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27/05/2015 13:16

Sustentabilidade na agricultura com adubos verdes

Por Oscar Fontão de Lima Filho (*)

Com o advento da agricultura, mais ou menos há dez mil anos, o homem tem contribuído significativamente para as mudanças de ecossistemas, notadamente pelo mau uso do solo e da água. Mas o desenvolvimento agrícola, através da pesquisa, vem gerando conhecimento técnico que pode minimizar ou mesmo reverter danos em solos cultivados. Atualmente, existe uma preocupação do agricultor moderno e uma demanda da sociedade, por uma agricultura com o mínimo de agressão ao meio ambiente, que preserva ou melhora a qualidade do solo e, ao mesmo tempo, que alcance produções cada vez mais elevadas. Essa conscientização tem levado ao uso de técnicas mais racionais de conservação, fertilização e manejo do solo, o que faz da adubação verde um marco importante para os sistemas agrícolas, pois é uma técnica que une sustentabilidade e aumento da produtividade.

Adubos verdes são plantas utilizadas para aumentar, preservar ou restaurar a qualidade química, física e biológica dos solos, por meio de técnicas agronômicas específicas, cuja cobertura vegetal, viva ou morta, pode ou não ser incorporada ao solo, aumentando o seu potencial produtivo. São várias as espécies que, de acordo com seu ciclo de crescimento, época de semeadura ou sistema de cultivo (exclusivo, sucessão, rotação, consórcio de culturas, intercalar, em faixas ou em coquetel) melhoram a qualidade do solo e podem, também, fornecer sementes, fibras e alimento ao homem e aos animais (forragem), além de diminuir os impactos ambientais da agricultura.

Com o propósito de disponibilizar informações abrangentes e com profundidade sobre esse tema, a Embrapa publicou a obra "Adubação verde e plantas de cobertura no Brasil: fundamentos e prática" (volumes 1 e 2). O livro é fartamente ilustrado, com cerca de 500 fotos coloridas, e traz, entre seus temas, a história do uso da adubação verde no Brasil, a situação atual e perspectivas futuras da técnica, descrição minuciosa e cuidados com as espécies, os exemplos de rotação de culturas, melhoramento genético e aspectos ecofisiológicos. Apresenta informações técnicas e práticas sobre semeadura e manejo da biomassa de adubos verdes.

Também são abordados assuntos como a evolução do conceito da adubação verde e suas modalidades, o ciclo das espécies, os sistemas de cultivo e a recuperação de áreas degradadas. Aspectos nutricionais e fatores químicos, físicos e biológicos, que condicionam a fertilidade do solo e o crescimento vegetal, são tratados de forma bastante abrangente em vários capítulos. Fitossanidade, incluindo pragas, doenças, fitonematoides e plantas daninhas, são tratados em capítulos específicos.

São abordados, ainda, os temas manejo e processos envolvidos na adubação de culturas e sistemas agrícolas específicos: grãos e sistema plantio direto, cafeeiro, cana-de-açúcar, fruteiras tropicais, hortaliças, integração lavoura-pecuária, restauração florestal, agricultura orgânica, além de se considerar a prática da adubação verde em biomas brasileiros, como a Amazônia, Tabuleiros Costeiros e o Cerrado.

Por meio desta obra, atual e abrangente, a Embrapa oferece ao leitor um conjunto de informações de elevada qualidade técnica e de grande importância para a agricultura brasileira. É o estado da arte da adubação verde, com a participação de 85 especialistas de diversas instituições de pesquisa e/ou ensino de todo o Brasil, profissionais que pesquisam, ensinam e praticam a adubação verde.

(*) Oscar Fontão de Lima Filho, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste

 

 

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