos por um provável recrudescimento da inflação. O preço da alface está pela hora da morte. Tem que haver um culpado que não precise de votos. Mais uma vez.

Senhores candidatos, não percam a oportunidade de construir a história deste país. Considerem em suas propostas a reforma do seguro agrícola brasileiro. Isso se reflete em segurança alimentar e em sustentabilidade agrícola. Não se iludam! São previstos novos desastres climáticos, cada vez mais fortes e mais frequentes. Isso pode até não se confirmar, mas isso não é desculpa para adiarmos políticas que nos permitam viver com o problema. Antes de tudo e talvez a providência mais fácil, seria reformular o seguro agrícola, de modo a assegurar a sustentabilidade do agricultor e não somente do banco. Isso é caro? Talvez, mas é um problema da sociedade. Com as intempéries ficará cada vez mais difícil para produtores agrícolas se manterem produzindo. Se a sociedade quiser viver sem alta inflação e sem fome - tragédia maior - precisa até subsidiar o seguro agrícola, se for o caso. Isso pode manter a agricultura viva.

Senhores candidatos, não percam a oportunidade de construir a história deste país. Em todos os países em que a agropecuária tem importância: a irrigação tem papel fundamental na produção. Não no Brasil. Quem já tentou obter uma outorga de água para irrigação sabe do que estou falando. Nossas vacas não podem mais beber água no rio. Poluem! O terrorismo ecológico pode, a médio prazo, sabotar a segurança alimentar que temos no Brasil. É urgente a revisão do Código Florestal de modo a se permitir o uso racional de nossos recursos hídricos visando a produção agrícola. Já sentimos o peso da burrice ecológica nas hidrelétricas sem reservatório. Vamos deixar isso chegar à fome? Alerta, senhores! A situação é grave e pode piorar. Mas, ainda dá tempo.

Senhores candidatos, não percam a oportunidade de construir a história deste país!
Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável- CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa sejam colocados a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

(*) Ciro Antonio Rosolem, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professor titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).

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