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Cidades

Fahd Jamil passa a ser réu por duplo homicídio atribuído a vingança

Preso desde 19 de abril, quando se entregou, ele aguarda decisão judicial sobre pedido de prisão domiciliar

Por Marta Ferreira | 19/05/2021 19:23
Anderson Celin, à esquerda, e Alberto Aparecido, o "Betão", à direita, foram assassinados em abril de 2016. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Anderson Celin, à esquerda, e Alberto Aparecido, o "Betão", à direita, foram assassinados em abril de 2016. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Preso desde 19 de abril, quando se entregou à polícia, o réu na operação Omertà Fahd Jamil,  79 anos, agora responde por duplo homicídio investigado pela força-tarefa. Decisão desta terça-feira (18) da juíza Jeane de Souza Barboza Escobar, de Bela Vista, acata denúncia contra Fahd, Melcíades Aldana e Gabriel de Rossi dos Santos por crime ocorrido há 5 anos.

No despacho, a magistrada recusou a decretação de prisão contra Fahd, solicitada pela promotoria.  Isso faz com que ele continue com apenas uma ordem de detenção, que a defesa tenta transformar em prisão domiciliar.

As vítimas de assassinato foram o servidor público Alberto Roberto Aparecido Nogueira, 55 anos,  e o policial civil Anderson Celin, 36, executados em abril de 2015. Ambos foram encontrados carbonizados em uma camionete,  próximo ao lixão da cidade fronteiriça ao Paraguai, no caminho para Caracol.

Com esse passo, o caso passa a ter quatro réus. Já havia um denunciado, Oscar Ferrreira Leite Neto, o “Oscarzinho”, que está desaparecido, possivelmente morto.

Com a deflagração da Omertà, para investigar homicídios cometidos por milícias armadas, a investigação foi reaberta e foram identificados indícios confirmando as suspeitas que haviam de que Fahd encomendou o crime para se vingar do assassinato do filho, Daniel Jamil Georges, o “Danielito”. Ele sumiu em 2011 e foi declarado morto em 2019. O corpo nunca apareceu.

Conforme os novos elementos acrescidos ao processo, Fahd encomendou a execução de Betão e Celin. Melciades, também desaparecido e igualmente investigado na Omertà, intermediou a contatração dos outros dois homens, que foram os executores.

A partir da aceitação da denúncia, a representação dos réus agora tem prazo para apresentar defesa prévia. Depois disso, são marcadas as audiências para ouvir testemunhas.

O outro caso – Fahd também é réu é o que vitimou o chefe de segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Ilson Martins Figueiredo, em junho de 2018.

A motivação, segundo a ação penal, é a mesma: vingar a morte de Danielito. Nesta ação, está prevista audiência para ouvir testemunhas hoje.

Fahd vai participar da carceragem do Garras (Delegacia Especializada de Repressão  a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), onde está desde o dia 19 de abril, quando se apresentou depois de 10 meses foragido.

A prisão dele foi decretada em junho de 2020, na terceira fase da Omertà, cujo objetivo foi atacar organização criminosa acusada de tráfico de armas, formação de milícia armada, corrupção de agentes públicos. São duas ações penais oriundas dessa etapa investigatória, ambas em fase de audiências para ouvir as partes.

“Fahd Jamil sempre confiou na Justiça de Mato Grosso do Sul, razão pela qual se apresentou recentemente no Garras, onde se encontra preso, aguardando decisão do pedido da prisão domiciliar”, declarou ao ser procurado o advogado André Borges, um dos defensores do “Rei da Fronteira”.

A decisão sobre o pedido de prisão domiciliar aguarda o laudo do perito oficial que vai atestar as condições de saúde do detento.

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