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Capital

Morador abre valeta para conter alagamentos em ocupação no Noroeste

A medida foi tomada para escoar a água da chuva acumulada para a Avenida Ministro João Arinos

Por Judson Marinho e Clara Farias | 03/02/2026 16:24


RESUMO

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Moradores de uma ocupação no bairro Noroeste, em Campo Grande, enfrentam graves problemas com alagamentos durante o período de chuvas. Para tentar amenizar a situação, abriram uma valeta que escoa a água da chuva até a Avenida Ministro João Arinos. A medida foi tomada após enchentes no ano passado, que invadiram barracos e causaram prejuízos materiais. Carlito Moreira de Souza, responsável pela iniciativa, destacou a necessidade de galerias pluviais como solução definitiva. Mesmo com a valeta, os alagamentos continuam a causar transtornos. Nesta terça-feira (3), moradores relataram perdas de eletrodomésticos e a necessidade de retirar água das casas com recipientes improvisados. Laudicéia Fonseca e Rúbia Karla Moraes contaram que precisaram levar seus filhos para locais mais seguros durante as chuvas. A situação permanece crítica, com a água transbordando tanto para a avenida quanto para as moradias, mantendo o risco de novos alagamentos.

Moradores de uma ocupação localizada entre as ruas Brás Pina e Terra Vermelha, no bairro Noroeste, em Campo Grande, recorreram a uma solução improvisada para tentar evitar alagamentos durante o período de chuvas.

A abertura de uma valeta tem sido usada para escoar a água da chuva até a Avenida Ministro João Arinos (BR-262), na saída da Capital para Ribas do Rio Pardo.

A medida foi tomada após os transtornos registrados no ano passado, quando a enxurrada que desce pela Rua Brás Pina invadiu os barracos onde vivem sete famílias, deixando móveis encharcados e causando prejuízos. Segundo os moradores, a força da água transforma as vias da região em verdadeiros rios durante temporais.

Responsável pela abertura da valeta, o morador Carlito Moreira de Souza, de 65 anos, que vive na área há seis anos, afirmou que a iniciativa foi uma forma de proteger a própria casa.

“Aqui, na época de chuva, é difícil. Tenho criança pequena. No ano passado, a água chegou na altura do quadril e invadiu todos os barracos. Se não abrir a valeta, a água arromba tudo”, relatou. Ele disse ainda que faz a manutenção do local para evitar o acúmulo de entulho e o entupimento do escoamento.

Carlito defende que a solução definitiva seria a implantação de galerias pluviais. “O certo era a prefeitura colocar manilhas para a água passar por dentro. Eles fazem o asfalto em cima da terra e, quando chove, tudo corre para o asfalto. Aqui vira um rio, é perigoso”, afirmou.

Morador abre valeta para conter alagamentos em ocupação no Noroeste
Carlito e família explicando sobre contrução de valeta para conter os alagamentos (Foto: Paulo Francis)

Na Avenida Ministro João Arinos, destino final da água escoada pela valeta, é possível observar que a alteração no fluxo da água acabou formando poças em trechos próximos à Rua Brás Pina.

Mesmo com a tentativa de conter a enxurrada, os alagamentos voltaram a causar prejuízos nesta terça-feira (3). Moradores relataram perdas de eletrodomésticos, como geladeira e fogão, e a necessidade de retirar água das casas com recipientes improvisados.

A dona de casa Laudicéia Fonseca, de 40 anos, que mora com 2 filhos, contou que a água começou a invadir sua casa durante a madrugada.

“Quando chove, é um desespero. Entrou água em tudo. Perdi a geladeira e o fogão. Tive que quebrar a madeira para tentar salvar algumas coisas”, disse. Por segurança, ela precisou levar os filhos às pressas para a casa de uma tia.

Morador abre valeta para conter alagamentos em ocupação no Noroeste
Entrada da casa da Laudicéia com poças de água da chuva desta terça-feira (Foto: Paulo Francis)

Situação semelhante foi relatada por Rúbia Karla Moraes, de 23 anos, também dona de casa e mãe de cinco crianças.

“Toda vez acontece isso. Agora só fiquei com meu bebê de seis meses, mandei os outros para a casa da minha mãe”, afirmou. Ela lembra que, no ano passado, perdeu praticamente todos os móveis após uma chuva forte.

Morador abre valeta para conter alagamentos em ocupação no Noroeste
Casa da Rúbia Karla com móveis encharcados pela água da chuva (Foto: Paulo Francis)

De acordo com os moradores, quando a chuva é intensa, a água desce com grande volume para o Noroeste e invade as residências.

A valeta construída atrás dos barracos, quando cheia, acaba transbordando tanto em direção à BR-262 quanto para o lado das moradias, mantendo o risco de novos alagamentos.

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