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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

31/01/2012 22:31

Após visitar aldeias no MS representante da CNBB relata quadro de desamparo

Viviane Oliveira

Para o religioso, a origem de todos os problemas está na falta de andamentos dos processos de demarcações de terras tradicionais e na ausência de políticas públicas

Dom Leonardo ao lado do bispo Dom Dimas Lara Barbosa. (Foto: João Garrigó)Dom Leonardo ao lado do bispo Dom Dimas Lara Barbosa. (Foto: João Garrigó)

“É um sentimento de revolta quando se ouve o que está acontecendo”. A frase é do secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) Dom Leonardo Ulrich Steiner, que após percorrer quatro aldeias de Mato Grosso do Sul em visitas às comunidades indígenas Guarani-Kaiowá, relatou esta tarde um quadro de desamparo, violência e miséria.

Em coletiva de imprensa na Cúria da Arquidiocese de Campo Grande, Dom Leonardo disse que os depoimentos contados pelos indígenas são impressionantes. “Relatos de falta de saúde, de falta educação e de mortes por conflitos de terras são revoltantes”, afirma.

Dom Leonardo visitou três aldeias que estão em conflito por terra: Laranjeira Ñanderu, em Rio Brilhante, Kurusu Ambá, em Coronel Sapucaia, e Guaiviry Tekoha, em Aral Moreira.

O secretário explica que o objetivo da visita nas aldeias é ter contato para verificar a real situação e levar uma palavra de apoio. Ele comenta que em Rio Brilhante, por exemplo, os Guarani-Kaiowá estão sob ordem de despejo, a ser realizada nós próximos 15 dias.

Dom Leonardo ouviu deles que a comunidade decidiu pela permanência, pois cansou de testemunhar indígenas morrerem nos acampamentos à margem da rodovia – local para onde devem voltar caso sejam despejados.

Em Coronel Sapucaia o religioso relata que os indígenas sofrem com a falta de alimentos para a comunidade e escola para as crianças. “A maioria das crianças nessas aldeias sofrem de desnutrição”.

A aldeia Guaiviry, em Aral Moreira, é onde vivia o cacique Nísio Gomes, desaparecido depois de ataque de pistoleiros no dia 18 de novembro do ano passado. “Eles me receberam com canto e reza em meio a tantas dificuldades e violência”, relatou.

Aldeia Guaiviry Tekoha em Aral Moreira, onde vivia o cacique Nisio desparecido depois de ataques de pistoleiros.(Foto: João Garrigó)Aldeia Guaiviry Tekoha em Aral Moreira, onde vivia o cacique Nisio desparecido depois de ataques de pistoleiros.(Foto: João Garrigó)

Na aldeia Guaiviry o filho de Nísio está em luto com a cabeça raspada. O desaparecimento do líder, que para a comunidade está morto, é o que faz a aldeia sofrer. Segundo o secretário da CNBB, eles estão com a alma dilacerada porque não tiveram a oportunidade de enterrar o corpo na terra dos seus ancestrais. Outra dificuldade do povo indígena dessa região é o acesso a comida e água.

“Existe uma dúvida por parte da Polícia Federal sobre o desaparecimento do corpo do líder indígena, mas por parte da aldeia não existe dúvida. Eles são categóricos em dizer que o indígena foi assassinado”, afirma Dom Leonardo que sentiu dos índios falta de confiança na Polícia de Mato Grosso do Sul.

Para o religioso, a comunidade indígena do Estado está fragilizada. No entanto, afirma que os indígenas estão se organizado, buscando justiça e não confronto. “O preconceito contra o índio é muito forte no Brasil todo”, lamenta.

Dom Leonardo destaca que os brancos acusam os índios de beber, serem violentos e usar drogas, mas conforme sua análise é um povo que não consegue expressar a sua cultura.

Para ele, a origem de todos os problemas está na demora do processo de demarcações de terras tradicionais e na ausência de políticas públicas. “Eles chamam a terra de mãe. Deve ser feito justiça. A terra para os índios é tudo".

Foram três dias de viagem. Cerca de 450 índios visitados e ouvidos pelo líder da Igreja Católica em Rio Brilhante, Coronel Sapucaia e Aral Moreira. "O último lugar foi em Dourados, onde visitei mais de mil índios", finaliza.

Dom Leonardo recebeu em Campo Grande, uma comissão de lideranças Terena, povo que mantém luta semelhante aos Guarani-Kaiowá e que tem a demarcação de terras a principal disputa para a posse do território tradicional.

No dia 3 de junho do ano passado, no município de Miranda, um ônibus escolar foi atacado com coquetéis molotov. Uma mulher morreu e vários indígenas ficaram gravemente feridos.

O ônibus voltava para a aldeia Cachoeira quando, na rua principal da aldeia Babaçu, foi lançada uma garrafa com líquido explosivo no ônibus que transportava 30 alunos indígenas que cursavam o ensino médio no município.



Desculpa. Mas da Igreja não se pode confiar em nada.São os piores horrores que já ocorreram no mundo, tiveram a Igreja por detrás. Só acreditaria se eles contassem o pq de matarem tantos na Idade Média, de saquearem tanto em toda a história do mundo desde que surgiram, de tantos índios que eles iniciaram a "evangelização" na época pós-descobrimento. E agora, querem vir dar uma de bonzinhos? arasêu
 
Orlando Lero em 01/02/2012 12:04:55
A omissão das autoridades é de longa data, hoje poderia existir um Convênio entre Ministério da Justiça e Governo do Estado para tratar dos reconhecimentos e demarcação das terras indigínas, a falta de políticas públicas é real, basta um Programa Nutricional e Segurança Alimentar Indigina que seria inédito a nível de Brasil.
 
joatan loureiro da silva em 01/02/2012 09:27:46
D Leonardo Steiner diz que visitou a Aldeia Laranjeira Nhaderu em R.B para ver a situação dos índios!Mas , por onde entrou?Como passou?Disfarçado ou às escondidas?Por quê só ouviu os índios?Por quê não ouviu os proprietários?Além disso existe uma liminar da justiça proibindo a entrada no acampamento de pessoas não índias . Será que D. Leonardo por ser representante da CNBB se julga acima da lei?
 
José Raul das Neves em 01/02/2012 08:09:30
Aproveitadores da miséria indígena e dos conflitos. Nunca se empenharam em promover o progresso das comunidades onde a Funai promove o ócio, que é o caldeirão do diabo. O Nísio já sacou até benefícios com seu cartão em Brasília depois de "morto".Matam-se entre si, por causa da falta de políticas decentes para integrá-los à sociedade e vêem mentir que são mortes por conflito de terra. Falsidades!
 
Valfrido m. Chaves em 01/02/2012 03:33:44
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