Apesar de 34 mortes este ano, PM diz que câmeras corporais não são prioridade
Corporação trata a medida como secundária; prioridade está em coletes e armas

A PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) afirmou ser favorável ao uso de câmeras corporais por agentes, mas disse que a medida não está entre as prioridades imediatas da corporação. O posicionamento foi apresentado nesta terça-feira (28) pelo comandante-geral da instituição, coronel Renato dos Anjos Garnes, em entrevista ao Campo Grande News.
RESUMO
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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul declarou apoio ao uso de câmeras corporais, mas descartou a medida como prioridade imediata. O comandante Renato Garnes afirmou preferir investir em coletes, armas e equipamentos operacionais. A discussão ganhou força após 34 mortes em confrontos policiais em 2025, incluindo sete em um único fim de semana. O Estado ainda não aderiu ao edital nacional do Ministério da Justiça sobre o tema.
Segundo ele, o foco atual da segurança pública no Estado é ampliar investimentos em equipamentos de proteção individual, armamentos e estrutura operacional para atuação da tropa.
“A primeira preocupação é nós comprarmos equipamento de qualidade, como vem sendo feito pelo governo do Estado. Eu prefiro que o meu policial esteja com o colete de excelência, uma arma no corpo de excelência, um fuzil de qualidade, do que a câmera corporal”, afirmou.
Apesar disso, Garnes ressaltou que a corporação não se opõe à adoção da tecnologia. “Quanto ao uso da câmera corporal, nós temos receio nenhum, mas nós temos a prioridade de investimento”, declarou.
O debate sobre o tema voltou a ganhar força em Mato Grosso do Sul após 34 mortes em confrontos policiais registradas neste ano, sete delas apenas no último fim de semana, entre casos na Capital e no interior.
Realidade local - Ao justificar a posição da corporação, o comandante citou as características geográficas e estratégicas de Mato Grosso do Sul, estado com extensa faixa de fronteira e forte atuação das forças de segurança no combate ao tráfico e ao crime organizado.
“Nosso Estado tem a nossa peculiaridade. Com 1.614 quilômetros de fronteiras, cinco divisas, nosso Estado é seguro e eu tenho certeza que as forças de segurança de Mato Grosso do Sul são as melhores do nosso país”, disse.
Atualmente, ao menos 14 estados brasileiros e o Distrito Federal já utilizam ou estão em fase de implementação de câmeras corporais nas fardas das polícias militares.
Na avaliação de Garnes, a implantação exige mais do que a compra dos equipamentos, já que seria necessário criar sistema de armazenamento digital, manutenção permanente e gerenciamento das imagens gravadas durante o serviço.
“A câmera corporal necessita realmente de um trabalho, não é simplesmente comprar um equipamento desse. Nós temos que ter nuvem, então o processo muito longo, investimento muito alto”, afirmou.
Ele acrescentou que eventual adoção pode ocorrer futuramente, desde que haja apoio financeiro.
“A partir do momento que de fato tem investimento também no governo federal, que a Polícia Federal use e que outras forças de segurança use, tenho a certeza que se tiver esse alinhamento, o Governo Federal bancar isso para as polícias militares, com certeza com equipamento adequado, a gente vai estar usando”, declarou.
A discussão sobre câmeras corporais não é nova em Mato Grosso do Sul. No ano passado, a Sejusp informou que a compra dos equipamentos dependeria de verba específica e optou por adiar adesão ao edital nacional lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na época, o governo estadual alegou necessidade de mais esclarecimentos sobre a origem dos recursos e a contrapartida financeira exigida para participação.
Confronto recente - A discussão voltou a ganhar força em 2026 diante do número de mortes em confrontos no Estado. Sete dessas ocorrências foram registradas apenas no último fim de semana, entre casos na Capital e no interior.
Entre os episódios recentes de maior repercussão está a morte de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, em Anastácio, no dia 31 de março.
Inicialmente, a ocorrência policial informou que o suspeito teria reagido à abordagem. Depois, imagens de câmera de segurança mostraram Wellington correndo no momento em que foi baleado. Na sequência, laudo necroscópico apontou que o disparo fatal atingiu a lateral esquerda do rosto. O caso levou à prisão temporária e ao afastamento de dois policiais militares envolvidos na ação, além de investigação conduzida pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Segurança também para o policial - Mesmo fora das prioridades imediatas, Garnes afirmou que as câmeras podem trazer benefícios para os próprios agentes.
“Tenho a certeza que o uso da câmera pela Polícia Militar também traz a segurança para o policial, para mostrar a realidade dos fatos, o que nós enfrentamos no dia a dia na rua”, disse.
Ao comentar críticas de que os equipamentos serviriam apenas para fiscalizar a corporação, rebateu:
“O que nós temos que tirar da cabeça de muitos aí que pensam que a câmera é para fiscalizar o trabalho da Polícia Militar, não, de forma alguma. Nós somos fiscalizados 24 horas por todo mundo e quem fiscaliza a Polícia Militar é o povo”, afirmou.
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