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Campo Grande, Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

25/09/2012 14:00

Réquiem por Leonardo e Breno

Por Heitor Freire (*)

A violência é uma realidade presente em todos os lugares do mundo, assusta a toda a humanidade. Quando se apresenta próxima a nós, causa uma reação mista de revolta, espanto, aturdimento, impotência, incompreensão.

Não dá para entender o que leva alguém a cometer atos de agressividade, causando muitas vezes conseqüências irreparáveis como quando comete assassinatos para obter uma vantagem ilícita, e cuja ação de imediato, leva os assassinos à prisão. O fruto da ação ilícita não chega nem a produzir nenhum efeito “benéfico” para os autores.

Esta fase de evolução da humanidade está se caracterizando por atos extremos: de terrorismo, assaltos, assassinatos, estupros, violência. Penso que chegamos ao ponto mais baixo desta etapa.

Espero que, a partir de agora ou daqui a pouco a curva ascendente da evolução recomece o seu ciclo, proporcionando a todos nós uma reflexão sobre nossos atos, para que possamos todos, conscientemente contribuir para que a paz seja restabelecida em nosso planeta.

Na minha experiência só a doutrina espírita tem condições de explicar o que acontece. Seria extremamente injusto se a oportunidade da encarnação fosse única.

O que aconteceu dias atrás quando os jovens Leonardo e Breno foram covardemente assassinados deixando seus familiares, amigos e a sociedade em geral em estado de inconformismo é bem representativo disso que estou dizendo.

No caso do Leonardo, além da perda de um jovem em plena exuberância, perdemos também um poeta dotado de “admirável pendor literário” no dizer do dr. Salomão Francisco Amaral. Agradeço a ele a gentileza de ter me encaminhado a poesia Janela, de autoria do Leonardo, escrito no dia 10 de agosto último, 20 dias antes do seu brutal assassinato e que reproduzo para que os leitores possam avaliar a perda ocorrida.

JANELA

“A ponta do meu dedo

Está a descascar

E tenho medo

Que todo eu seja novo

Daqui a alguns dias

Mas qual me é

O problema de ser novo?

Perder tudo o que tenho?

E que é tudo que tenho?

Talvez eu seja nada...

Em minha casa

Havia uma janela no teto.

Uma vidraça difícil de se limpar,

Porque era muito alta,

Mas eu sempre limpava bem.

Até que um dia

Uma pedra irrompeu por ela

E eu me cortei um pouco

Com os cacos

Que caíram no chão.

Foi aí que pude

Pegas aqueles belos cacos

E examiná-los de perto,

Com cuidado

Um a um

Estavam ensebados,

Quase todos eles,

Então não repus a vidraça,

Nem procurei quem atirara

A simples pedra. Não importava

Dali em diante

O sol, a lua, o vento e a chuva

Entravam quando queriam

Lugar nenhum melhor

Para vasos, que flores, ali, conceberam.

Espero que mais coisas

Me entrem pela janela

E que obriguem a mudar a sala,

Assim não me entedio

E não canso dos dias.

Pensando bem...

Espero terminar de descascar logo

Assim não entedio de mim

Afinal só o eu e o que vivi

Me faz parte, nada mais...”

Na lembrança distribuída deles, está reproduzida parte de outra poesia – Olhar Vivente:

“Como agradecer? Como vou brindar?

Mesmo com os pesares deste mundo

Posso sorrir frente ao valoroso ar

Penetrar o céu adocicado mais fundo.”

Certamente Leonardo continua no seu labor poético, onde se encontra com o seu inseparável amigo Breno. Irmãos, juntos na vida, juntos na passagem, juntos na espiritualidade.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Sou o pai do Leonardo e quero aqui agradecer a todos pelo carinho e pela atenção que os amigos tem nos dados, aos parentes e a Deus! Sem vocês eu e minha mulher nao estariamos em pé . Já perdi Mãe, já perdi pai e já perdi irmão, mas confesso que perder um filho é a dor mais terrível do mundo. O Leonardo era um jovem muito especial para mim eu o amava de tal maneira que não sabia dizer não a ele.
 
Paulo Roberto fernandes em 26/09/2012 10:09:16
Parabéns Heitor Freire. Tanto pelo artigo, quanto pela oportunidade, a todos, de avaliar, pelas palavras, o quanto eram pessoas como todos devemos ser: simples, amáveis e esperançosos de paz.
 
João Bezerra em 25/09/2012 08:22:27
Nunca os vi, mas a dor que partilhei com os que os amavam também foi imensa. O mundo fica mais pobre. Perde terreno para a violência mais uma vez. Perde um poeta, perde dois amigos. A amizade, o amor, o convívio cedendo lugar a essa dama sedenta de sangue e sofrimento, opositora da paz que tinge os lares de vermelho fazendo-nos mais rudes, mais fechados e mais individualistas. Até quando?
 
Josianny Santana em 25/09/2012 06:25:08
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