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Cidades

MS perde 13 milhões da Segurança e freia ação que apreendeu toneladas de drogas

Titular da Sejusp classifica mudança no rateio de “indecente” e destaca que MS bate recorde de apreensão de drogas

Por Aline dos Santos | 12/08/2020 09:37
Droga apreendida pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) durante a operação Hórus. (Foto:  DOF) 
Droga apreendida pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteiras) durante a operação Hórus. (Foto:  DOF)

Mato Grosso do Sul vai retirar policiais da operação Hórus a partir de setembro e trava luta contra a perda, classificada de “indecente”, de R$ 13 milhões no rateio do Fundo Nacional de Segurança Pública.

De acordo com proposta da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), apresentada na última sexta-feira (dia 7), o Estado cai do segundo lugar do ranking nacional para a 14ª posição. A alteração reduz o repasse anual de R$ 39,5 milhões para R$ 26,4 milhões.

“Isso que foi proposto pela Senasp é desinteligente. O presidente Jair Bolsonaro vem a MS para inaugurar radar que vai oferecer mais segurança na fiscalização do espaço aéreo na fronteira e vem uma proposta indecente dessa. Num momento que o Estado quebra todos os recordes de apreensão de drogas”, afirma o titular da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira.

Na reunião da última sexta-feira, a Senasp apresentou a proposta com mudanças de critérios, onde o “peso” da área de fronteira caiu pela metade (de 10 para 5) e cálculo por número absoluto da população em substituição ao modelo vigente que era pelo percentual de a cada cem mil habitantes. Desta forma, estados com maior população como Minas Gerais e Bahia ganharam mais recursos.

A proposta reduz valores para Estados como MS, Mato Grosso, Roraima, Amazonas, Goiás, Sergipe, Tocantins, Amapá. Já a lista de quem ganha tem Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Acre, Santa Catarina, Espirito Santo e Tocantins.

De acordo com o secretário, enquanto a fronteira é sacrificada, mais recursos vão migrar para o litoral do Brasil. Amanhã, o titular da Sejusp viaja para Brasília, onde, junto com representantes de Estados que vão perder dinheiro para a segurança, corre contra o tempo para alterar a proposta. A votação do conselho para decidir o rateio dos recursos entre as unidades da Federação está marcada para o próximo dia 26.

Ao governo federal, Videira vai destacar que a atuação nos 1.550 quilômetros de fronteiras  com Paraguai e Bolívia apreende a droga que alimenta a cadeia do tráfico em grandes centros urbanos. Desde 2015, as forças estaduais apreenderam 2.057 toneladas de maconha e cocaína.

“Vou pedir reconsideração. Não vamos perder R$ 13 milhões por uma proposta de alguém que talvez nunca tenha estado na fronteira. Mato Grosso do Sul é o Estado que mais apreende drogas no Brasil. Foram 424 tonelada de drogas neste ano. Temos mais de cinco mil laudos periciais para serem feitos dessa droga”, afirma o secretário.

Videira viaja amanhã para Brasília em corrida contra o tempo: proposta vai ser votada no dia 26. (Foto: Paulo Francis)
Videira viaja amanhã para Brasília em corrida contra o tempo: proposta vai ser votada no dia 26. (Foto: Paulo Francis)

Efeito Hórus – Um dos efeitos da possibilidade de perder R$ 13 milhões para a segurança pública é a suspensão da cedência de policiais na operação Hórus, realizada pela Seopi (Secretaria de Operações Integradas), que é do Ministério da Justiça.

Segundo o secretário, a Seopi paga a diária dos policiais, que sacrificam a folga, sendo os demais gastos custeados pela administração estadual. “O consumo de combustível, a manutenção de viaturas. Entupimos nossas cadeias e presídios de presos. Tudo a gente a vem bancando sozinho para contribuir com a União”, diz Videira.

Ele exemplifica que em um único mês, uma viatura do Batalhão de Choque da PM (Polícia Militar) rodou dez mil quilômetros na operação e MS não recebeu um litro de óleo diesel.

“Eu quero participar da Hórus, mas com responsabilidade. Se jogar todo o policiamento para trabalhar para o governo federal na fronteira, como fica a mulher vítima de violência doméstica, a  família da vítima de feminicídio, quem teve a motocicleta subtraída na Capital ?”, questiona Videira, que destaca que a Campo Grande concentra 40% da população do Estado.

Conforme apurado pela reportagem, a possibilidade do fim da Hórus provoca temor entre os policiais militares, que classificam a operação como duro  golpe ao crime organizado.

Segurança, que investiu em compras de viaturas, pode ficar sem R$ 13 milhões. (Foto: Paulo Francis)
Segurança, que investiu em compras de viaturas, pode ficar sem R$ 13 milhões. (Foto: Paulo Francis)