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Cidades

PF identifica plano para "exportar" esquema do Detran-MS para o Paraguai

Documento foi encontrado pela PF na casa de investigado em outra fase da Operação Lama Asfáltica, que apura pagamento de propina

Por Silvia Frias | 26/11/2020 11:40
Dinheiro apreendido durante Operação Motor de Lama (Foto/Divulgação)
Dinheiro apreendido durante Operação Motor de Lama (Foto/Divulgação)

Documento apreendido na 7ª fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada esta semana, revela projeto para levar a “expertise” do sistema de gerenciamento de trânsito adotado no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS) para o Paraguai.

Os documentos foram encontrados na casa de Fábio Portela, alvo da 6ª fase da Lama Asfáltica, a Operação Computadores de Lama. Nesta etapa, a PF apurou esquema de desvio de recursos e pagamentos de propinas a partir de contratos firmados com empresas de informática.

O documento que cita o chamado “Projeto PY” consta no pedido de busca e apreensão, sequestro de bens e prisão preventiva encaminhado pela PF à 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, referente à Operação Motor de Lama.

No projeto, datado de 16 de setembro de 2015, consta que é  “voltado ao contato com autoridades paraguaias para fornecimento dos sistemas do DETRAN/MS para gerenciamento de trânsito no Paraguai”.

O relatório é assinado por Marcos Glienke, que descreve sua vinculação com projeto como “colaborador da ITEL Informática, assistente do Odair (sic) organização do projeto e avaliação comparativa dos sistemas de trânsito brasileiro e paraguaio”.

De acordo com inquérito, Odair Ribeiro Mendonça Junior foi funcionário da Itel Informática, de agosto de 2006 a janeiro de 2016, sendo funcionário de João Baird, também investigado pela PF.

A Itel foi fechada em fevereiro de 2016 e incorporada a Mil TEc Tecnologia da Informação. Baird também seria o verdadeiro dono da PSG Informática e que o proprietário inscrito, Antônio Cortez, era “mero laranja”.

As empresas fazem parte da investigação da 6ª fase da Operação Lama Asfáltica, que apurou envio para o Paraguai de recursos desviados dos contratos com governo do Estado e, depois, remetido aos envolvidos no esquema. Nesta fase, a PF apurou que a empresa paraguaia Rave S.A, seria uma extensão da PSG no exterior, usada para “lavar dinheiro”.

“Importa destacar que essa empresa paraguaia foi adquirida em outubro de 2015, após a deflagração da primeira fase da Operação Lama Asfáltica (julho/2015). (...) Portanto, é razoável imaginar que, com o temor de que seus negócios pudessem estar sob investigação, João Baird e Antônio Cortez resolvessem abrir um negócio no Paraguai como meio de “lavar dinheiro” oriundos de crimes praticados por meio das empresas Itel, Mil Tec e PSG”.

Motor de Lama - A operação cumpriu 19 mandados em Campo Grande e Dourados, além de bloquear mais de R$ 42 milhões em bens dos envolvidos. Nesta fase, o foco são irregularidades envolvendo contratos do Detran-MS em favor da empresa ICE Cartões para serviços de emissão de CNHs (Carteira Nacional de Habilitação) entre outros.

Nesta 7ª fase, foram averiguados repasse de propinas e, posteriormente, o escoamento deste dinheiro para o exterior mediante a prática de atos de evasão de divisas pela via de compensações financeiras.



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