Avião passa por baixo de ponte na Rota Bioceânica e expõe 78 trabalhadores
Normas da aviação proíbem a manobra; o piloto pode ser investigado e responsabilizado
Um voo de avião de pequeno porte por baixo da ponte internacional em construção sobre o Rio Paraguai, na região de Porto Murtinho, acendeu alerta entre autoridades e trabalhadores. A manobra, considerada proibida e de alto risco, ocorreu enquanto pelo menos 78 operários atuavam na estrutura, segundo apuração do Campo Grande News.
RESUMO
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Avião de pequeno porte realizou voo rasante sob a ponte internacional em construção sobre o rio Paraguai, em Porto Murtinho, colocando em risco 78 trabalhadores. O engenheiro paraguaio Renê Gomez denunciou a manobra às autoridades. A legislação brasileira proíbe esse tipo de ação, com penas de até 5 anos de prisão. A obra, financiada pela Itaipu Binacional, integra a Rota Bioceânica e está em fase final.
O episódio foi registrado em vídeos que circulam entre trabalhadores e mostram a aeronave passando muito próxima à ponte, em baixa altitude. Em uma das gravações, feitas de dentro do próprio avião, é possível ouvir vozes femininas dizendo “olha a ponte”, enquanto a aeronave realiza o sobrevoo rasante. A identificação do piloto ainda não foi confirmada, mas a aeronave exibe prefixo com a sigla “PT”, padrão brasileiro.
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Em mensagens às autoridades, o engenheiro civil paraguaio que coordena a obra, Renê Gomez, classificou a manobra como irresponsável e afirmou que o caso já foi denunciado às autoridades. Segundo ele, o voo colocou em risco direto tanto os trabalhadores quanto a integridade da estrutura.
De acordo com regras seguidas pela Força Aérea Brasileira, pela Agência Nacional de Aviação Civil e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo, voar sob pontes ou realizar manobras rasantes próximas a estruturas é proibido.
Há possibilidade de colisão com a estrutura, instabilidade causada por rajadas de vento, falha mecânica ou erro humano. Em um cenário como o da obra, com dezenas de pessoas sobre o rio e equipamentos pesados em operação, o risco deixa de ser individual e passa a ser coletivo.
Além disso, esse tipo de ação costuma ser enquadrado como exibicionismo perigoso, sem qualquer justificativa operacional. A legislação brasileira prevê consequências para esse tipo de conduta.
Pilotos que realizam manobras perigosas podem responder por atuação temerária, com abertura de inquérito e, em caso de condenação, pena que pode chegar a 5 anos de prisão.
Outro ponto que pesa contra o piloto é a ausência de qualquer indício de autorização especial. Voos acrobáticos só são permitidos em condições muito específicas, com planejamento prévio e autorização formal, o que claramente não é o caso.
Obra estratégica - O episódio ocorre em um momento sensível da construção da ponte da Rota Bioceânica, considerada estratégica para a integração entre Brasil e Paraguai.
Iniciada em 2022 e financiada pela Itaipu Binacional, está na fase final. O chamado “beijo das aduelas”, que marca o encontro das duas partes da ponte no centro do rio, está previsto para o fim de maio. Ou seja, é uma etapa crítica, com alto nível de operação simultânea.
A ponte integra um corredor logístico que promete ligar o Centro-Oeste brasileiro ao Oceano Pacífico, reduzindo custos e tempo de exportação.
*Colaborou Toninho Ruiz, de Porto Murtinho.
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