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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

21/10/2017 13:25

Um bom texto vai muito além do simples ato de escrever frases

Por Juliana Bilek (*)

Todos os dias entramos em contato com diferentes textos. Jornais, revistas, poesia, bulas de remédios e propagandas fazem parte da rotina. Nossa escrita também é levada à prova nos mais variados contextos. Deixamos recados. Mandamos mensagens. Enviamos e-mails. E por que não mencionar os famosos “textões” em redes sociais?

A questão é que cada um destes textos possui características próprias que os determinam como gêneros. Consequentemente, desenvolver um bom texto envolve conhecê-las. O russo Mikhail Bakhtin é quem nos traz a “formação” dos gêneros pelo seu estilo, conteúdo e sua composição.

Para que o leitor entenda melhor, tomemos como exemplo a temática violência doméstica. A maneira que é abordada em uma tirinha é distinta de um artigo de revista. Ou seja, o estilo desses textos não é o mesmo. Assim também acontece com o conteúdo. As características expressivas encontradas em uma carta pessoal não estão presentes num relatório de trabalho. Quanto à composição, ela está relacionada com a estruturação, gravuras ou o padrão gráfico. Logo, podemos afirmar que escrever bem envolve não somente “o que” se escreve. O “para quem” se escreve e o para “onde” se escreve são de suma importância.

Isso definido, passamos para a compreensão de que um bom texto vai muito além do simples ato de escrever frases. Um texto mal formulado pode conduzir inclusive ao mal-entendido sobre o assunto por parte de quem lê. Desse modo, estamos diante de dois aspectos fundamentais para a conceituação de “bom texto” seja de qual gênero for: a coerência e a coesão.

Peço licença ao leitor para utilizar as palavras de dois grandes estudiosos no assunto. Koch e Travaglia, há mais de duas décadas, afirmaram que a coerência textual é considerada como “o que faz com que o texto faça sentido para os usuários”. Este sentido é construído pelo produtor e leitor. Sendo assim, o sentido não está no texto em si, mas também é estabelecido por fatores extratextuais – como o conhecimento de mundo, as crenças, as questões políticas e sociais.

Sobre a coesão, os mesmos autores a tratam como “a ligação entre os elementos superficiais do texto, o modo como eles se relacionam, o modo como frases ou parte delas se combinam”. É neste ponto que os famosos conectivos estudados nas aulas de português demonstram sua força.

Para se desenvolver um bom texto, deve-se: a) conhecer e respeitar as características do gênero; b) identificar os possíveis leitores; c) conhecer o meio em que o texto circulará; d) prezar por boa coerência e coesão textuais.

Não pense o leitor que “os passos” terminam por aqui. Deixei para o fim o elemento mais importante. Já dizia Monteiro Lobato, “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”. Não existe um bom ouvinte, se não houver um bom leitor. Não existe um bom falante, sem existir um bom leitor. Não existe uma boa visão, se não existir um bom leitor. Não existe boa redação sem que exista você, antes de tudo, como um bom leitor.

(*) Juliana Bilek é Professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio no Colégio Marista Pio XII em Ponta Grossa (PR), do Grupo Marista.

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