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Cidades

Junto a outros ministros, Mandetta admite tensão, mas nega saída

Coletiva sobre pandemia teve participação de outros ministros, indicando alteração na forma de tratar o tema

Por Maristela Brunetto | 30/03/2020 17:51
Outros ministros participaram da coletiva para divulgar as ações que estão em andamentento. (Foto: Reprodução/Ministério da Saúde)
Outros ministros participaram da coletiva para divulgar as ações que estão em andamentento. (Foto: Reprodução/Ministério da Saúde)

Não mais sozinho, junto somente a técnicos, em que falava longamente, explicando detalhes técnicos e apresentando ações, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta hoje concedeu entrevista coletiva sobre a Covid-19 no Palácio do Planalto cercado de outros ministros. A explicação dada é que o governo vai incluir outros ministros para divulgar as ações que estão em andamento fora do âmbito da saúde.

A mudança veio depois que o ministro reafirmou a posição técnica de que a pandemia deve ser enfrentada no País com o confinamento das pessoas, conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde, enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem reafirmado que quer um isolamento vertical, isolando somente idosos e pessoas com saúde vulnerável. Havia temor de que a divergência resultasse na saída do ministro do governo.

Nesta tarde, Mandetta estava entre os ministros da Casa Civil, da Cidadania, da Infraestrutura, chefe da AGU (Advocacia Geral da União) e o da Defesa. Ele foi o último a falar, depois que os demais apresentaram medidas que suas pastas vinham adotando relacionadas à doença.

Mandetta foi questionado sobre rumores acerca de sua demissão, antes que respondesse, o general Walter Souza Braga Neto, ministro da Casa Civil, interveio, negando. "Deixar claro para vocês, não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta, isso aí está fora de cogitação, no momento". Mandetta contemporizou sobre o assunto, dizendo que havia muita tensão, diante do “tamanho da crise”, apontando que todos, como ele e o presidente, esperavam “fazer o melhor pelo povo brasileiro”.

O ministro reconheceu que há situações em que “o stress fala mais alto”, citando que surgem divergências entre os ministros. Ele pontuou que não era momento de perder o foco, voltou a falar que se tratava de um momento de união, de situação mais dramática que as guerras mundiais, que “derrubou o sistema mundial”. “É muito grande isso”. Completou que todos são homens, maduros, inteligentes, que enfrentarão a situação e reafirmou que seu perfil seguirá técnico, científico.

Mandetta justificou o protagonismo da saúde  neste momento porque se tratava de uma doença nova, sem tratamento ou dinâmica conhecida. Segundo ele, prevalece o instinto de preservação. ‘É mais forte que o instinto econômico”.

Braga Netto disse que não havia uma redução do protagonismo de Mandetta, não seria um arranjo político, mas porque a dimensão dos efeitos da pandemia atingiam transversalmente o governo, demandando mais informações para apresentar às pessoas.

Os ministros ainda foram questionados sobre a postura adotada pelo presidente neste domingo, quando, contrariando as recomendações de evitar aglomerações, ele saiu em Brasília, visitou locais, cumprimentou e conversou com pessoas nas ruas. A entrevista coletiva foi encerrada pela organização sem que eles respondessem à pergunta. Após, Mandetta seguiu, aí sim com médicos do ministério, respondendo ao jornalistas sobre a logística para enfrentamento da pandemia causada pelo coronavírus.