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Reflexões sobre a pandemia. Está mesmo acabando?

Por Luiz Carlos Dias (*) | 26/10/2021 08:30

Muitos estão se perguntando quando acaba a pandemia. Em um evento organizado recentemente na Unicamp pesquisadores discutiram esta questão. Venho aqui fazer uma reflexão considerando vários aspectos.

A pandemia afeta as populações de todos os países, de renda baixa, média e alta. Nós estamos vendo que o avanço da vacinação, aliado às medidas não farmacológicas como uso de máscaras, distanciamento físico, hábitos de higiene das mãos, evitar locais fechados com pouca ventilação natural e mesmo locais abertos, mas com aglomeração, tem sido ferramentas fundamentais para nos salvar desta doença. Segundo o site WorldMeters, no momento há pouco mais de 244 milhões de pessoas infectadas no mundo, com quase 5 milhões de óbitos causados pela covid-19 (subnotificados, claro).

Como o Sars-CoV-2 é um vírus de RNA, milhares de mutações já aconteceram no vírus, mas apenas quatro variantes de atenção preocupantes surgiram, Alfa, Beta, Gama e Delta. A variante Alfa, cerca de 60% mais transmissível do que o vírus original, foi detectada em setembro de 2020 no Reino Unido e se espalhou pelo mundo, sendo mais perigosa para pessoas com mais de 80 anos de idade. A variante Beta surgiu em dezembro de 2020 na África do Sul, tem capacidade de afetar pessoas mais jovens, que desenvolvem formas mais graves da doença.

A variante Gama foi detectada pela primeira vez em janeiro de 2021 no Amazonas e se espalhou pelo Brasil e países vizinhos. A Gama possui 17 mutações, sendo 3 na proteína Spike, que auxiliam o vírus a entrar mais facilmente nas células para, então, se multiplicar. A variante Delta foi detectada em outubro de 2020 na Índia, é mais transmissível, mais contagiosa e causa sintomas diferentes dos provocados pelas outras variantes. Essas variantes têm em comum o fato de serem mais transmissíveis, mas felizmente não são mais patogênicas, nem mais letais. Isso é um bom sinal. Outro bom sinal é que todas as vacinas em uso contra a covid-19 protegem contra todas essas variantes. Isso nos leva a acreditar que as próximas mutações não levem a variantes capazes de escapar da resposta de proteção conferida pelas vacinas. Mas o cenário de vacinação lenta em países de baixa renda preocupa.... Vamos falar sobre isso.

Segundo o site Our World in Data, 6.84 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo, sendo que cerca de 48.5% da população mundial recebeu pelo menos uma dose das vacinas. No entanto, apenas 3% das populações em países de baixa renda, principalmente na África e no Oriente Médio, receberam a primeira dose (D1). As populações de países pobres permanecem expostas a um vírus mortal. No Brasil, a vacinação começou lenta, mas está acelerando, sendo que cerca de 71.76% dos brasileiros e brasileiras já tomaram a primeira dose (D1) e 51.43% tomaram as duas doses (D1 + D2) ou a dose única da vacina da Janssen. Estamos avançando também na aplicação da dose de reforço para os grupos prioritários e atingimos pouco mais de 6 milhões de vacinados.

Mas então, o que precisamos para sair da pandemia?

A imunidade coletiva através de vacinação em massa é fundamental para diminuir a circulação do vírus, então nós precisamos atingir uma cota de vacinados que impeça o vírus de continuar se espalhando. Em virtude das variantes mais contagiosas como a Delta, muito provavelmente vamos precisar vacinar cerca de 85-90% (ou talvez mais de 90%) da população com as duas doses (D1 + D2) ou com a dose única da Janssen.

Segunda dose (D2)

Nós precisamos fazer uma busca ativa para aplicar a D2 nos cerca de 12.5 milhões de pessoas que tomaram a D1, mas não voltaram no prazo correto para tomar a segunda dose, segundo o site VIGIVAC COVID-BR. De acordo com o site, são considerados atrasados os indivíduos que não tomaram a D2 da vacina após 15 dias da data prevista de aplicação da segunda dose, o que corresponde à 12.499.857 de pessoas.

