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Cidades

Com vai e vem de restrições, fica difícil projetar pico de casos para MS

Reflexo de isolamento social é visto a cada 15 dias, explica infectologista do COE (Comitê de Operações de Emergência)

Por Anahi Zurutuza | 07/04/2020 06:35
Avisos estão espalhados pela cidade, mas movimentação só aumenta (Foto: Henrique Kawaminami)
Avisos estão espalhados pela cidade, mas movimentação só aumenta (Foto: Henrique Kawaminami)

O pico de contágio pelo coronavírus em Mato Grosso do Sul foi projetada para acontecer no início deste mês, mas o movimento “fique em casa” jogou a curva de casos para o começo de maio. A verdade é que com o vai e vem de medidas restritivas nas cidades, fica difícil fazer um cálculo preciso.

A resposta agora é “depende”. “Cada local vai viver sua própria epidemia”, explica a infectologista da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Mariana Croda, também integrante do COE (Comitê de Operações de Emergência) da SES (Secretaria de Estado de Saúde).

A médica explica que só com o aumento do número de pessoas submetidas a exames, por conta da chegada dos testes rápidos e “boa resposta do Lacen [Laboratório Central de Mato Grosso do Sul]”, o número de confirmações deve subir mais rápido. “O que nos mostrará um número mais real, porque quando mais casos conseguirmos detectar, melhor”.

Calculadora que trabalha com base no número de casos confirmados, leitos e índice de isolamento social, projeta hoje curva de contágio em MS para início de maio (Foto: Reprodução)
Calculadora que trabalha com base no número de casos confirmados, leitos e índice de isolamento social, projeta hoje curva de contágio em MS para início de maio (Foto: Reprodução)

A preocupação de quem trabalha no planejamento da contenção do avanço do novo vírus pelo Estado é com o relaxamento das restrições de aberturas do comércio, para o transporte coletivo e outras ressalvas adotadas por boa parte dos municípios em março.

“Todos estão com uma falsa sensação de segurança, porque o número de casos e óbitos ainda não são alarmantes. Mas, as estatísticas mostram que cada medida como a restrição leva duas semanas para ter impacto. Caso ocorra impacto negativo, será que daqui duas semanas que começaremos a ver”.

Qual o risco? – Volta à vida normal é muito arriscado, alerta a especialista. “Ir ao salão, a uma loja, ficar na fila da lotérica é tão complicado quanto ir a uma festa. Quinze minutos num local onde fica difícil manter os 2 metros de distância segura, é o mesmo que estar numa aglomeração maior de pessoas”.

Mariana Croda reitera que 15 dias de isolamento, como completaram muitas famílias em Campo Grande não é tempo suficiente para vencer a epidemia. “É o que eu sempre digo, são dois, no máximo 3 meses, por uma vida inteira”, ressalta sobre o perigo de ter a Covid-19 num momento em que o sistema de saúde ainda pode entrar em colapso e por isso, a chance de sobrevivência cai drasticamente.

Comércio teve autorização para reabrir ontem em Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã)
Comércio teve autorização para reabrir ontem em Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã)

Cenário – Nessa segunda-feira (6), dia do start na retomada gradual da "liberdade vigiada" em Campo Grande, o boletim epidemiológico da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) trouxe mais quatro confirmados em Campo Grande, que já tem 48 pessoas com o coronavírus. Em Mato Grosso do Sul são, portanto, pelo menos 69.

O Estado, por sua vez, teve a segunda morte pela doença, mais uma moradora da Batayporã. Hipertensa e diabética, Sônia Regina dos Anjos morreu aos 66 anos, na madrugada de ontem.