Servidores em teletrabalho alegam sobrecarga e querem mais "penduricalhos" no TJ
Num sistema privilegiado, alegam cumprir meta maior e querem auxílio-tecnologia

Após o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) decidir aumentar o valor do auxílio-transporte dos servidores de R$ 500 para R$ 1.000 mensais, os que estão em teletrabalho no órgão e não têm direito ao benefício passaram a defender demandas próprias, como o auxílio-tecnologia e a gratificação por produtividade superior à meta cobrada de quem está em regime presencial.
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Servidores em teletrabalho do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul reivindicam auxílio-tecnologia e gratificação por produtividade. Eles alegam sobrecarga de trabalho por terem meta 30% superior aos funcionários presenciais, além de arcar com despesas extras de equipamentos, internet e energia elétrica. Aproximadamente 100 servidores relatam insatisfação e casos de adoecimento mental devido à pressão. O Sindijus (Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário) agendou reunião com a administração do TJ para discutir a implementação do auxílio-tecnologia, após o corte do auxílio-transporte para trabalhadores remotos.
Eles alegam que existe uma distorção interna no Poder Judiciário Estadual, sistema que acumula "penduricalhos" e já é privilegiado em relação a outras categorias do serviço público e da iniciativa privada.
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Fora não contarem com ajuda de custo para as despesas extras com equipamentos, internet e energia elétrica que esse modelo de trabalho gera e nem receberem incremento no salário pela produção, relatam sofrer penalização desde que foram obrigados a cumprir meta 30% maior em relação à imposta aos servidores que trabalham presencialmente na CPE (Central de Processamento Eletrônico), setor com sede em Campo Grande ao qual estão vinculados. Ela foi apelidada de "Cartório do Futuro" ao ser criada, há mais de 10 anos.
O argumento é que a rotina de trabalho praticamente se iguala a dos servidores que estão fisicamente na central, já que ali também não é necessário interromper uma tarefa para oferecer atendimento ao telefone ou no balcão aos advogados e à população, como é o caso de outros setores do TJMS. O foco de todos é nas movimentações de processos eletrônicos.
Gostam, mas pedem valorização - Em documento e relatos enviados ao Sindijus (Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul) nesta semana, os que moram no interior afirmam enfrentar instabilidade devido à meta de 30%. Não alcançá-la pode resultar na transferência para o trabalho presencial no fórum de sua cidade ou na CPE, na Capital, o que a maioria não quer.
Uma pessoa que conversou com a reportagem, mas preferiu não se identificar por medo de represálias, afirma que prefere o teletrabalho e reconhece os benefícios. "O servidor que optou gosta, só está se sentindo injustiçado em ter que arcar com gastos que seriam do TJMS, para poder prestar o serviço devido", completa.
Outra reivindicação é a falta de integração e de formações profissionais. Um servidor que também pediu anonimato afirma nunca ter sido convocado para uma reunião na CPE de Campo Grande nem ter feito um curso presencial custeado pelo Tribunal para se aprimorar. "Nem conheço o local de trabalho", disse.
Cerca de 100 servidores se dizem insatisfeitos, sobrecarregados e pedem mais valorização. Alguns entre eles relatam adoecimento mental e físico pela pressão. Eles afirmam que têm ajudado o Tribunal a dar conta de uma alta demanda de processos e defendem que a gratificação pela meta, já prevista em norma do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), seja regulamentada.
Em entrevista concedida em 18 de dezembro de 2025 ao Campo Grande News, o presidente do TJMS, Dorival Pavan, afirmou que havia mais de meio de milhão de processos "atrasados" no Estado naquela data. Boa parte já ultrapassava o prazo de 120 dias para sentença, o recomendado para reduzir a lentidão no Judiciário que é problema generalizado no País.
Corte de auxílio-transporte - O modelo foi criado no Tribunal durante a pandemia de covid-19. Inclusive, hoje (11), completam-se seis anos desde que ela foi declarada ao mundo.
Naquele período, uma reestruturação interna designou servidores do interior à CPE sem escolha. Quando as restrições relacionadas ao vírus deixaram de ser impostas, servidores do interior que não quisessem optar pelo teletrabalho no setor teriam que trabalhar na central, em Campo Grande, o que obrigaria grande parte deles a mudar-se de cidade.
Depois, o teletrabalho virou trabalho remoto, um regime que permitia o pagamento de auxílio-transporte porque previa deslocamento dos servidores para trabalhar dentro dos fóruns em alguns dias da semana. Desde o ano passado, o esquema mudou novamente para teletrabalho e levou ao corte do benefício.
Reunião - Em nota publicada no site, o Sindijus afirma que irá cobrar da administração do Tribunal a criação do auxílio-tecnologia para os servidores. Uma reunião está marcada para discutir isso nesta quarta-feira.
A criação do benefício é pedida desde que o auxílio-transporte foi cortado. "Dada a sua natureza, esse benefício não é previsto para os servidores em teletrabalho, motivo pelo qual o Sindijus apresentou, no ano passado, o pedido de um auxílio tecnológico, argumentando que, ao ingressar no regime de teletrabalho, o servidor assume despesas que até então eram suportadas pelo empregador, a exemplo da aquisição e manutenção de computador, instalação de programas de informática, aquisição e manutenção de móveis ergonômicos, aquisição de materiais de escritório, além de suportar despesas mensais com água, energia elétrica e internet. Além da cobrança de maior produtividade em relação ao trabalho presencial", diz um trecho da nota.
O Campo Grande News procurou o sindicato para comentar as demandas, mas não teve retorno. A assessoria de imprensa do TJMS também foi procurada e afirmou que está verificando a situação junto à administração. Não houve resposta até a publicação desta matéria.
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