Multinacional, PCC fechou aliança com facção carioca para se blindar em MS
Expansão da facção paulista teve impulso em Mato Grosso do Sul após morte de Rafaat

Facção criminosa que já ganhou status de “holding multinacional”, presente em ao menos 16 países, com estrutura global de lavagem de dinheiro e dona das rotas de exportação de cocaína via Porto de Santos (SP), o PCC (Primeiro Comando da Capital) tem como aliado em Mato Grosso do Sul organização menos “famosa”, originária do Rio de Janeiro, o TCP (Terceiro Comando Puro). A aliança tem objetivo de fazer frente a outro grupo carioca, o Comando Vermelho, rival histórico do PCC, de origem paulista.
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O PCC, facção criminosa presente em 16 países, tem como aliado em Mato Grosso do Sul o TCP (Terceiro Comando Puro), organização originária do Rio de Janeiro. A aliança visa enfrentar o Comando Vermelho, rival histórico do PCC. As três facções atuam em ao menos 17 estados brasileiros, e Mato Grosso do Sul é considerado um dos maiores importadores de facções do país, com ao menos 10 grupos interessados em operar na região, atraídos pela fronteira e rotas do tráfico.
As informações constam em levantamento feito pela Folha de S. Paulo com base em investigações das polícias civis, da PF (Polícia Federal) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Conforme a apuração da repórter Raquel Lopes, as três facções atuam fortemente em ao menos 17 dos 27 estados brasileiros e o processo de expansão, para fora do Sudeste e pelo mundo, teve start em outro episódio ocorrido em solo sul-mato-grossense: o assassinato de Jorge Rafaat no dia 15 de junho de 2016, a mando da facção nascida no estado de São Paulo.
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O “rei” da fronteira em Mato Grosso do Sul era tido como o intermediador entre as duas organizações. A partir deste capítulo na história do crime organizado brasileiro, o PCC passou a controlar a chamada “Rota Caipira”, que faz o escoamento da droga produzida no Paraguai e Bolívia até o Porto de Santos, passando também pelos estados do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo
Ainda conforme a apuração da Folha, a partir de 2017, o CV intensificou a expansão para o Norte e Nordeste brasileiros e se apoiou em alianças com grupos regionais, mantendo o foco no controle territorial armado e exploração de atividades locais. Já o PCC voltou-se para o atacado e firmou parcerias para garantir o fluxo das cargas de entorpecentes.
A aliança com o TCP, concorrente direto do CV, em Mato Grosso do Sul é, portanto, estratégica. “As duas principais facções, PCC e Comando Vermelho, operam com foco no negócio da droga em uma perspectiva transnacional. O Brasil é utilizado como um hub logístico para fazer a mercadoria circular e acessar mercados altamente lucrativos na Europa, Ásia e África”, avalia David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista à Folha.
Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), também analisa a situação, afirmando que a configuração das alianças é influenciada, obviamente, pelas rivalidades históricas. O TCP cresce como um aliado natural para grupos que se opõem à expansão do CV nos estados.
Ao mesmo tempo, a costura de parcerias, segundo o pesquisador, é responsável pela redução na formação de novas facções. “Os grupos perceberam que quanto menos guerra, menos custo. Essa mudança reflete uma busca por lucro e vantagens competitivas no mercado de drogas e do crime em geral, o que resultou em uma redução da violência e dos homicídios no Brasil”, afirmou à Folha.

Liderança – Um dos nomes mais conhecidos do TCP em Mato Grosso do Sul é Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado, acusado de chefiar grandes assaltos e atuar no tráfico de drogas e armas. Sete anos depois de ser preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, ele está de volta às ruas desde o Natal do ano passado.
Considerado preso de alta periculosidade, ele foi um dos 1.868 presos do sistema carcerário fluminense beneficiados com a saída temporária para visitar a família no Natal, a chamada “saidinha”. O detento deveria ter voltado à prisão no dia 30 de dezembro, mas desde então é considerado foragido.

Importador de facções – No ano passado, levantamento inédito feito pelo jornal O Globo classificou Mato Grosso do Sul como um dos maiores “importadores de facções” do País. O interesse das organizações criminosas no Estado está justamente na fronteira e rotas do tráfico.
Dados das secretarias de Segurança Pública, administrações penitenciárias e Ministérios Públicos de várias unidades da federação mostravam que ao menos 10 grupos tinham interesse em atuar em Mato Grosso do Sul.
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