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Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

14/01/2019 16:46

Os nove erros de quem quer liderar para mudar

Por Wilson Bentos (*)

Num mundo que se transforma em velocidade cada vez maior, falar em necessidade de se adaptar às mudanças é cair no lugar comum. Entretanto, ainda que todos os executivos razoavelmente informados saibam disso e que gurus das mais diversas áreas ensinem métodos para acompanhar o movimento do mundo, muitos líderes não conseguem transmitir bem essa mensagem.

Aqui, apresento os dez principais erros dos líderes quando precisam estimular as mudanças nas organizações :

Erro nº 1: Falta de metas inspiradoras

Moisés conseguiu convencer os judeus a deixar o Egito e atravessar o deserto não porque fazia chover comida do céu, ou porque dividia o mar para eles passarem, mas porque sabia como chegar à Terra Prometida. Yuval Noah Harari, em “Sapiens”, diz que um dos motivos do sucesso da nossa espécie foi a capacidade de compartilhar realidades imaginadas. E, se o líder não é capaz de me fazer imaginar uma nova realidade inspiradora, eu simplesmente não o sigo.

Erro nº 2: Falta de convicção

Mudar não é fácil e fomos programados pela evolução para não nos arriscarmos e, de preferência, continuar presos às nossas rotinas. Quando o portador das mudanças hesita e parece não estar absolutamente certo do caminho que pretende nos levar a trilhar, a mudança não acontece. Steve Denning, autor de “The Secret Language of Leadership conta que na campanha eleitoral de 2000, Al Gore, candidato democrata a Presidente dos Estados Unidos, deixou escapar, logo no primeiro debate na TV: “Eu não sou um político muito interessante (exciting)”. “Se Gore não estava entusiasmado com sua própria candidatura e com sua agenda de mudanças como poderia esperar que o eleitorado estivesse?”.

Erro nº 3: Linguagem corporal incoerente

Cesar Millan, o célebre treinador da TV autor do best seller “O Encantador de Cães”, diz que uma das coisas mais importantes ao se lidar com esses animais é a postura do dono e lembra a atitude do avô, que tinha cães bem-comportados: “Nunca vi meu avô usar qualquer tipo de violência ou ganhar os animais com recompensas. Ele apenas demonstrava o tipo de postura calma, assertiva e consistente que torna a liderança evidente em qualquer idioma, para qualquer espécie.” A postura do líder deve transmitir a ideia de que ele é calmo, seguro do que está propondo. Isso vale para quem pretende liderar cães, segundo Millan. Mas também vale (e muito) para quem quer liderar pessoas.

Erro nº 4: Falta de empatia

Quando participei da campanha de reeleição de Marcio Lacerda para a Prefeitura de Belo Horizonte em 2012, ainda que a gestão dele tivesse muita coisa boa para mostrar na área de saúde, ninguém absorvia a mensagem. Enquanto a campanha não passou a dizer: “Sabemos que a saúde ainda tem problemas sérios, mas...” ninguém aceitava o fato (real) de que tivesse melhorado alguma coisa. Ou seja, antes de comunicar qualquer coisa, é preciso mostrar que você sabe se colocar no lugar do outro. Sem empatia, a comunicação simplesmente não entra.

Erro nº 5: Histórias exageradas

É muito comum que na ficção, certos autores apresentem realidades absurdas. Mas o que pareceria absurdo na vida real se torna verossímil para o eleitor por conta de um pacto que ele estabelece com o autor, dentro dos limites pré-estabelecidos pela narrativa. No caso dos líderes, em que a ficção não faz parte do jogo, é fundamental que as histórias sejam de alguma forma aceitáveis, que não se exagere nas tintas ao descrever os acontecimentos. Humildade é um atributo indispensável para quem pretende inspirar os outros.

Erro nº 7: Contar histórias que não mobilizam ninguém

Liderar é a capacidade de alinhar vontades individuais em torno de um projeto coletivo. Mas não é fácil fazer com que as pessoas saiam do seu mundinho e se disponham a seguir você. “Quando você conta uma história que leva as pessoas a se maravilhar porque parece que você está lendo a mente delas, elas amam”, escreve Annette Simmons em “The Story Factor”, “. Mas isso exige esforço: “Se você fez o dever de casa quanto à pessoa ou ao grupo que deseja influenciar, é relativamente fácil identificar as possíveis objeções à sua mensagem”. E, “se você começa pelas objeções é mais fácil desarmá-las”, completa Simmons. Aqui vale lembrar da eleição mencionada no item 4. As pessoas só aceitaram que a saúde estava melhorando depois que dissemos que, sim, a saúde ainda tinha problemas.

Erro nº 8: Apelar para a razão, ao invés da emoção

O neurocientista António Damasio, no livro “O Erro de Descartes”, mostra que, ao contrário do que diz o senso comum, as decisões dependem em grande parte da nossa parte emocional. E contar histórias é provavelmente a melhor maneira de se sintonizar emocionalmente com sua audiência. Mas apresentar planilhas enfadonhas cheias de números não mobiliza ninguém. Lula, ao assumir seu primeiro mandato, despachou: “Quero que todos os brasileiros tenham o direito de fazer três refeições por dia”. Todos os objetivos do governo resumidos numa única frase.

Erro nº 9: Não ter uma causa

As pessoas não vão te seguir apenas porque você precisa delas para bater uma meta, ou conseguir subir na sua carreira. Elas querem um propósito coletivo, algo que as faça se imaginar que vão se tornar melhores do que são. Quando Anita Roddick iniciou a The Body Shop, não fez uma campanha publicitária dizendo que seus produtos eram os melhores do mundo. Ao invés disso, liderou uma campanha mundial, contra o teste de cosméticos em animais. Adotar essa causa fez da marca um sucesso mundial. Quando você quer liderar para a mudança, precisa ter objetivos grandiosos para as outras pessoas e se possível para o planeta. O egocentrismo não serve para quem quer liderar.

(*) Wilson Bentos é publicitário e jornalista. Trabalhou no planejamento do marketing de Belo Horizonte para a Copa do Mundo e é consultor de comunicação.

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