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Cidades

Para tratar doença grave, paciente tem de percorrer 219 km em MS, indica IBGE

Pesquisa mostra cenário que pode trazer imensos problemas quando se vive uma pandemia com necessidade de leitos de UTI

Por Izabela Sanchez | 09/04/2020 13:55
Hospital Regional de MS, em Campo Grande, é a unidade de referência para casos graves de covid-19. (Foto: Henrique Kawaminami)
Hospital Regional de MS, em Campo Grande, é a unidade de referência para casos graves de covid-19. (Foto: Henrique Kawaminami)

Em meio à pandemia de coronavírus que já infectou mais de 1,5 milhão de pessoas pelo mundo, pesquisa divulgada na quarta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não aliviam para Mato Grosso do Sul. Dados da Regic (Regiões de Influência das Cidades) de 2018 mostram que, em média, as pessoas precisam viajar distância de até 219 km para tratar doenças graves em Mato Grosso do Sul.

O dado se refere ao tratamento da chamada alta complexidade em saúde.  Preliminar, conforme destaca a nota técnica do IBGE, o levantamento com base em dados de 2018 mostra dificuldade para buscar tratamento. O resultado é mais de 200% superior à média nacional, de 72 km.

Artes: Ricardo Oliveira
Artes: Ricardo Oliveira

Os hospitais de referência, a exemplo da Santa Casa, o maior de Mato Grosso do Sul e o Hospital Regional Rosa Pedrossian, estão localizados em Campo Grande, a Capital, isso sem citar os particulares. Apenas cidades como Três Lagoas, Corumbá e Dourados oferecem estrutura similar, mas ainda assim, Campo Grande também recebe pacientes dessas regiões. O estado tem 357.125 km².

Para aumentar essa rede, o governo anunciou nesta semana tenta antecipar a inauguração do Hospital da Mulher e da Criança, em Dourados, para torná-lo referência ao tratamento do novo coronavírus na região sul do Estado.

Mato Grosso do Sul, no centro-oeste, fica atrás apenas do Mato Grosso. Em Goiás, por exemplo, a distância média entre a cidade de origem e a cidade escolhida como destino para tratamentos de alta complexidade é de 189 km. Com relação a procedimentos mais simples, a distância a ser percorrida em Mato Grosso do Sul é de 123 km.

A nota técnica compara a região apenas ao norte do Brasil onde a imensa extensão territorial contrasta com o número de habitantes, a exemplo do Amazonas. Nesse estado, o número de casos de Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus) alarma a saúde pública por ser Manaus a única referência de tratamento.

“A rede urbana das regiões Norte e Centro-Oeste, com médias de deslocamento igualmente elevadas (276 km no Norte e 256 km no Centro-Oeste), são marcadas pelo fluxo direcionado às capitais, quase sem existência de polos secundários”, destaca o documento.

Campo Grande – A Capital de Mato Grosso do Sul é citada como referência para o tratamento de alta complexidade por 52 cidades do estado. Na prática, significa que 65% de Mato Grosso do Sul busca em Campo Grande tratamentos mais longos, cirurgias mais complexas e, mais recentemente, leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com equipamento para tratar a Covid-19.

Em Mato Grosso do Sul já são 89 casos da infecção, mas o índice de gravidade ainda parece baixo, já que desse total, 10 pessoas estão em UTIs e apenas 3 em leitos públicos. O HR de Campo Grande foi escolhido pela SES (Secretaria Estadual de Saúde) como referência para o tratamento da doença do coronavírus.

Por último, e ultrapassando a divisa com São Paulo, Mato Grosso do Sul está na lista de estados que buscam a cidade de Barretos (SP) para tratamento de câncer. O Hospital do Amor (antigo hospital do câncer de Barretos) é referência nacional no tratamento da doença. São 122 cidades no Brasil que buscam esse hospital.

“Cabe ressaltar, entretanto, que existem grandes áreas atendidas por um único polo nas regiões Norte e Centro-Oeste, o que de algum modo é esperado pela menor densidade demográfica destas regiões”, explica a pesquisa.

Como o levantamento foi realizado – Para chegar a esses números, os pesquisadores do IBGE aplicaram questionário em 5.503 municípios brasileiros. Em cada município, três informantes foram consultados a respeito de quais eram as cidades mais procuradas pela população daquela localidade. Os informantes poderiam responder no mínimo um e no máximo cinco municípios de destino para cada resposta, além de não ter sido possível responder o próprio município como destino.

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