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Cidades

Palco começa a ser montado para 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul

Passeata terá início às 14h, na Praça do Rádio, e terminará com apresentações musicais na Avenida Calógeras

Por Mylena Fraiha e Geniffer Valeriano | 11/07/2026 10:59
Palco começa a ser montado para 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul
Palco começou a ser montado na Avenida Calógeras, com a Avenida Mato Grosso, em frente ao monumento Maria Fumaça (Foto: Osmar Veiga).

A estrutura para a 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul começou a ganhar forma na manhã deste sábado (12), na Avenida Calógeras, próximo ao monumento da Maria Fumaça, em Campo Grande. No local, onde a passeata será encerrada, operários iniciaram por volta das 9h a montagem do palco que receberá apresentações culturais e musicais ao longo da noite.

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A 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul ocorre neste sábado (12), em Campo Grande, com concentração às 14h na Praça do Rádio Clube e encerramento na Avenida Calógeras. A organização espera reunir até mil pessoas. O evento, viabilizado sem recursos públicos, contará com apresentações culturais até as 23h e um estande da Defensoria Pública para retificação de nome e gênero.

A reportagem do Campo Grande News esteve no local e acompanhou o início da instalação da estrutura. A expectativa da organização é reunir entre 800 e mil pessoas na primeira edição do evento, considerado um marco para o movimento trans e travesti no Estado.

A concentração está marcada para as 14h, na lateral da Praça do Rádio Clube, na Rua Barão do Rio Branco. Às 15h, os participantes seguirão em caminhada pelas ruas Padre João Crippa, Dom Aquino, 14 de Julho e Antônio Maria Coelho até a Avenida Calógeras, onde ocorrerá o encerramento da marcha.

Palco começa a ser montado para 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul
Trajeto da 1ª Marcha Trans de Mato Grosso do Sul (Imagem: Redes sociais).

Segundo o assessor técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+, Luan Henrique de Souza, a mobilização começou ainda em novembro do ano passado e passou por mudanças até chegar à data deste sábado. Para ele, a marcha representa um momento histórico para a população trans e travesti de Mato Grosso do Sul.

"É um momento histórico e único, a primeira Marcha Trans e Travesti aqui do Estado. Dentro de tudo isso que está acontecendo em nível mundial, do retrocesso dos nossos direitos, a marcha é importante para mostrar que os nossos corpos importam, que a nossa existência importa, que a gente existe e está aí vivendo, resistindo contra todo esse ataque às nossas pessoas", disse Luan.

Palco começa a ser montado para 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul
Luan Henrique explica que essa é a primeira marcha da população trans e travesti de Mato Grosso do Sul (Foto: Osmar Veiga).

Programação cultural - Após a caminhada, o palco montado na Avenida Calógeras receberá apresentações das artistas Nanda Sant'Anna, DJ Afro Paty, DJ Afro Queer, DJ Deumathh, DJ Depieri e DJ Hytalo. Também está prevista uma Vogue Night, manifestação ligada à cultura Ballroom. A programação artística deve começar assim que a caminhada chegar ao palco, por volta das 16h30 ou 17h, e segue até as 23h.

Segundo Luan, a proposta é apresentar ao público uma expressão cultural que nasceu da luta de pessoas trans e travestis negras. "A gente fez esse movimento junto com a cultura Ballroom para trazer também uma atração diferenciada. É uma cultura muito importante, principalmente porque vem dessa luta de travestis pretas. Então trazer essa Vogue Night para a marcha também é um momento histórico", afirmou.

Palco começa a ser montado para 1ª Marcha Trans e Travesti de Mato Grosso do Sul
Organizadoras começam a colar lambes no local do evento (Foto: Osmar Veiga).

O organizador reforça que a participação é aberta ao público. "É aberto para todos os públicos, parceiros, aliados, pessoas trans principalmente, mas todas as pessoas que quiserem vir aqui conhecer a nossa história, conhecer a nossa luta e entender que a gente não quer atacar, agredir ninguém. A gente só está aqui querendo existir e ter os nossos direitos básicos respeitados”, comenta Luan.

De acordo com a organização, a marcha foi viabilizada sem financiamento público. Luan afirmou que o evento é resultado da mobilização da própria comunidade, iniciada em novembro de 2025, com arrecadação por meio de vaquinhas e apoio de parceiros, como o Ponto Bar e o Pivas.

Segundo ele, houve articulação com lideranças políticas, entre elas a deputada federal Camila Jara (PT) e a vereadora Luiza Ribeiro (PT), mas não houve repasse de recursos públicos para a realização da marcha.

Retificação de nome - No ponto de chegada da caminhada também haverá um estande da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul com atendimento voltado à retificação de nome e gênero por meio do projeto Transformando Histórias.

Durante o evento será realizado o cadastramento dos interessados. Já no dia 18 de julho, os participantes deverão comparecer à sede da Defensoria Pública, na Rua Barão de Melgaço, nº 128, das 8h às 13h, para formalizar o pedido de retificação.

Segundo Luan, o formulário de inscrição já estava disponível, mas a procura foi abaixo do esperado. A expectativa é que a marcha amplie o número de pessoas cadastradas para o serviço.

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