Doses de reforço

A dose de reforço para idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde é fundamental para proteger esses grupos. A dose de reforço é recomendada para todos esses grupos prioritários, independentemente da vacina que a pessoa tomou na D1, não só para quem tomou a CoronaVac. Não acredite nesta fake news. É que os mais idosos, ou tomaram CoronaVac, ou a vacina da AstraZeneca, as primeiras que chegaram por aqui. Alguns profissionais da saúde mais jovens tomaram outras vacinas, como da Janssen e da Pfizer, então todos os que estiverem elegíveis para a dose de reforço, devem tomar!

Mesmo recuperados da covid-19 devem se vacinar

Outro ponto importante é que, mesmo quem já foi infectado pela covid-19 e se recuperou, deve se vacinar, pois a vacina aumenta a produção de anticorpos. Esta recomendação está baseada no conceito de imunidade híbrida, uma combinação de imunidade adquirida através da infecção pelo vírus real, com a imunidade gerada pela produção de anticorpos neutralizantes induzida pelas vacinas. Pessoas convalescentes de covid-19 podem ser reinfectadas pelas novas variantes e não estão livres de transmitir o vírus. Um estudo publicado no dia 7/10/2021 na revista Nature aponta que a vacinação é mais efetiva em neutralizar o vírus, mas que pessoas convalescentes de covid-19 também possuem células de memória que podem combater novas variantes do vírus. Esses resultados mostram que pessoas vacinadas têm maior proteção que convalescentes recuperados de covid-19, pois a ação de neutralização de indivíduos vacinados que não tiveram contato anterior com o vírus é até cerca de 12 vezes maior. A imunidade gerada pela vacinação também é mais segura que a adquirida pela infecção pelo vírus real, pois o vírus pode matar e deixar sequelas irreversíveis, além de covid longa.

Vacinação de adolescentes e de crianças

Também será necessário vacinar os adolescentes de 12 a 17 anos. No momento, a vacina da Pfizer é a única autorizada no Brasil para essa faixa etária. A dose de 30 microgramas (30 mg) é a mesma usada para as outras faixas etárias e a mostra boa imunogenicidade e bom perfil de segurança. Certamente também vamos precisar vacinar as nossas crianças de 5 a 11 anos. A vacina da Pfizer com dose 1/3 menor, de 10 microgramas (10 mg), deve ser aprovada para as crianças. A vacina mostrou eficácia de 90.7% e ótimo perfil de segurança e produção de anticorpos para crianças de 5 a 11 anos e foi submetida ao FDA americano para aprovação nos Estados Unidos.

Vamos precisar tomar vacinas todos os anos?

Muito provavelmente sim, mas nós ainda não sabemos quanto tempo dura a imunidade com cada vacina. Para ter esta resposta será necessário um monitoramento. Nós também poderemos ter vacinas mais robustas e novas opções em termos de medicamentos no futuro. O Brasil faz poucos testes de diagnóstico, precisamos testar mais e adotar medidas para isolar os infectados, monitorando os seus contatos imediatos. Precisaremos monitorar o surgimento de novas variantes de atenção, principalmente nos locais com baixa taxa de vacinação.

Dá para flexibilizar mais?

 Estamos com uma média móvel de 337 mortes nos últimos sete dias. É muito ainda! Para flexibilizar as medidas não farmacológicas, precisaremos de uma queda mais consistente, sustentada e constante em número de casos, internações e óbitos. É fundamental diminuir a circulação do vírus antes de adotar medidas como abolir o uso de máscaras. A pandemia deixou evidente que nós somos totalmente dependentes uns dos outros para viver em coletividade. Nós todos respiramos o mesmo ar e tudo que está contido nele.

