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23/08/2013 08:45

O vulcão da paixão

Por João Bosco Leal (*)

Sem saber onde, quando ou porque, todos podem sentir um interesse diferente e repentino em relação a alguém que antes sequer conhecia.

Normalmente chamado de paixão, esse sentimento é totalmente imprevisível e não segue nenhum padrão de raça, credo, cor, peso, altura, cor dos olhos, cabelos ou qualquer outro.

A quantidade de variáveis possíveis de como podem ser essas paixões são imensuráveis, mas atualmente, através das chamadas redes sociais, podem inclusive ser virtuais.

Em uma simples troca de olhares, duas pessoas podem sentir uma atração que há séculos vêm sendo descrita em verso e prosa por milhões de poetas e escritores ou cantada nos mais diversos ritmos e línguas.

Normalmente têm início em encontros do dia a dia, quando menos se espera e entre pessoas que nunca haviam se visto. De manhã na padaria, no lanche do final do dia, no shopping ou na livraria.

A aproximação e as devidas apresentações ocorrem seguidas de uma primeira conversa, quando sentem algo estranho: parece que se conhecem há anos, são íntimos, amigos há décadas.

Começa então a crescer um sentimento de bem querer, de carinho, uma enorme vontade de procurar, de realmente saber, conhecer, perguntar e contar sobre, de modo a trazer para o mais próximo possível da realidade, aquela sensação de conhecimento anterior.

Em seguida, aqueles pequenos e delicados toques - como os dos dedos dele nas mãos dela -, já são suficientes para alterar até a respiração dos dois e a troca de olhares - que olhares -, são de uma profundidade incomparável.

Os primeiros carinhos ocorrem com esses dedos tocando sua pele, ombros e braços, mas depois de acariciar todo seu rosto, pescoço, orelhas e cabelos, aquela mão para na lateral de sua face, como que a apoiando. Totalmente entregue àqueles carinhos, ela relaxa sua cabeça sobre ela, como que já próxima de atingir seu ápice de relaxamento e prazer.

Mas quando a mão penetra por entre seus cabelos, apertando sua cabeça e puxando-a de encontro aos lábios sedentos dele, o desejo torna-se quase que selvagem e assim é reciprocamente demonstrado. No momento seguinte, novos e profundos olhares levam a beijos alucinados, desesperados, de pessoas que parecem querer se engolir, se tornar um só, com uma enorme troca de sensações e secreções.

Com a respiração ofegante e sem mais poder ou querer esconder seu desejo, ela sorri e diz estar constrangida, tímida, como uma menininha de dez ou doze anos experimentando seu primeiro beijo enquanto ele também se sente como um jovem de quinze anos e fica feliz ao vê-la sorrindo e também demonstrando felicidade com o brilho nos olhos.

Já no local escuro para onde foram, a timidez, a inocência e a inibição dão lugar aos desejos humanos mais antigos, animais, carnais, que normalmente só são satisfeitos entre quatro paredes.

As então agora quatro mãos passam a se movimentar freneticamente, circundando e apertando aquele pescoço, os seios, as costas, o tórax e os bíceps musculosos, descendo em busca de outras regiões, e novas sensações entre eles ainda desconhecidas vão tomando conta daqueles corpos, gerando arrepios, desejos, volumes e fantasias.

Fisicamente saciado, o vulcão da paixão explode, jorrando suas lavas para todos os lados.

(*) João Bosco Leal, jornalista e empresário

www.joaoboscoleal.com.br

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