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PF “tomou” R$ 1 bilhão de traficantes, 11 milhões de euros que estavam em van

Soma em bens sequestrados e dinheiro apreendido de traficantes de cocaína é "recorde histórico", segundo delegado Elvis Secco

Por Anahi Zurutuza e Bruna Marques | 23/11/2020 10:54
Equipes da PF em aeroporto ao amanhecer, antes do início do cumprimento dos mandados (Foto: PF/Divulgação)
Equipes da PF em aeroporto ao amanhecer, antes do início do cumprimento dos mandados (Foto: PF/Divulgação)

A Operação Enterprise saiu às ruas de 10 estados brasileiros, incluindo o Mato Grosso do Sul, para cumprir 149 mandados de busca e sequestrar R$ 400 milhões em bens de “uma das maiores” quadrilhas especializadas no tráfico internacional de cocaína do Brasil, mas na metade da manhã de hoje (23), já havia batido recorde histórico em patrimônio e dinheiro “tomados” de traficantes. Segundo Elvis Secco, coordenador nacional da CGPRE (Coordenadoria de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas da Polícia Federal), foi no total R$ 1 bilhão em apreensões.

A organização criminosa na mira está sediada no Brasil, mas com ramificações em vários países, e atua no envio de cocaína, pelo mar, principalmente partindo do Porto de Paranaguá, do Paraná, para a Europa e África.

Em um dos endereços vasculhados em Lisboa, Portugal, policiais federais encontraram 11 milhões de euros dentro de malas guardadas em uma van. “O que chamou atenção era o dinheiro no porta-malas de uma van estacionada num dos imóveis dos alvos. Há a possibilidade que achemos mais bunkers. Mas é tanto dinheiro, tanto dinheiro, que isso demonstra a impunidade que essas organizações criminosas acreditam ter e que a Polícia Federal está mostrando que não têm”.

Dentre os bens sequestrados, além de veículos de luxo e imóveis identificados como sendo da quadrilha, há 37 aeronaves, uma delas avaliada em R$ 20 milhões.

Policial chegou à PF em Campo Grande com dinheiro apreendido (em saco plástico) (Foto: Marcos Maluf)
Policial chegou à PF em Campo Grande com dinheiro apreendido (em saco plástico) (Foto: Marcos Maluf)

Dia histórico – O delegado Elvis Secco destacou em coletiva para a imprensa em Curitiba (PR) se tratar de um dia histórico para a Polícia Federal, que fechará o ano batendo recorde e atacando o núcleo financeiro de organização voltada para o tráfico. “Hoje um dia para se comemorar, essa cooperação histórica entre a PF e a Receita Federal, que culminou na maior operação da história no combate à lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas”.

O coordenador do CGPRE também afirma que a ação, resultado de três anos de investigação – o grupo criminoso virou alvo após apreensão de carga de cocaína no Porto de Paranaguá, em setembro de 2017 –, consolida nova fase no combate ao crime organizado.

“O tráfico de drogas não está na periferia, traficantes estão na elite. O combate não pode ser com meras apreensões de caminhoneiros carregando droga. Temos de trabalhar na descapitalização, contra a lavagem de dinheiro, na prisão de lideranças e com cooperação internacional. Não se gera prejuízo para as organizações com apreensões de drogas. Hoje, podemos dizer que arrebentamos com a estrutura deles”, ressaltou.

O delegado lembrou que a PF formou rede de investigação com cooperação internacional. “Estamos trocando informações de alto nível com a Europa, Ásia, África. Não queremos mais saber quem foi preso com a droga, queremos mais, queremos o dono da droga. Estamos mostrando para a sociedade uma PF forte”.

Comboio de veículos descaracterizados chegando à sede da PF em Campo Grande; não há informaçõ sobre serem oriundos de apreensões (Foto: Marcos Maluf)
Comboio de veículos descaracterizados chegando à sede da PF em Campo Grande; não há informaçõ sobre serem oriundos de apreensões (Foto: Marcos Maluf)

Lavagem de dinheiro – Segundo a PF, a estratégia utilizada pelos criminosos consistia na lavagem de bens e ativos multimilionários no Brasil e no exterior, com uso de vários “laranjas” e empresas fictícias, a fim de dar aparência lícita ao lucro do tráfico.

O superintendente regional da Polícia Federal do Paraná, delegado Omar Gabriel Mussi, explicou que as empresas usadas no esquema são das mais variadas áreas. Nesta manhã, policiais federais estiveram em açougue, mas postos de combustíveis e pousadas também eram usadas como “fachada”.

Os traficantes “trabalhavam” ainda com “compra a venda de imóveis, de veículos” e “investiam” dinheiro em empresas em recuperação judicial. “O que importa para eles é lavar o dinheiro, não importa se vai dar lucro”, frisou.

Transmitida ao vivo, coletiva de representantes da PF e Receita Federal em Curitiba, no Paraná (Foto: Reprodução)
Transmitida ao vivo, coletiva de representantes da PF e Receita Federal em Curitiba, no Paraná (Foto: Reprodução)

Por aqui – Na coletiva, não foram detalhados quantos mandados, quem são os alvos e quantos bens foram apreendidos em Mato Grosso do Sul. Na Superintendência da PF em Campo Grande, pelo menos 7 equipes já voltaram dos trabalhos com malotes de material apreendido, um saco de dinheiro. Policiais também chegaram dirigindo vários veículos descaracterizados, mas não revelaram se algum deles se trata de automóvel sequestrados.

A Operação Enterprise saiu ainda para cumprir 66 mandados de prisão, sendo 8 deles com ajuda da Interpol, fora do País. Não há notícias ainda sobre presos no Estado (veja mais detalhes sobre o esquema em matéria sobre a estrutura da organização).

Enterprise - De acordo com a Polícia Federal, "o nome da operação faz alusão à dimensão da organização criminosa investigada, que atua como um grande empreendimento internacional na lavagem de dinheiro e exportação de cocaína, o que trouxe alto grau de complexidade à investigação policial".

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