Passaporte vacinal

Eu sou favorável ao passaporte da vacina, penso ser uma medida civilizatória que busca estimular a população a se vacinar. A vacinação contra a covid-19 deve ser encarada como uma política de saúde pública e uma das formas de preservar a vida. A vacinação é individual, mas para protege o coletivo. Precisamos de elevada adesão, por isso temos que adotar medidas que preservem a vida de todos e de todas. Em uma situação de pandemia, com um vírus que mata e deixa sequelas irreversíveis, a liberdade individual não pode infringir a liberdade e a saúde das outras pessoas. As ações devem proteger a coletividade. A saúde é um direito fundamental e um dever do Estado, então é importante que as diretrizes sobre o passaporte da vacina sejam elaboradas em âmbito nacional, até para evitar a judicialização do tema. Mais à frente, quando tivermos quedas mais sustentadas nos casos de infecções e poucas hospitalizações e mortes, isto poderá ser revisto. Só não podemos relaxar, achar que a pandemia está sob controle e dar chance ao vírus de voltar com força.

Vamos nos livrar do vírus?

Uma pandemia só acaba quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar o seu fim, baseada em indicadores epidemiológicos globais e em dados que mostram diminuição sustentada da transmissão em todos os continentes. Ou seja, a pandemia só vai ter fim quando acabar para todos. No entanto, ainda são muitos os desafios sanitários, sociais, econômicos e políticos. É preciso que a vacinação avance em todos os países, incluindo os países de baixa renda, onde a vacinação está lenta demais. Vejam que apenas 3% das populações vulneráveis (https://ourworldindata.org/covid-vaccinations) em países de baixa renda tomaram a primeira dose. Nós precisamos enfrentar essas desigualdades, pois com uma vacinação tão lenta, muitas pessoas nesses países podem vir a óbito ou ter sequelas graves e novas variantes de atenção mais perigosas podem surgir.

A covid-19 será eliminada?

Com o avanço da vacinação em todos os continentes, eu penso que a covid-19 se tornará endêmica, não será eliminada. O Sars-CoV-2 é um vírus respiratório, que vai ficar circulando por aí e nós vamos coabitar com ele. Trata-se de um vírus que tem reservatório animal, tem uma alta taxa de transmissão, principalmente da variante Delta, apresenta sintomas que se sobrepõem a outras doenças respiratórias, o que dificulta o diagnóstico e tem um período longo de infecção. Então poderemos viver um período de transição, convivendo com alguns casos, mas espero que não tão graves, até porque novos medicamentos antivirais estão surgindo, vacinas mais robustas vão aparecer, com antígenos que provocam uma resposta mais robusta do sistema imunológico, enxergando outras partes do vírus, que não só a proteína espícula, ou Spike. Certamente teremos vacinas com boa resposta de produção de anticorpos de mucosa, os famosos IgA. Como sabemos que mesmo indivíduos assintomáticos transmitem, nós vamos conviver com casos assintomáticos, mas também com redução de internações e mortes. O comportamento humano é muito importante e vamos precisar de mais empatia e responsabilidade social, mostrando para a população que se vacinar é um acordo coletivo.

Precisamos continuar conversando com a população

Uma coisa é certa: a covid-19 não vai acabar por vontade de político nenhum. Nós precisamos continuar combatendo o movimento antivacinas, em uma luta insana e desigual, de baixo para cima, contra o charlatanismo e contra os negacionistas que relativizam a gravidade da crise sanitária, atacam a ciência e perseguem cientistas, atacam as medidas não farmacológicas, as vacinas e que defendem tratamentos sem eficácia.

Nós aprendemos muito desde o início da pandemia, mas nós só corremos atrás do vírus, o tempo inteiro. Precisamos nos preparar para as próximas epidemias ou pandemias, que podem começar aqui, caso continuemos desmatando a Amazônia no ritmo atual, onde milhares de vírus e parasitas vivem em equilíbrio com aquele ecossistema, que nós, seres humanos, estamos destruindo. Com o desmatamento, esses vírus e parasitas podem migrar para zonas rurais e depois para as cidades. Nós já temos Zika, dengue, chikungunya, malária, Chagas e outras doenças tropicais. A vacinação em massa através de uma ampla cobertura vacinal, aliada às medidas não farmacológicas são decisivas para sairmos da pandemia e devem ser encaradas como um acordo coletivo pela vida. Quando você se vacina, você ajuda a proteger todas e todos no seu entorno, que por razões médicas, não podem ser vacinadas.

