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Meio Ambiente

Pesquisa no Pantanal avança para desvendar a reprodução do tatu-canastra

Captura abre caminho para confirmar paternidade e revelar um dos maiores mistérios da espécie

Por Inara Silva | 14/07/2026 16:42


RESUMO

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Após 16 anos de pesquisas no Pantanal, cientistas do ICAS capturaram um novo macho adulto de tatu-canastra, com 1,54 metro e 34 quilos, que pode ser o pai do próximo filhote da fêmea Amy. A análise genética poderá confirmar a paternidade e avançar no conhecimento sobre a reprodução da espécie, considerada Vulnerável. O projeto já monitora 45 animais no Pantanal e mais cinco no Cerrado.


Como ocorre a reprodução do tatu-canastra na natureza? Após 16 anos de pesquisas no Pantanal, cientistas acreditam estar mais próximos de responder uma das principais perguntas sobre a biologia da espécie (Priodontes maximus). A captura de um novo macho adulto, que pode ser o pai do próximo filhote de uma fêmea já monitorada pelo projeto, cria uma oportunidade inédita para confirmar a paternidade por meio de análises genéticas e desvendar aspectos ainda pouco conhecidos do comportamento reprodutivo da maior espécie de tatu do mundo.

O novo indivíduo foi capturado durante a campanha de campo realizada entre os dias 16 e 28 de junho de 2026, na Fazenda Baía das Pedras, na região da Nhecolândia, no Pantanal sul-mato-grossense. Com esse registro, o ICAS (Programa de Conservação do Tatu-canastra, desenvolvido pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres) alcançou a marca histórica de 45 indivíduos monitorados no Pantanal e ultrapassou 50 animais acompanhados ao longo dos 16 anos de pesquisa.

Além dos 45 tatus monitorados no Pantanal, outros cinco são acompanhados em áreas de Cerrado localizadas no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, e em uma paisagem formada por fragmentos de vegetação nativa e plantações de eucalipto na região de Ribas do Rio Pardo.

Pesquisa no Pantanal avança para desvendar a reprodução do tatu-canastra
Pesquisadoras examinam tatu-canastra capturado (Foto: Divulgação/ICAS)

O animal recém-capturado é um macho adulto de grandes proporções, com 1,54 metro de comprimento, da ponta do focinho à ponta da cauda, e 34 quilos. Ele passa a fazer parte da base de dados do projeto e também pode contribuir para preencher uma das maiores lacunas sobre a espécie, classificada como Vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. O ICAS explica que isso ocorre porque encontros entre machos e fêmeas são raramente observados na natureza, tornando cada registro uma oportunidade científica de grande relevância.

Foi justamente um desses encontros que chamou a atenção da equipe semanas antes da captura. Em 7 de maio deste ano, os pesquisadores registraram a aproximação entre a fêmea Amy, já monitorada pelo projeto, e o macho agora capturado. O comportamento foi associado ao período reprodutivo da espécie.

Segundo o biólogo e coordenador das ações do Programa de Conservação do Tatu-canastra no Pantanal, Gabriel Massocato, a identificação do macho representa um avanço importante para a pesquisa. “Se ela tiver um filhote nos próximos meses, poderemos utilizar as análises genéticas realizadas a partir do material coletado para confirmar a paternidade. Isso permitirá responder perguntas fundamentais sobre a reprodução do tatu-canastra, um dos aspectos que ainda conhecemos muito pouco na biologia da espécie", afirma.

Monitoramento - Após a captura, o animal recebeu um transmissor de GPS, que permitirá acompanhar seus deslocamentos com alta precisão nos próximos meses. O monitoramento deve revelar quais áreas ele utiliza, como organiza seu território e, principalmente, como busca parceiras durante o período reprodutivo.

Outra fêmea monitorada pelo projeto, chamada Stacy, também está sendo acompanhada pelos pesquisadores. Durante uma recaptura recente, a equipe observou alterações fisiológicas compatíveis com a aproximação do ciclo reprodutivo. Caso o macho passe a frequentar a região onde Stacy vive, uma nova oportunidade de observar interações reprodutivas poderá surgir.

Pesquisa no Pantanal avança para desvendar a reprodução do tatu-canastra
Tatu-canastra com 1,54 metro de comprimento e 34 quilos (Foto: ICAS/Divulgação)

Marco da Pesquisa - A captura do novo macho também representa um marco para o Programa de Conservação do Tatu-canastra, iniciado há 16 anos em uma fazenda da Nhecolândia. O trabalho transformou o Pantanal em uma referência internacional para os estudos da espécie. Uma das principais descobertas do período foi o papel desempenhado pelo tatu-canastra na manutenção da biodiversidade. As tocas escavadas pelo animal, que podem ultrapassar cinco metros de profundidade, servem de abrigo para mais de 100 espécies.

Por esse motivo, a espécie passou a ser reconhecida como um verdadeiro "engenheiro do ecossistema", desempenhando papel essencial para a conservação da biodiversidade no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica.

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