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Cidades

Filho de caminhoneiro diz que perdeu herói e lamenta adeus sem despedida

Antoninho Muler, 56 anos, morava em Dourados e morreu em Araguaína, no Tocantins

Por Aline dos Santos | 27/04/2020 12:15
Antoninho Muller estava em viagem a trabalho e procurou atendimento em cidade do Tocantins. (Foto: Reprodução\Facebook)
Antoninho Muller estava em viagem a trabalho e procurou atendimento em cidade do Tocantins. (Foto: Reprodução\Facebook)

“Perdi meu herói, meu amigo”. O lamento é de Anderson Ribeiro Muller. Ele viu o pai Antoninho Muller pela última vez em 7 de dezembro e na noite do último sábado (dia 25) foi informado de que o caminhoneiro de 56 anos morreu vítima do novo coronavírus em Tocantins.

Antoninho morava em Dourados e aparece no boletim da SES (Secretaria estadual de Saúde) como o nono óbito da covid-19 no Estado. Apesar do falecimento ter ocorrido em Araguaína (TO), o protocolo do Ministério da Saúde determina que o registro seja no Estado de origem do paciente.

Para Anderson Ribeiro Muller, resta um adeus sem despedida, seguindo as regras imposta pela doença. O corpo do caminhoneiro será cremado e a família não terá um momento para dar adeus.

Em entrevista ao site Araguaína Notícias, Anderson, que mora em Chapecó (Santa Catarina), conta que o pai e o irmão moravam em Dourados. Mas em 7 de dezembro o caminhoneiro foi até Chapecó para buscar um caminhão e seguir viagem para Belém (Pará).

Segundo ele, o pai começou a sentir os sintomas do coronavírus há dez dias, mas se recusava a ir ao médico. “A gente pedia para ele ir ao médico, mas era teimoso. Só foi depois que o patrão dele pediu”, contou Anderson.

Antoninho, que estava no Pará, foi a Tocantinópolis (TO) em busca de atendimento médico. O filho contou ter conversado com o caminhoneiro  pela última vez no sábado. “Mas ele respondeu por escrito, e sempre mandava áudio. Eu vi que ele estava se sentindo muito cansado. Aí a gente foi vendo que não estava certo, que não estava normal”, disse Anderson.

Segundo o filho, o caminhoneiro afirmou que não queria ser transferido para Araguaína, mas voltar para Dourados. “Ele disse que estava bem, que iria sair dessa e que não estava querendo ser transferido [para Araguaína]. Queria ir embora para Dourados, a cidade dele”, contou.  Ele faleceu ainda no sábado.