“Craque do crime”, megatraficante preso em MG lavava dinheiro em MS
Essa é a quarta prisão de Sonny Clay; em 2019 foi pego durante partida de futebol pelo Peñarol de Ouro Preto
A prisão de um dos maiores traficantes do Brasil, anunciada neste sábado (10), tem ligação direta com Mato Grosso do Sul. Investigado desde 2013, Sonny Clay Dutra, de 43 anos, preso em Divinópolis (MG), mantinha empresas de fachada em MS para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, segundo a PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais).
RESUMO
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A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu Sonny Clay Dutra, 43 anos, considerado um dos maiores traficantes do Brasil. O criminoso, que operava como empresário, mantinha negócios de fachada em Mato Grosso do Sul para lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, aproveitando-se da proximidade com Bolívia e Paraguai. Sonny não se vinculava a facções específicas, mas mantinha diálogo com todas. Em 2019, ganhou destaque ao ser preso durante uma partida de futebol em Ouro Preto (MG), onde atuava como jogador e patrocinador do time local. A investigação agora focará no esquema de lavagem de dinheiro que envolve empresas em diversos estados brasileiros.
De acordo com as investigações, o traficante atuava como um “empresário de sucesso”, mantendo negócios formais em setores como alimentos e postos de combustíveis. Essas empresas estavam espalhadas por vários estados, incluindo Mato Grosso do Sul, usado como peça estratégica por fazer fronteira e ligação logística com Bolívia e Paraguai, países de onde vinha a droga.
Ainda conforme a polícia, Sonny tinha negócios fortes nas duas fronteiras internacionais, mantinha contatos com grandes chefes do narcotráfico e operava em um nível acima da logística comum do tráfico. Ele não era ligado a uma facção específica, mas mantinha interlocução com todas, o que ampliava sua atuação criminosa.
Foi justamente em 2019 que Sonny ganhou notoriedade nacional ao ser preso durante uma partida da Supercopa dos Inconfidentes, no estádio Caldeirão da Barra, em Ouro Preto (MG). Principal patrocinador do Peñarol de Ouro Preto, ele também atuava como jogador e era conhecido como o “dono da bola”. Segundo a polícia, usava chuteiras personalizadas e distribuía pacotes de notas de R$ 50 aos jogadores no vestiário como forma de incentivo. O nome de Sonny estampava as camisas do time como patrocinador.
Naquela ocasião, a Polícia Civil apreendeu um carro com mais de R$ 1 milhão e 16 quilos de pasta-base de cocaína, quantidade que poderia render cerca de 100 quilos de droga no mercado.
Esta foi a quarta prisão de Sonny por tráfico. Considerado o maior traficante de pasta-base de cocaína de Minas Gerais e um dos maiores do país, Sonny tinha mandado de prisão em aberto por uma condenação de 14 anos. No momento da prisão mais recente, dia 10 de janeiro (vídeo acima), também foi flagrado com porte ilegal de arma de fogo e não ofereceu resistência.
A captura foi resultado de uma operação de inteligência que durou meses, conduzida pela Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), do Deoesp (Departamento Estadual de Operações Especiais), com apoio da Diretoria de Inteligência da PCMG.
Segundo o delegado Davi Batista Gomes, Sonny tinha uma grande rede de proteção e alto poder financeiro, o que facilitava a troca constante de endereços. “Conseguimos dar um golpe muito forte no tráfico, principalmente na logística que abastece os pontos de droga”, afirmou.
A próxima fase da investigação deve aprofundar o esquema de lavagem de dinheiro, que envolve empresas em vários estados, entre eles Mato Grosso do Sul, além de São Paulo, Paraná, Goiás e Distrito Federal. A polícia afirma que, após atingir o topo da organização, o objetivo agora é desmontar toda a estrutura criminosa e suas conexões.
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