Vacinas contra a covid-19 não transmitem HIV

Uma das fake news mais absurdas e revoltantes espalhadas recentemente pelo presidente da República em uma de suas lives, é a de que as vacinas contra a covid-19 transmitem HIV e que as pessoas que tomaram duas doses das vacinas estão desenvolvendo HIV/AIDS mais rapidamente do que o normal (sic). No mundo, já foram aplicadas cerca de 7 bilhões de doses das vacinas contra a covid-19. No Brasil foram distribuídas cerca de 269 milhões de doses das quatro vacinas que estão sendo usadas aqui. Até o momento, cerca de 153 milhões de pessoas receberam a D1, ~110 milhões receberam D1 + D2 ou a vacina da Janssen e 6 milhões de pessoas dos grupos prioritários receberam a dose de reforço. Não há qualquer caso de transmissão do vírus HIV por vacinas contra a covid-19 relatado no mundo.

Essa fake news irresponsável e criminosa foi espalhada inicialmente por dois sites ingleses especializados em teorias da conspiração e em disseminar mentiras e desinformação. Não existe nenhum relatório oficial ou estudo científico de qualquer fonte do governo do Reino Unido a respeito. Antiga, essa fake news repugnante está sendo requentada e reaproveitada pelos grupos de extrema direita e pelos adeptos do movimento antivacinas. O Comitê de HIV/AIDS da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) se pronunciou através de nota em que afirma que “não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a covid-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida e em que repudia qualquer notícia falsa que mencione esta associação inexistente”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende, assim como o Ministério da Saúde e a SBI, que todos que vivem com HIV/AIDS também tomem as vacinas contra a covid-19. As maiores autoridades médicas e científicas brasileiras afirmam que não há possibilidade das vacinas contra a covid-19 transmitirem o vírus HIV e causar AIDS, pois nenhuma vacina contra a covid-19 usa qualquer fragmento do vírus HIV em sua composição. O HIV pode ser transmitido através de relações sexuais sem proteção ou através do compartilhamento de agulhas e seringas com pessoas com HIV.

As vacinas são as nossas melhores ferramentas de saúde pública, junto com alimentos, antibióticos, saneamento básico, água potável e esgoto tratado e não transmitem doenças. As vacinas previnem doenças, salvam milhões de vidas por ano e todas as vacinas contra a covid-19 estão salvando milhões de vidas no planeta. Quem divulga essa mentira cruel colabora com a hesitação vacinal e com o movimento antivacinas e amplia a estigmatização e discriminação dos milhares de pessoas que vivem com HIV no Brasil. É bizarro e nojento!

Nós já ultrapassamos 605 mil óbitos pela covid-19, temos 14 milhões de desempregados e 20 milhões de pessoas famintas, até quando esses irresponsáveis vão defender o vírus, ao invés de priorizar o combate efetivo à pandemia?

Estamos vencendo o ódio, mas eles continuam alertas e de plantão

Os negacionistas da ciência, incluindo os adeptos do movimento antivacinas, estão fazendo uma ação orquestrada e bem-organizada para perseguir grupos e indivíduos que defendem vacinas e que se posicionam contra a farsa do kit covid usado no tratamento precoce, uma discussão já superada em todos os países e abandonada pela OMS. Nesta mesma linha, a denúncia de 200 mortes de voluntários envolvidos nas pesquisas clínicas com a proxalutamida no Amazonas é considerada uma violação gravíssima aos direitos humanos e uma das infrações éticas mais sérias da história. São vários os atores envolvidos, incluindo pseudocientistas e médicos que não seguem a ciência, mas que usam seus valores de autoridade científica com o objetivo de propagar conteúdos com desinformação Há também os pseudojornalistas, ex-atletas, líderes religiosos e políticos que fazem o mesmo, mas se aproveitando de serem figuras públicas para defender narrativas mentirosas através de pactos e acordos escusos para difundir tratamentos sem eficácia, atendendo a uma agenda política, financeira ou religiosa e espalhando notícias falsas ou com uso enviesado de dados, que supostamente confirmam seus argumentos. E vamos deixar claro aqui que os medicamentos do kit covid foram exaustivamente testados e não mostraram eficácia, então eles não servem no tratamento da covid-19. Isso sem falar em alguns Conselhos Federais e planos de saúde privados com muitos interesses políticos e financeiros...

