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Campo Grande, Domingo, 19 de Novembro de 2017

03/10/2015 14:00

O cerco se fecha contra Cunha

Por Gabriel Bocorny Guidotti (*)

Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o político mais polêmico do país, foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por crimes relacionados à operação Lava-Jato. As acusações versam sobre corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, o deputado recebeu propina de contratos firmados entre a Petrobras e fornecedores da estatal. Na mesma barca, o senador – e ex-presidente – Fernando Collor de Mello, acusado de ilícitos semelhantes.

Cunha, de prontidão, negou os fatos a ele imputados e fixou que não sai da presidência da Câmara. “Eu não farei afastamento de nenhuma natureza. Vou continuar exatamente no exercício pelo qual eu fui eleito pela maioria da Casa”, afirmou. Convicto, acusa o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de conluio com o Governo Federal para tentar derrubá-lo. Ele já sabia que a denúncia aconteceria. Foi por essa razão que cindiu com a situação, proclamando-se oposição.

Da divulgação da ‘lista de Janot‘, Cunha balançou na cadeira que ocupa no Congresso, mas permaneceu, afirmando sua inocência. Após, veio a denúncia de fato, que ele também nega. Longe do território nacional, o Ministério Público da Suíça reacendeu a discussão a respeito da idoneidade do presidente da Câmara: com a suspeita de lavagem de dinheiro, foram encontradas contas bancárias em nome do deputado. De acordo com o portal G1, em março deste ano, para a CPI da Petrobras, Cunha enfatizou não possuí-las.

Em outras palavras, a situação está ficando insustentável para o peemedebista. Novos indícios surgem todos os dias. Apesar da cobrança de colegas deputados, ele se nega a falar a respeito do assunto Suíça. Não admite, nem rechaça. Isso não impede, entretanto, que continue a ameaçar as intenções de Dilma no Congresso. Enquanto a carreira do político não ruir de vez, haverá forte oposição. É lamentável que o cenário do poder tenha chegado a esse nível. Pessoas que ocupam cargos importantes estão afogadas em suspeitas.

No primeiro semestre, Eduardo Cunha foi, inegavelmente, o político mais influente do país. Ele ainda não está acabado, mas a história mostra que processos de corrupção desgastam a imagem dos políticos gradativamente, mesmo que não haja condenação. Creio que o erro do deputado ficou claro: ir com muita sede ao pote. Seu desejo por protagonismo colocou um imenso alvo em suas costas. Conseguirá o presidente da Câmara se reerguer? Aguardemos os próximos episódios.

(*) Gabriel Bocorny Guidotti, bacharel em Direito e estudante de Jornalismo em Porto Alegre (RS)

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