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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

17/06/2010 12:25

Adolescentes consideram descabida punição a colega

Redação

No centro da polêmica sobre o que é fazer justiça, a apreensão de um adolescente de 17 anos por ter dado um soco em um rapaz de 15 anos, filho de um desembargador do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), repercutiu entre colegas de escolas do adolescente apreendido.

"Concordo com a repreensão, mas que fosse prestar serviço comunitário, pintar escola, pagar cesta básica", defende um adolescente, na porta da escola particular, localizada no Jardim dos Estados, onde o rapaz, atualmente na Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco, estuda.

Os colegas, na faixa etária entre 15 e 17 anos, fazem coro: "Tem tanto adulto que briga e não vai preso", argumenta um adolescente. "Queria ver se não fosse filho de desembargador", reclama outro rapaz. "Um soco melhora em dois dias, o que ele vai passar [na Unei] nunca mais esquece".

O comportamento do adolescente, de agredir uma pessoa, também surpreendeu. "Conheço ele de Nova Andradina e nunca soube nada dele", relata um dos amigos. O rapaz apreendido é filho de um produtor rural que tem propriedades em Dourados e Nova Andradina.

Os adolescentes envolvidos no caso estudam em diferentes escolas particulares, mas que se parecem no valor das mensalidades, acima de um salário mínimo.

A confusão aconteceu no último dia 3 de junho durante uma festa de aniversário em Campo Grande. Presente à festa, uma adolescente de 15 anos conta que o rapaz agredido estava dançando quando um terceiro rapaz, que está foragido, se aproximou e disse ao agressor que o adolescente tinha lhe xingado. Em seguida à afirmação, veio o soco.

Após a agressão, a festa continuou. De acordo com a adolescente, é comum que as festas tenham casos de brigas, porque, entediados, os meninos resolvem "causar". Ou seja, provocar confusão para "animar" o ambiente.

Uma pessoa tranquila e incapaz de arrumar brigas. Assim o adolescente agredido é descrito por um amigo que o conhece há mais de um ano. "Eu estava na festa e vi o soco. Não foi nada muito sério, mas ele teve que procurar atendimento", relata.

Festa - Segundo investigações feitas pela Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), um grupo de quatro garotos entrou na festa se passando por outros convidados.

Eles escolheram aleatoriamente um alvo, sem saber que era filho de desembargador, e dois deles o atacaram. O menino levou um soco na boca que acabou acarretando em problemas na arcada dentária. Foram ouvidas 15 testemunhas no procedimento, que confirmam essa versão.

Justiça - Segundo a decisão da Vara de Infância e Juventude, o agressor deve ficar na Unei por 45 dias. Ontem, o desembargador Carlos Eduardo Contar rejeitou o pedido de liberdade para o adolescente de 17 anos que desde ontem está na Unei.

Segundo o CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) Marçal de Souza, em casos desse tipo, o normal seria que o adolescente, com base no artigo 174 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), fosse liberado pela delegacia, mediante a assinatura do termo de compromisso e responsabilidade para comparecer junto ao Ministério Público.

O advogado Rui Falcão Novaes, que representa o desembargador pai do adolescente agredido, ressalta que a apreensão do garoto de 17 anos é pertinente porque "não foi uma briga e sim agressão".

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