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Cidades

Tentativas de feminicídio crescem 90% em Mato Grosso do Sul

Casos recentes em Campo Grande envolvem facadas contra companheira e subtenente que atirou na esposa

Por Bruna Marques | 15/04/2026 07:01

O número de tentativas de feminicídio em Mato Grosso do Sul disparou em 2026. De janeiro até esta terça-feira (14), já foram registrados 38 casos em todo o Estado, conforme dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). No mesmo período de 2025, entre janeiro e abril, foram 20 ocorrências, o que representa um aumento de 90%.

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Mato Grosso do Sul registrou 38 tentativas de feminicídio entre janeiro e abril de 2026, alta de 90% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 20 casos, segundo a Sejusp. Os casos mais recentes ocorreram em Campo Grande, envolvendo um jovem que atacou a companheira a facadas e um subtenente aposentado da PM que atirou contra a esposa, sendo reanimado após tentar suicídio e permanecendo em coma induzido.

Os números ganham ainda mais peso quando analisados mês a mês. Em janeiro deste ano foram 8 casos, fevereiro registrou 10, março chegou a 13 e abril, mesmo ainda incompleto, já soma 7 ocorrências. Em todo o ano de 2025, foram contabilizados 88 casos.

O caso mais recente ocorreu na noite de segunda-feira (13), em Campo Grande. Jovem de 26 anos foi preso após tentar matar a própria companheira, de 25, a facadas na Rua Calarge, na Vila Carvalho.

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima havia saído do trabalho por volta das 22h10 quando foi surpreendida. Inicialmente, pensou se tratar de um assalto e chegou a lançar o celular ao agressor. Ele ignorou o objeto e iniciou o ataque com golpes de faca, além de socos, chutes e arranhões.

A jovem caiu no chão e continuou sendo agredida. Mesmo ferida, conseguiu gritar por socorro, o que mobilizou moradores e fez o autor fugir.

Tentativas de feminicídio crescem 90% em Mato Grosso do Sul
Mulher ferida encontrada em Ponta Porã (Direto das Ruas)

Durante buscas, policiais encontraram o suspeito encapuzado, com faca nas mãos. Ao ver a viatura, ele arremessou a arma, com vestígios de sangue, e tentou se esconder. Já detido, inicialmente mentiu dizendo ter cometido um roubo, mas depois confessou que a vítima era sua esposa.

Ele afirmou que atacou a mulher por não aceitar o fim do relacionamento e por suspeitar de traição. A vítima confirmou histórico de agressões físicas e psicológicas, mas nunca havia denunciado por medo.

Ela sofreu cortes nos braços e mãos, inchaço no rosto e diversas escoriações, sendo socorrida e submetida a sutura. O agressor foi encaminhado à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Horas antes, também em Campo Grande, outro caso grave foi registrado no Jardim Colúmbia. O subtenente aposentado da Polícia Militar, Charles Cano da Mota, de 56 anos, atirou contra a esposa dentro da casa do casal.

Tentativas de feminicídio crescem 90% em Mato Grosso do Sul
Taxista suspeito de atacar companheira em Ribas do Rio Pardo (Foto: Divulgação)

A mulher, de 47 anos, foi atingida por dois disparos, no quadril e na coxa, mas conseguiu escapar ao pular o muro da residência e pedir ajuda. Ela foi socorrida consciente.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas. O autor tentou tirar a própria vida, entrou em parada cardiorrespiratória, foi reanimado e encaminhado em estado gravíssimo à Santa Casa, onde permanece em coma induzido e sob escolta policial.

No dia 7 de abril, um homem de 32 anos tentou matar a companheira, de 47, na Vila Danúbio Azul, também na Capital.

Horas antes do crime, ele enviou mensagens com ameaças de morte. Por volta das 16h, abordou a vítima no quintal, puxou seu cabelo e bateu sua cabeça contra o muro.

A mulher conseguiu correr para a frente da casa, mas foi perseguida. O agressor sacou uma faca tipo açougueiro e tentou golpeá-la na região da barriga.

Policiais militares que passavam pelo local intervieram, ordenaram que ele largasse a arma e realizaram a prisão em flagrante. Vídeos mostram o homem correndo atrás da vítima e, depois, imobilizado no chão, gritando “algema eu”.

A vítima relatou que o relacionamento durava cerca de oito meses e que já havia sofrido agressões anteriores, mas não denunciou por medo.

Casos no interior de MS - Em 14 de março, no Bairro Estação Ferroviária, em Ponta Porã, uma mulher foi agredida a pauladas e ficou desacordada após a violência.

A vítima foi encontrada pela polícia ferida e desorientada, sendo encaminhada para atendimento médico. O agressor foi preso em flagrante por equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil.

Testemunhas relataram que os dois discutiam quando o homem passou a atacar a mulher com um objeto contundente.

O primeiro caso do ano ocorreu em 4 de janeiro, em Ribas do Rio Pardo. Uma mulher de 43 anos foi esfaqueada dentro de casa, no centro da cidade.

Ela sofreu ferimentos graves no pescoço, rosto e mãos, indicando tentativa de defesa. O autor, um taxista com quem mantinha relacionamento, fugiu em um Fiat Cronos pela BR-262, acompanhado da filha.

A prisão ocorreu após ação da PRF (Polícia Rodoviária Federal), com apoio da Polícia Civil, no trecho entre Ribas do Rio Pardo e Água Clara.

A vítima foi socorrida pelo Samu, estabilizada no hospital local, entubada e transferida em vaga zero para a Santa Casa de Campo Grande. O estado de saúde na época era considerado grave.

Durante a perícia, foi apreendida a faca usada no crime, com lâmina de cerca de 25 centímetros. O suspeito alegou que ambos haviam ingerido álcool e discutido antes do ataque.


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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.