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Cidades

Pivô de renúncia de prefeito de MS, jornalista é contratado pela Record

Eleandro Passaia era secretário de Governo em Dourados e denunciou esquema de corrupção desvendado pela PF

Por Adriel Mattos | 14/09/2021 16:08
Passaia foi assessor e secretário de Ari Artuzi até denunciá-lo à PF. (Foto: Reprodução/Facebook)
Passaia foi assessor e secretário de Ari Artuzi até denunciá-lo à PF. (Foto: Reprodução/Facebook)

A RecordTV contratou o jornalista Eleandro Passaia para apresentar o programa “Balanço Geral Manhã”. Ele pediu demissão da Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná, nesta terça-feira (14).

Passaia partiu para o estado vizinho após denunciar um esquema de corrupção na prefeitura de Dourados, na década passada. O caso resultou na Operação Uragano, da PF (Polícia Federal), que levou à prisão e, posteriormente, à renúncia do então prefeito Ari Artuzi.

O jornalista confirmou a saída pelas redes sociais. “Tchau, Curitiba! O ciclo se fechou. Quando as luzes deste estúdio brilharem de novo, não estarei mais por aqui. Me despeço do Grupo Massa depois de oito anos, seis meses e sete dias intensos e felizes. Obrigado, Ratinho e todos os meus amigos de trabalho, por me ensinarem tanto. Parto para um novo desafio, distante daqui”, escreveu no Instagram. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, é proprietário da Rede Massa.

A Record não confirmou oficialmente a contratação. Segundo o site Notícias da TV, Passaia deve estrear em outubro.

Artuzi foi interceptado pela PF e por Passaia, durante investigação que o levou à prisão.
Artuzi foi interceptado pela PF e por Passaia, durante investigação que o levou à prisão.

Operação Uragano - Passaia entrou na administração de Ari Artuzi, em 2009, como assessor de comunicação. Ele chegou a deixar a prefeitura naquele mesmo ano, após a Operação Owari, que implicou políticos e empresários em esquema de corrupção que ainda se estendia para Ponta Porã.

A convite de Artuzi, o jornalista deixou a função de repórter da TV MS, afiliada da Record, para voltar ao posto de assessor. Meses mais tarde, já em 2010, Passaia foi nomeado secretário municipal de Governo.

Ao descobrir um suposto esquema de corrupção e fraude em licitações, ele passou a gravar autoridades com apoio da PF. Na madrugada de 31 de agosto para 1º de setembro de 2010, a corporação deflagrou a Operação Uragano, que prendeu Artuzi, o vice-prefeito Carlinhos Cantor, o presidente da Câmara Sidlei Alves, entre outros investigados.

Passaia prosseguiu no cargo mesmo com a posse do juiz Eduardo Machado Rocha como interventor, mas pediu demissão semanas mais tarde. Ele chegou a ser incluído no Provita (Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas), após as denúncias.

A operação ainda provocou a renúncia de Artuzi e Cantor e a posse da sucessora de Sidlei Alves na presidência da Câmara, Délia Razuk, como prefeita interina. O atual vice-governador de Mato Grosso do Sul, Murilo Zauith, na época pelo PSB, foi eleito prefeito em um pleito suplementar.

Artuzi morreu em 2013, vítima de um câncer no intestino. Mais de dez anos depois da Uragano, nenhum dos envolvidos está preso e poucas condenações foram determinadas pela Justiça.

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