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Cidades

De PMs a bombeiros, Segurança Pública em MS já soma 101 casos de covid-19

Desde o início da pandemia, este foi o número de agentes das forças de segurança infectados, incluindo 1 morte e 41 recuperados

Por Izabela Sanchez | 14/07/2020 11:34
Guarda municipal em meio à ação de fiscalização do toque de recolher em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)
Guarda municipal em meio à ação de fiscalização do toque de recolher em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)

Do início da pandemia até esta terça-feira 101 é o número de infectados pelo novo coronavírus entre as forças de Segurança Pública em Mato Grosso do Sul. Entre os infectados, há um policial civil de 52 anos que, em junho, morreu, vítima da covid-19 no Estado.

Assim como as equipes médicas, guardas civis, policiais e bombeiros estão em outra linha de frente onde distanciamento não existe. A contaminação entre a polícia civil, por exemplo, está fechando delegacias semanalmente para desinfecção do espaço.

É o que comentou o diretor trabalhista do Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis) Tony Messias. Em Guia Lopes da Laguna, nesta segunda-feira (13), a delegacia precisou ser descontaminada logo após a delegacia de Jardim. Isso ocorreu porque uma presa que estava em Jardim ficou temporariamente em Guia Lopes enquanto a delegacia passava pelo protocolo de limpeza.

Ainda assim, não é na polícia civil a maior contaminação. Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) indicam que a incidência de casos é maior entre os policiais militares. Isso se explica porque o trabalho da polícia militar é ostensivo e nas ruas, logo, com mais exposição.

Entre os 78 contaminados pelo novo coronavírus nas forças de segurança estadual desde o início da pandemia, 46 são policiais militares, contra 12 policiais civis. A Sejusp afirma que há, ainda, 10 casos de covid-19 entre os bombeiros.

Do total de agentes contaminados desde o início da pandemia, 41 se recuperaram e 36 ainda estão em tratamento.

Policial Civil em Ponta Porã, Waldir Rojas, morreu em decorrência da covid-19 em junho (Foto: Reprodução)
Policial Civil em Ponta Porã, Waldir Rojas, morreu em decorrência da covid-19 em junho (Foto: Reprodução)

Testagem – Para o diretor do Sinpol há necessidade de ampliar a testagem e desde que os testes aumentaram, os números começaram a surgir, conforme alega. “Foi feita uma campanha forte de testagem nos policiais, conseguimos sensibilizar, foi criado um grupo da segurança pública”, disse.

Além das forças da segurança estadual, a covid também avança na GCM (Guarda Civil Metropolitana). A última atualização indica que há 23 guardas com covid-19, todos ligados à linha de frente, a exemplo da fiscalização do toque de recolher.

Diariamente eles têm de ir até locais lotados com pessoas que ignoram a pandemia e fazem festas clandestinas, sem uso de máscara ou qualquer proteção, além de bares e conveniências, todos funcionando contra as regras e após às 20h, além de "pedirem" às pessoas, nas ruas e nesses locais, para irem para casa.

A Sejusp indica que até agora ainda há 60 casos suspeitos entre policiais e bombeiros, que aguardam resultados dos exames. Entre os policiais civis, Tony afirma que a incidência maior é nos investigadores e cita a DPGC (Delegacia Geral de Polícia Civil) como local associado ao surgimento dos casos, pois todos policiais frequentam o local.

“A diretoria já foi descontaminada duas vezes. Todo mundo passa por ali”, cita. Além disso, ele também cita a Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos) onde policial infectado, lotado na 7ºª DP (Delegacia de Polícia) pode ter levado vírus, o que já provocou duas descontaminações.

No interior, diz, não é diferente. A 2ª DP de Ponta Porã, na região de fronteira, a mais violenta de Mato Grosso do Sul, precisou ficar uma semana fechada depois que dois investigadores testaram positivo para covid no dia 28 de junho. Na cidade, cinco policiais estão com a doença, um deles segue internado.

O diretor trabalhista também cita os casos suspeitos que surgem rapidamente na mesma delegacia, a exemplo de Corumbá, incluindo o delegado. “Corumbá chamou atenção porque quando foi descoberto um caso, durante um final de semana, foram quatro na mesma delegacia, a 1ª DP”, diz.

Em nota enviada à reportagem, a Sejusp disse que “a partir da confirmação ou suspeita de casos de contaminação, desencadeia-se imediatamente planejamento operacional para testagem dos efetivos e descontaminação das instalações" e "reforça que os casos registrados são baixos em comparação com a população em geral devido às medidas profiláticas adotadas desde o início da pandemia”.

O Campo Grande News também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura, sobre a GCM, e aguarda resposta.