ACOMPANHE-NOS    
AGOSTO, TERÇA  11    CAMPO GRANDE 31º

Cidades

“Quem foi julgada fui eu”, diz advogada citada por defensor durante júri

Carine Beatriz Giaretta foi alvo de comentários de defensor público durante julgamento de homicídio cometido em 2010 e promete tomar medidas administrativas

Por Humberto Marques | 16/05/2018 18:50
Júri de Wilson foi realizado na manhã desta quarta-feira. (Foto: Saul Schramm)
Júri de Wilson foi realizado na manhã desta quarta-feira. (Foto: Saul Schramm)

A advogada Carine Beatriz Giaretta afirma que tomará medidas administrativas contra o defensor público Rodrigo Antônio Stochiero Silva, que em julgamento nesta quarta-feira (16) fez comentários a responsabilizando-a por prejuízos à defesa de Wilson Corrêa de Arruda, o “Buguinho”, réu em um homicídio ocorrido em maio de 2010 na avenida dos Cafezais, no Jardim das Macaúbas, em Campo Grande.

Durante julgamento pela manhã no Tribunal do Júri, Silva afirmou que a advogada, quando atuou na defesa de Wilson, não o informou sobre audiências realizadas no Fórum de Sidrolândia –por solicitação dela, haja vista que o cliente havia se mudado para a cidade a 71 km da Capital– e teriam culminado na decretação de prisão preventiva do acusado após um primeiro julgamento, em 28 de março, no qual o acusado e a advogada não compareceram.

“Pelo que chegou ao meu conhecimento pela imprensa, ele (Silva), no momento da defesa do júri, me responsabilizou porque eu não haveria informado sobre a audiência. Ou seja, fez uma condução de defesa no lugar de uma defesa técnica, atacou o advogado, um colega”, afirmou Carine. “Independentemente de ser defensor ou não, tem de haver ética entre os colegas. Se a forma de defesa dele é atacando um colega, está equivocado”, emendou.

A advogada reforçou que os atos ocorreram em uma audiência pública –o Tribunal do Júri–, atingindo sua imagem. “Devemos atuar não atacando a dignidade ou honra do colega. Quem foi a júri fui eu, não o réu. Da forma como ele colocou, não defendeu o cliente e sim me atacou”, prosseguiu, ao antecipar que já toma medidas sobre a postura do defensor público.

Ausência – Carine explicou que faltou ao júri em 28 de março por conta de prejuízo à defesa de Wilson, depois de ter solicitado o adiamento do júri e ver o pedido ser indeferido. A medida, prosseguiu ela, foi resultado da falta de intimação de testemunhas.

“O cliente tinha à época três testemunhas, que não foram intimadas a comparecer ao júri. Pedi o adiamento tendo em vista a impossibilidade de realizar a defesa e foi negada essa possibilidade. Foi cerceado meu exercício da defesa. A forma de fazer o adiamento, então, foi o não comparecimento”, explicou a advogada, que acabou multada em R$ 9,5 mil pelo juiz.

“Mas isso não significa que abandonei os autos”, prosseguiu Carine. Segundo ela, a aplicação desse tipo de multa já foi motivo de pauta no STF (Supremo Tribunal Federal) e que, destacou a advogada, também já é alvo de pedido de providências de sua parte.

Wilson também não compareceu ao julgamento desta quarta-feira –ele se encontra foragido.