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Campo Grande, Quinta-feira, 23 de Março de 2017

29/07/2015 16:57

Pedaladas do Governo tendem a aumentar os juros na próxima reunião do Copom

Por Reginaldo Gonçalves (*)

As crises que continuam a todo o vapor decorrentes da operação Lava-Jato e o aumento dos preços administrados pelo governo estão gerando situações que estimulam críticas com a condução da situação econômica e política. O desgaste é claro e o prejuízo ocasionado já ultrapassa fronteiras.

Temos o risco iminente da queda da nota do Brasil pelas agências internacionais deixando de ter o grau de investimento para o grau especulativo, deixando o Brasil em uma situação ainda mais complicada e desestimulando os investimentos efetuados, principalmente pelos fundos de pensão e tornando mais cara a captação de qualquer recurso estrangeiro.

As consequências destas mudanças estão atreladas à mudança do superávit primário, que de 1,1% passa a ser de 0,15% do PIB. Nesse caso, o governo criaria a alternativa de aumentar os gastos sem a obrigação de manter um superávit para a amortização dos juros da dívida pública e, o aumento da inflação, que está projetada para 9,23% ao ano.

Com o aumento da perspectiva da inflação, a próxima reunião do COPOM tende a aumentar a taxa de juros com o objetivo de estimular a poupança e coibir o consumo. Mas, com a perspectiva de aumento do desemprego, baixa competitividade da indústria por falta de investimentos em infraestrutura no País aliada a preocupação do governo em taxar ainda mais as empresas, o aumento dos juros poderá levar diversos segmentos a não conseguir honrar suas dívidas com credores, principalmente as que são indexadas.

A premissa na reunião do COPOM é que a taxa seja aumentada em 0,5%, saia do patamar de 13,75% e atinja 14,25% ao ano. A meta do BACEN era chegar até o final do ano em 14,5%. A situação econômica não é nada favorável, mas a preocupação com o aumento da inflação e com o rebaixamento da nota do Brasil, trará a necessidade de rolar a dívida e, para que o investidor possa colocar seus recursos, precisa de um maior estimulo - e com isso a taxa selic tem que ser maior em virtude do grau de risco que os investidores terão. O corte de gasto público nesse momento é fundamental, sendo mantida as prioridades pela lei determinada que é segurança, transporte, educação e habitação.

As empresas brasileiras não estão suportanto a carga tributária e juros altos que consomem o investimento e não se transformarão em retorno positivo dos resultados.

(*) Reginaldo Gonçalves é cordenador do curso de Ciências Contabéis na Faculdade Santa Marcelina (FASM)

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