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Cidades

Casos de síndrome respiratória saltam 400% em 1 semana

Período é de maior incidência de SRAG e presença do novo coronavírus apenas agrava situação

Por Lucia Morel | 01/04/2020 19:05
Nesta semana, número de casos está em 150 no Estado, segundo o monitoramento. (Reprodução: http://info.gripe.fiocruz.br/)
Nesta semana, número de casos está em 150 no Estado, segundo o monitoramento. (Reprodução: http://info.gripe.fiocruz.br/)

Monitoramento dos casos SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) feito pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) revela aumento de pelo menos 400% no número de pessoas acometidas pela síndrome em Mato Grosso do Sul da semana passada para cá. De uma média de 25 a 30 casos registrados por semana, agora, o gráfico revela 150.

Os dados são do Infogripe, que é um monitoramento de todas as notificações de SRAG. Em geral, seu pico ocorre em maio, quando as temperaturas estão mais baixas e aumentam os casos de crises respiratórias.

Desde a semana passada, depois que alguns critérios de monitoramento da síndrome mudaram, seguindo parâmetros definidos pelo Ministério da Saúde, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) passou a incluir no boletim diário da Covid-19 os casos de SRAG em investigação.

O primeiro dia do detalhamento foi 26 de março, quando havia 53 casos sendo investigados para se saber a origem da síndrome. No boletim mais recente, divulgado hoje à tarde, são 39. Vale ressaltar que a SRAG pode ser causada pelos vírus da gripe, por bactérias e também por coronavírus. Por causa disso, os casos têm sido acompanhados mais de perto.

A gerente técnica de Influenza e outras Doenças Respiratórias da SES, Lívia Mello, explica que entre os meses de abril e junho é comum haver salto de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e que a chegada da Covid-19 a Mato Grosso do Sul, apenas aumenta a lista de agentes infecciosos a serem investigados como causadores da SRAG.

Na semana passada, 27 de março, gráfico não alcançava a marca de 30 casos em MS. (Reprodução: http://info.gripe.fiocruz.br/)
Na semana passada, 27 de março, gráfico não alcançava a marca de 30 casos em MS. (Reprodução: http://info.gripe.fiocruz.br/)

Para se ter uma ideia, os 39 casos em investigação hoje, podem ter sido causados por: Influenza A H1N1; Influenza A H3N2; Influenza B; Metapneumovírus; Adenovírus; Rinovírus; Vírus Sincicial Respiratório; Parainfluenza 1, 2, 3 e a Covid-19.

Lívia explica que todos as pessoas acometidas pela síndrome precisam ser hospitalizadas, mas nem todas precisam utilizar respiradores. Além disso, lembra que o único boletim de Influenza divulgado este ano, em 20 de março, mostrava 115 casos de SRAG no Estado até então e que, “este número já está bem maior”, sem, no entanto, poder precisar o valor atual. Ela falou com o Campo Grande News fora da SES e não dispunha dos dados em mãos.

O boletim citado mostrava ainda o resultado dos exames para descobrir a origem da síndrome, sendo que seis haviam sido provocados por Influenza, 12 por outros vírus, 50 ficaram como “não especificados” e outros 47 estavam ainda em investigação.

Um dos problemas apontados pela situação é a demanda por leitos, tanto de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) quanto de semi-intensivos, que já aumentam sua demanda normalmente nesse período do ano, e agora, com a chegada do novo coronavírus, deve crescer ainda mais.