Recentemente, eu escrevi sobre isso no dossiê especial da revista ComCiência sobre fake news. Entre as falsas narrativas, podemos incluir a crítica às medidas protetivas não farmacológicas e às vacinas e a defesa irracional e irresponsável do kit covid para um suposto tratamento precoce, além dos discursos negando a gravidade do vírus e da pandemia.

Os negacionistas estão firmes em defender sua bandeira política, sua agenda obscurantista de combate à covid-19 e estão atuando em bloco nas redes sociais ofendendo, ameaçando cientistas, comunicadores e divulgadores de ciência. Eles não vão abandonar essas narrativas falsas de jeito nenhum e agora estão denunciando alguns perfis em massa, para que aplicativos como o Instagram, derrubem algumas postagens contra o kit covid.

O foco é contaminar as redes sociais em defesa do kit covid no SUS, contra as vacinas e em defesa até de práticas sem eficácia comprovada como a ozonioterapia, buscando o enfraquecimento do relatório da CPI, criando relatos com conteúdos antivacinas, como mais essa fake news assassina e mentirosa de que vacinas contra a covid-19 causam infecção pelo HIV. Esse movimento organizado tem intenção de colocar o kit covid no SUS ou aproveitar que a decisão na reunião da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) ficou empatada e a Anvisa se ausentou de votar, para criar factoides em defesa do kit covid. Agora que a pandemia está chegando a um ponto de maior controle, em um cenário mais favorável, eles virão com discursos para trazer a farsa do kit covid de volta e criar mentiras contra as vacinas.

Fato contundente é que a população brasileira está aderindo às vacinas, o brasileiro gosta das vacinas, nós temos uma cultura de produção e de distribuição gratuita de vacinas, sempre tivemos campanhas de vacinação em massa com ampla cobertura vacinal e o brasileiro entendeu que não existe um mundo sem covid se não se vacinar, que não existe mundo seguro sem ciência. Mas são muitos os interesses políticos, financeiros e de grupos religiosos, então eles pregam para manter suas bases mobilizadas, para inflar os grupos de ódio. Claro, eles querem colocar medo na população, mas isso eles fizeram desde o início da pandemia. Eles têm muito financiamento, mas os cientistas de verdade, os valorosos divulgadores de ciência, os vários profissionais de todas as áreas, humanas, exatas e sociais, junto com bons jornalistas, em ações muitas vezes individuais, mostraram uma força grandiosa e extraordinária. Nós estamos vencendo o vírus, a pandemia e os defensores do vírus com ciência, caráter, ética e transparência. Eles, do gabinete do ódio, têm muito dinheiro e organização, mas não tem nossa paixão e entusiasmo para ajudar a salvar vidas.

Vacinas salvam vidas e nos libertam do negacionismo

O Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, divulgado no dia 21/10/2021, mostra que com o avanço da vacinação, o País observa diminuição na transmissão do vírus Sars-CoV-2, com queda do número de óbitos e de casos graves da doença e estabilidade nas taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos no SUS. Apesar desses resultados mostrarem que a vacinação está atingindo seu principal objetivo, que é o de reduzir casos graves, hospitalizações e mortes, reduzindo o impacto da doença, ainda é necessário ampliar a cobertura vacinal, mantendo as medidas não farmacológicas.

Um estudo publicado no dia 9/10/2021, na plataforma de preprints medRxiv, ainda sem avaliação por outros cientistas, envolvendo mais de 9 milhões de indivíduos adultos na cidade de Nova York, mostra que as vacinas contra a covid-19 têm mantido sua efetividade mesmo após o surgimento da variante Delta. Os resultados do estudo mostram claramente que pessoas vacinadas têm risco menor de contrair covid-19 quando comparadas com pessoas não vacinadas. As pessoas vacinadas têm muito mais chances de não precisarem de hospitalização se infectados em comparação aos não vacinados.

(*) Luiz Carlos Dias é Professor Titular do Instituto de Química da Unicamp, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro da Força-Tarefa da UNICAMP no combate à Covid-19.

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