Falta de preparo dos pais aumenta riscos online para crianças, diz promotora
Sem orientação, jovens ficam mais vulneráveis a crimes e aliciamento na internet
A falta de preparo das famílias para lidar com o ambiente digital pode ampliar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes na internet. O alerta é da promotora de Justiça Tarcila Santos Teixeira, do Ministério Público do Paraná, que participou de evento da ACETEMS (Associação de Conselheiros Tutelares de Mato Grosso do Sul), nesta terça-feira (28), na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores na Educação de MS) em Campo Grande.
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A palestra integrou a programação de capacitação continuada do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente e reuniu cerca de 300 profissionais, entre conselheiros, psicólogos e assistentes sociais, de 51 municípios do Estado e também de Itiquira, no Mato Grosso. Um dos focos foi discutir o chamado “ECA Digital” - o Estatuto da Criança e do Adolescente que traz regras de proteção aos menores no ambiente digital.
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Mudanças - Segundo a promotora, embora o avanço da legislação tenha trazido mecanismos importantes de controle, como a vinculação de contas de menores de 16 anos aos perfis dos pais e a proibição de conteúdos nocivos, isso não é suficiente sem a participação ativa das famílias. “Muitas vezes não é uma omissão deliberada. É falta de informação. As famílias não têm repertório para lidar com isso”, afirmou.
Ela destacou que as plataformas digitais passaram a ter maior responsabilidade, sendo obrigadas a remover conteúdos ilegais, impedir interações com teor sexual envolvendo crianças e adolescentes, além de reportar e armazenar informações para investigações. Ainda assim, reforça que o enfrentamento exige uma atuação conjunta entre provedores, pais e sociedade.
Criança na rua - Para Tarcila Teixeira, um dos principais problemas é a falsa sensação de segurança dentro de casa. “Essa criança que fica no computador no quarto é a mesma coisa que uma criança no meio da rua à noite. Os perigos são talvez maiores, mas invisíveis”, disse.
A promotora defende que o debate sobre os riscos da internet precisa sair da invisibilidade e chegar ao cotidiano das famílias. “Precisamos falar disso no almoço de família, na escola, na imprensa. Existe um submundo do crime por trás dessa internet que parece tão bonita”, alertou.
Orientação - Além das famílias, a rede de proteção também precisa se adaptar. Durante a palestra, Tarcila orientou que profissionais passem a incluir o ambiente virtual nas investigações de rotina, questionando o acesso, o tempo de uso e os conteúdos consumidos por crianças e adolescentes. “Muitas vezes a criança está sendo vítima há anos e ninguém percebe, porque não se olha para isso”, explicou.
O evento também abordou o contexto do Maio Laranja, campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A promotora ressaltou a importância de fortalecer ações preventivas, com definição de fluxos, protocolos e capacitação contínua dos profissionais.
Prevenção - Apesar dos avanços legais, Tarcila reforça que o caminho mais eficaz ainda é a prevenção. “Nós não somos bombeiros para apagar incêndio. Somos uma rede de proteção. Precisamos cuidar de pessoas, não de vítimas”, concluiu.
Para a promotora, o principal desafio está na prevenção. “Não há legislação efetiva se não houver empoderamento das próprias crianças e adolescentes”, disse. A proposta, segundo ela, é desenvolver senso crítico, autocuidado e autodefesa entre os jovens, a partir do conhecimento sobre riscos como perfis falsos, aliciamento e ambientes ocultos da internet.
Sobre o evento - Segundo o presidente da Associação de Conselheiros Tutelares do Estado, Adriano Vargas, este foi o quarto evento promovido pela entidade, nos últimos dois anos, atingindo, no período, mil profissionais voltados ao Sistema de Garantia de Direitos.
Ele explicou que as formações reúnem profissionais de diferentes áreas, como Conselho Tutelar, saúde, assistência social e educação. “Aqui, por exemplo, estamos falando sobre o ECA digital e a rede de garantia de direitos. Também temos uma neuropsicóloga abordando a parentalidade positiva, que é a educação sem violência, além de uma odontopediatra falando sobre possíveis violações”, disse.
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