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Cidades

Suspeito de matar acadêmico de Medicina no PR usou perfis fakes em aplicativos

Polícia apura tese de que criminoso em série esteja agindo contra homossexuais em Curitiba

Por Anahi Zurutuza | 10/05/2021 16:01
Marcos Vinício Bozzana da Fonseca tinha 25 anos e cursava o último ano de Medicina (Foto: Arquivo pessoal)
Marcos Vinício Bozzana da Fonseca tinha 25 anos e cursava o último ano de Medicina (Foto: Arquivo pessoal)

A Polícia Civil já tem um suspeito de ter cometido o assassinato do estudante campo-grandense, Marcos Vinício Bozzana da Fonseca, de 25 anos, em Curitiba (PR). A equipe da DHPP (Delegacia de Homicídios) agora tenta identificá-lo e trabalha para traçar as rotas feitas pelo suposto assassino e assim, chegar até ele.

O homem usou perfis fakes para pedir corridas por aplicativos, mas a investigação conseguiu imagens dele por meio das câmeras de segurança que monitoravam o condomínio onde Marcos morava e a região. “Temos a foto de um suspeito, mas informações muito incipientes ainda”, disse o delegado Thiago Nóbrega, sem dar muitos detalhes, para não atrapalhar as apurações. As imagens também não são divulgadas por enquanto.

O responsável pelo caso afirma que o trabalho de campo está avançado, mas que a equipe ainda aguarda a chegada de laudos periciais para tirar mais conclusões.

O delegado confirma que em paralelo ao inquérito da morte do acadêmico de Medicina sul-mato-grossense, a polícia investiga o assassinato do enfermeiro David Levisio, de 30 anos, em busca de conexões.

Delegado Thiago Nóbrega, da DHPP, que investiga os dois assassinatos em entrevista para emissora de Curitiba (Foto: Reprodução)
Delegado Thiago Nóbrega, da DHPP, que investiga os dois assassinatos em entrevista para emissora de Curitiba (Foto: Reprodução)

Teses investigatórias - Há duas principais linhas de investigação: de que foram de crimes de ódio, uma vez que as duas vítimas eram homossexuais, ou latrocínios. “Há essa possibilidade sim [do assassino ser o mesmo], até pelas imagens que estamos coletando, mas ainda estamos trançando o perfil. É difícil a gente falar em serial killer nesse momento, se as duas mortes têm conexão, se é a mesma pessoa que está matando por questões homofóbicas”.

As semelhanças entre os casos foram listadas por jornais online e programas jornalísticos em emissoras de televisão de Curitiba. Os dois jovens eram da área da saúde e moravam sozinhos, em endereços relativamente próximos – Marcos Vinício no Bairro Portão e David, na Vila Lindóia.

Ambos eram usuários de um mesmo aplicativo de relacionamentos, confirmou o delegado, e haviam marcado encontros. Nenhum dos apartamentos foi arrombado e as vítimas foram encontradas mortas após “sumirem”, depois que familiares e amigos estranharam a falta de comunicação pelo celular. O corpo do campo-grandense foi achado na tarde da quarta-feira passada, 5 de maio, oito dias depois do homicídio do enfermeiro ser descoberto.

As duas vítimas possivelmente foram asfixiadas. Marcos foi encontrado com o cobertor sobre a cabeça, embora não houve sinais de luta no apartamento. Já o assassinato de David parece ter sido mais violento. Ele foi encontrado com as mãos amarradas e marcas de tortura, mas também pode ter sido sufocado até a morte. Somente os laudos necroscópicos vão confirmar as causas dos óbitos.

Mais um ponto em comum é que objetos de valor foram levados das duas vítimas – notebooks e celular. É aí que entra a hipótese de latrocínio. “O intuito do assassino pode ser roubar”, afirmou Thiago Nóbrega.

O delegado afirma que já ouviu várias testemunhas nas duas investigações. Na DHPP, pai, mãe e tia de Marcos deram informações relevantes para a investigação.

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