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Cidades

Defensor histórico dos kadiwéus, Alain Moreau falece aos 92 anos na França

O advogado atuou por ano na defesa dos direitos humanos e territoriais dos indígenas da etnia

Lucia Morel | 19/09/2022 10:08
Alain Moreau ao lado do ex-prefeito de Porto Murtinho, Derlei João Delevatt, em dezembro de 2020. (Foto: Arquivo pessoal)
Alain Moreau ao lado do ex-prefeito de Porto Murtinho, Derlei João Delevatt, em dezembro de 2020. (Foto: Arquivo pessoal)

Apaixonado pelos kadiwéus, morreu neste fim de semana em Paris, França, o advogado Alain Charles Edouard Moreau, aos 92 anos. Ele atuou junto à etnia, sediada em terra na cidade de Porto Murtinho, a 439 Km de Campo Grande, por anos e foi quem garantiu a segurança demarcatória do local.

Quem conta um pouco de quem foi Moreau para os kadiwéus é o amigo Jair Terra, engenheiro agrimensor que ajudou na delimitação legal e definitiva da Terra Indígena Kadiwéu, na década de 80. Entretanto, seu amor por esse povo começou antes, em 1970.

“Quando jovem, o pai dele era empreiteiro da ponte ferroviária sobre o Rio Paraguai e ele veio da França, onde estudava, para visitá-lo. Foi quando ele conheceu o povo kadiwéu e se apaixonou. Teve um encantamento com esse povo mesmo”, conta.

Um dos marcos monumentais para delimitar fisicamente a área dos kadiwéus. (Foto: Arquivo pessoal)
Um dos marcos monumentais para delimitar fisicamente a área dos kadiwéus. (Foto: Arquivo pessoal)

Desde então, ele passou a atuar para defender os direitos desses indígenas, seja através de ações privadas, com uso de seus recursos financeiros provenientes do emprego em instituições bancárias, ou com sua atuação como advogado.

Conforme Jair, na década de 70, o governo militar pediu que ele mediasse negociação junto aos indígenas com fim de definir a área da localidade e dirimir brigas judiciais com arrendatários das áreas indígenas. “Foi ele quem conseguiu que o governo militar reconstituísse os limites da reserva. Ele trabalhou para conservar o direito deles sobre a terra”, contou o amigo Jair.

Uma iniciativa muito conhecida de Moreau foi a criação de gado em parceria com os kadiwéu, que deu certo por um bom tempo e chegou a ser veiculada na imprensa nacional nos anos 2000. A ideia era inclusive expandir o projeto para outras aldeias, o que acabou não ocorrendo.

Alain Moreau em reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, em janeiro de 2000. (Foto: Reprodução)
Alain Moreau em reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, em janeiro de 2000. (Foto: Reprodução)

Ele também esteve por vários anos à frente da assessoria jurídica da ACIRK (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu).

Uma das suas últimas ações junto à Terra Indígena, foi a construção, em concreto, de marcos monumentais para delimitar fisicamente a área dos kadiwéus, em 2019. Sua última visita ao local, conforme Jair, foi em dezembro de 2020, registrada em foto junto com o ex-prefeito de Porto Murtinho, Derlei João Delevatti. Moreau faleceu no último sábado, 17, aos 92 anos.

A reportagem tentou contato com alguma liderança kadiwéu para comentar a perda, mas não obteve sucesso.

Leia aqui, na íntegra, a matéria publicada no Jornal O Estado de São Paulo.

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