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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

10/07/2016 11:14

A cada meia hora, uma mulher vai à polícia em MS denunciar violência

Violência contra a mulher aumenta e MS registra mais de 8,5 mil casos no semestre

Anny Malagolini
Sangue na porta do hospital; enfermeira foi morta pelo ex-marido na frente do Hospital Regional, em janeiro (Foto: Arquivo/Fernando Antunes)Sangue na porta do hospital; enfermeira foi morta pelo ex-marido na frente do Hospital Regional, em janeiro (Foto: Arquivo/Fernando Antunes)

A cada meia hora, em média, uma mulher procura a polícia em Mato Grosso do Sul para denunciar que foram vítima de violência. É o que revelam os registros policiais: somente no primeiro semestre de 2016 foram 8,5 mil ocorrências em todo o Estado.

Em relação ao ano passado, a estatística demonstra que o número de mulheres violentadas não recuou. Comparado ao primeiro semestre de 2015, o mesmo período de 2016 apresentou 450 casos a mais – variação de 2,57%.

As histórias de violência acabam se tornando estatística e, na Capital, o número de casos subiu 18%, no comparativo com o ano passado. Na Deam (Delegacia Especial de Atendimento a Mulher) há o registro de 2,8 mil ocorrências da Lei Maria da Penha em 2016.

Somente em junho, foram lavrados 44 autos de prisão e 20 mandados. Ou seja, praticamente dois homens diariamente são presos ou 'pedidos', nos termos usados pela polícia, em decorrência de casos em que mulheres figuram como vítimas.

Os números revelam que a violência contra a mulher está distante de chegar ao fim. No interior do Estado, a quantidade é ainda maior. Foram registradas 5.453 mil ocorrências neste ano.

O crime de feminicídio – assassinato de uma mulher motivado por ódio, desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres – teve o triplo de ocorrências em comparação à Capital. No ano passado foram pelo menos 37 casos e, em Campo Grande, há o registro de 14.

Mas o aumento do número de casos registrados, de acordo com a delegada Fernanda Mendes, titular na Deam em Campo Grande, localizada na Casa da Mulher Brasileira, o que mudou não foi o índice, mas sim a coragem em denunciar. “É um indício de que há credibilidade, o que não acontecia antigamente”, esclareceu.

Os casos que envolvem ameaça e lesão corporal são tratados como crimes de menor potencial ofensivo e estão entre os mais registrados na unidade. Para a delegada, esse é mais uma indicativo da mudança de comportamento da vitima. “A denúncia tem acontecido antes de que o crime se agrave, a partir da ameaça”, disse.

Na porta do hospital – O primeiro caso de feminicídio neste ano, em Campo Grande, tirou a vida de Vilma Alves de Lima. Aos 57 anos, ela foi esfaqueada pelo pedreiro Wilson de Lima, 69 anos, que não aceitava o fim do relacionamento.

Ela trabalhava no Hospital Regional Rosa Pedrossian. Wilson foi até lá e os dois conversavam na porta da unidade de saúde, quando ele a agrediu e, em seguida, pegou o carro e ainda tentou se matar, atirando o veículo contra um caminhão, além de dar uma facada no próprio peito.

Vilma ainda foi socorrida por colegas de trabalho, mas não resistiu. Wilson ficou no hospital até o dia 9 e atualmente está preso, aguardando julgamento, que deverá ser feito por Juri Popular.



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