Denúncia mostra saque de R$ 3 milhões em um dia, mas “regra” era driblar Coaf
Saques acima de R$ 50 mil são comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras
A denúncia da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em 7 de julho, detalha grande movimentação financeira, com direito a saque de R$ 3 milhões num único dia. A soma milionária foi sacada em 2 de setembro de 2024. Antes, em 5 de agosto de 2024, o saque foi de R$ 2.180.000,00.
RESUMO
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A denúncia da Operação Gutenberg, do Gaeco, aponta saques superiores a R$ 9 milhões entre 2022 e 2024, incluindo retiradas de R$ 3 milhões em um dia e valores fracionados em torno de R$ 49 mil para evitar comunicação ao Coaf. A investigação também cita que a Editora Avante recebeu mais de R$ 27 milhões de municípios e, na operação, foram apreendidos R$ 227 mil em espécie e mais de R$ 3 milhões em cheques.
“De outro lado, somente entre 2022 e 2024, a empresa sacou em dinheiro a impressionante quantia de mais de R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais)”, afirma o Gaeco.
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Contudo, a estratégia era driblar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), com saques de dinheiro abaixo de R$ 50 mil.
“Também não passou despercebido da investigação que a grande maioria dos saques em dinheiro foram de valores em torno de R$ 49.000,00 (quarenta e nove mil reais), justamente para evitar a comunicação compulsória da movimentação financeira às autoridades competentes”.
O Banco Central do Brasil, por meio do artigo 35 da Circular nº 3.978/2020, determina que sejam comunicados ao Coaf, até o dia útil seguinte, saques em espécie de R$ 50.000,00 ou mais. Neste caso, a instituição bancária responsável pela operação deve registrar, além do nome e da inscrição no CPF/CNPJ (Cadastro de Pessoas Físicas/Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) do destinatário e do portador dos recursos, a finalidade do saque, entre outras informações.
“Só para se ter uma ideia da capacidade operacional da orcrim [organização criminosa] sediada em Campo Grande, no período de afastamento do sigilo bancário, constatou-se que somente de agosto de 2022 a setembro de 2024, a empresa Souza & Fanaia (Editora Avante) recebeu dos cofres públicos de diversos municípios deste Estado mais de R$ 27.000.000,00 (vinte e sete milhões de reais)”, aponta.
Dinheiro vivo – No dia da operação, o Gaeco apreendeu R$ 227 mil em espécie e mais de R$ 3 milhões em cheques. As pilhas de dinheiro foram encontradas na empresa de Douglas Henrique de Melo, na residência de Francisco Anízio dos Santos e na casa de Paulo Rogério de Melo
Os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique Melo são respectivamente pai e filho. A investigação aponta que a Atalaia Veículos, Douglas e o pai receberam R$ 826.311,94 da editora, no período entre 2022 e 2024.
Francisco Anízio dos Santos, na investigação, foi colocado no núcleo que teria influência sobre as decisões administrativas e financeiras da Editora Avante. A reportagem entrou em contato com a defesa de Paulo e Douglas e aguarda retorno.
O Campo Grande News não conseguiu contato com a defesa de Francisco Anízio dos Santos.
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