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Cidades

Nascido com síndrome rara, Erick aprende a mamar após cirurgia

Procedimento cirúrgico só foi possível depois que anônimos doaram dinheiro para a compra de dispositivo

Por Anahi Zurutuza | 14/08/2020 17:05
Pequeno Erick já pegou a mamadeira; precisa de só mais um pouquinho de "técnica" para ganhar alta médica (Foto: Vídeo/Reprodução)
Pequeno Erick já pegou a mamadeira; precisa de só mais um pouquinho de "técnica" para ganhar alta médica (Foto: Vídeo/Reprodução)

O pequeno Erick, de quase 3 meses, não conhece a própria casa ainda. Ele nasceu com síndrome rara, que o impedia de se alimentar, e desde então, vive na Santa Casa de Campo Grande. Mas, a boa nova para os pais, Ciro e Marcela, veio nesta semana. O filho terá alta em poucos dias.

Com a ajuda de doadores anônimos, a equipe comandada pelos cirurgiões-dentistas Everton Pancini e Hugo Mituo permitiu que Erick, com tão pouco tempo no mundo, pudesse começar “vida normal”. Vinte e oito dias depois da cirurgia, o bebezinho ganhou peso – 1,8 kg – e está aprendendo a mamar.

O recém-nascido pesava somente 2 kg antes do procedimento e hoje, segundo a Santa Casa, está com 3,880 kg. Para pegar a mamadeira, precisou da ajuda de equipe multidisciplinar – pediatras, fonoaudióloga, fisioterapeuta.


Quem comemora é o pai, o trabalhador rural Ciro Gonçalves Pacheco, de 35 anos, que acompanha Erick na Santa Casa desde o nascimento. A mãe, Marcela, de 21 anos, foi hospitalizada logo após o parto e só conseguiu vir a Campo Grande ver o pequeno duas vezes. O casal mora em Maracaju e não vê a hora de ter o filho em casa.

“Ele veio para cá assim que nasceu e não saiu mais. Agora, os médicos disseram que talvez, na semana que vem, ele vá ter alta. É uma felicidade! Graças a deus ele está bem já”, conta o pai, com ansiedade.

Dispositivo instalado na mandíbula do bebezinho. (Foto: Santa Casa) 
Dispositivo instalado na mandíbula do bebezinho. (Foto: Santa Casa)

O procedimento - O recém-nascido sofria de uma anomalia congênita rara, que é caracterizada pela diminuição da mandíbula, retração da língua e obstrução das vias áreas, chamada de "Sequência de Robin". Quando nasceu, em Maracaju, ainda na maternidade precisou de intubação, sendo imediatamente transferido para a Capital.

Erick teve sérias complicações durante o transporte e depois de avaliação clínica enquanto estava na UTINeo (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal) da Santa Casa, foi constatado que a intervenção cirúrgica era o melhor tratamento.

Com 52 dias de nascido, o bebê foi submetido a um procedimento chamado de “distração osteogênica mandibular” pela equipe do serviço de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial.

O dispositivo implantado no paciente, que não tem cobertura pelo SUS (Sistema Único de Saúde), foi doado à família do bebê. Uma "vaquinha" on-line arrecadou R$ 12.241 e um pessoa que não quis se identificar também fez doação para a compra dos aparelhos.

Ao todo, foram cerca duas horas e meia de cirurgia, sem intercorrências. Com o procedimento, a mandíbula já foi aumentada em 13 milímetros, o que já garantiu ao paciente a desobstrução das vias aéreas e que deixasse de se alimentar por sonda.

Os cirurgiões Everton Pancini e Hugo Mituo comandaram equipe formad a pelos residentes em bucomaxilofacial Lucas Marques Meurer, Claudio Santana, Ariane Verlingue, Diogo Marques, Caio Lacerda e Valdir Amancio, contado com a ajuda dos médicos anestesiologistas Rodrigo Kanashiro, Ivonei Assad Villa Maior e residente da especialidade, Thiago Cortes, além da participação da cirurgiã pediátrica, Regina Maria Araújo Ajalla e da  residente da especialidade, Larissa Ritter.

Equipe que realizou o procedimento (Foto: Santa Casa)  
Equipe que realizou o procedimento (Foto: Santa Casa)