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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

01/08/2018 18:56

"Foi enganada", diz defensor de advogada presa por suspeita de golpe

Para advogado, cliente é mais uma vítima, assim como banco, cartório e juiz; pedido de liberdade já foi feito

Liniker Ribeiro
Wilson Tavares Belina (Foto: Fernando Antunes) Wilson Tavares Belina (Foto: Fernando Antunes)

A defesa da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, presa desde segunda-feira (30) em Campo Grande sob suspeita de ser a mentora de um golpe milionário, alegou nesta tarde que sua cliente serviu de "massa de manobra" para os autores do crime. A versão foi apresentada, na tarde desta quarta-feira (1º), em entrevista à imprensa.

Para o advogado, Wilson Tavares Belina, Emmanuelle foi enganada. Ele citou que isso aconteceu também com o cartório de Jaraguari - onde uma procuração falsa teria sido autenticada -, o banco - onde uma conta foi aberta -, e a própria Justiça. O juiz Paulo Afonso de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Campo Grande, afirmou ter sido "enganado" pela advogada, e por determinou que ela recebesse pagamento de R$ 3,9 milhões com base em um documento falsificado.

"Essa questão é muito transparente. A doutora Emmanuelle funcionou como advogada, foi procurada nessa qualidade e fez o patrocínio de uma ação normal", alegou o advogado. Tavares ainda justificou o envolvimento de sua cliente afirmando que o próprio juiz declarou que a advogada teria se manifestado anteriormente sobre o caso, apenas tendo perdido prazos estipulados pela Justiça.

Questionado sobre o documento falso de RG apresentado, o defensor afirmou que Emmanuelle não tinha por obrigação identificar a origem do mesmo. "Muitas vezes o advogado nem pede o RG, simplesmente pergunta o numero e escreve, assim como o CPF e o endereço da pessoa. O cartório sim tem o dever legal de conferir a autenticidade de um documento", afirmou.

Foi enganada, diz defensor de advogada presa por suspeita de golpe

A defesa ainda afirmou que o relacionamento entre Emmanuelle e os outros envolvidos não havia foi premeditado. "O 'João', que na verdade é José Geraldo, foi procurado para essa ação fraudulenta, aceitou e foi orientado a ir atrás de um advogado. Chegando no local, falaram que não tinha mais essa pessoa e indicaram Emmanuelle, perguntaram se ele queria ser atendido por ela e, assim, nasceu a relação", explicou.

Para Tavares, nem mesmo o fato do valor depositado na conta da advogada ter sido maior do que os valores distribuídos para outras contas, que seriam então os verdadeiros golpistas, é motivo para estranhezas. "Ela reteu 30%, o que havia ficado ajustado com o cliente que o pagamento seria após o recebimento. Foram dois anos de tramitação e o valor envolve também as correções monetárias", afirmou.

Investigações apontam que de pouco mais de R$ 5 milhões depositados, cerca de R$ 3,9 milhões tenham ficado com a advogada. Outro R$ 1,8 milhão foi transferido para a conta de João – que usava documentos de uma pessoa de Minas Gerais e cuja residência em Campo Grande, na verdade, seria o endereço de um salão de festas onde nunca morou.

Devolução - A Justiça determinou que os valores sejam devolvidos integralmente, o que, de acordo com o advogado, já está sendo feito, mas estariam faltando ainda pouco mais de R$ 2 milhões. "O patrimônio dela excede esse valor, só o escritório já cobre essa quantia", afirmou Tavares alegando que sua cliente está disposta a concluir a devolução.

Segundo ele, até mesmo o marido de Emmanuelle, o juiz Aldo Ferreira da Silva, da 5ª Vara de Sucessões da Capital, estaria disposto a ajudar com pagamentos, mesmo não sendo alvo de investigações. "Quem não quer colaborar, não devolve esse valor todo", defendeu.

Liberdade - A defesa ainda afirmou que um pedido de Habeas Corpus já foi feito ao Tribunal de Justiça e que o resultado deve sair até amanhã (2). Segundo ele, o pedido de liberdade foi feito na tarde de ontem (31).

Prisão – Emmanuelle Ferreira da Silva foi presa na noite de segunda-feira (30) sob suspeita de ser a mandante do golpe. O processo sobre a “venda” da fazenda era patrocinado por João Nascimento dos Santos, identificado depois como José Geraldo Tadeu de Oliveira. Ele foi detido em 4 de julho em uma agência do banco Santander, ao lado de Deucineide Souza Custódio e Ronei Oliveira Pégora.

A defesa da vítima acionou a Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) para alertar sobre o golpe, resultando nas três primeiras prisões. Investigações complementares culminaram na detenção de Emmanuelle, que seria levada à sala de Estado Maior da Companhia de Guarda e Escolta.



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