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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

14/10/2014 15:31

Calor de 40º e umidade de deserto castigam moradores de favela

Edivaldo Bitencourt e Alan Diógenes
Criança se refresca em bica durante a tarde de 40º C em favela da Capital (Foto: Alcides Neto)Criança se refresca em bica durante a tarde de 40º C em favela da Capital (Foto: Alcides Neto)

Além de sofrer os efeitos do calor infernal de 40º C, o campo-grandense sofre os efeitos da baixa umidade relativa do ar, que está em 13%, considerado estado de emergência. Agora, pior ainda é a situação das famílias que residem em favelas, onde os barracos de lona agravam a sensação térmica e não contam com água suficiente nem energia elétrica.

Na Favela Cidade de Deus, no Bairro Dom Antônio Barbosa, na saída para Sidrolândia, a energia elétrica só chega à noite, quando o gerador é ligado. Durante o dia, cerca de 800 famílias, incluindo-se crianças, são obrigadas a aplacar a sede com água quente.

“A sensação é que a água ficou no fogo por cinco minutos”, conta a catadora de materiais recicláveis Rosilene Horácio de Castro, 42 anos. Ela só conta com a geladeira à noite, quando o gerador da favela é ligado pela Prefeitura Municipal de Campo Grande.

“Se tivesse casa, a primeira coisa que eu ia comprar era um aparelho de ar-condicionado”, sonha a dona de casa Aline Lemos Melo, 25, que divide um barraco de lona com o marido e três filhos – de cinco meses, 4 e 8 anos de idade. Sem condições de realizar o sonho de consumo da temporada, ela se contenta em passar o dia jogando água dentro do “casa”.

Crianças são as que mais sofrem com o calor e o tempo seco (Foto: Alcides Neto)Crianças são as que mais sofrem com o calor e o tempo seco (Foto: Alcides Neto)
Maria não tem geladeira em casa e sofre com a pressão alta no calor (Foto: Alcides Neto)Maria não tem geladeira em casa e sofre com a pressão alta no calor (Foto: Alcides Neto)

Ela conta que os filhos até ficam com dor de barriga durante o dia por causa da ingestão da água quente. Aline tem dois ventiladores. Já a catadora conta que só conseguiu um ventilador velho, que encontrou no lixo, mas que funciona muito precariamente.

A irmã de Aline, Letícia Lemos de Melo, 20, também se vira para sobreviver com os quatro filhos – um bebê de um ano e quatro meses e as três filhas de 4, 5 e 8 anos – debaixo de um barraco de lona e telhas de amianto. “É muito quente”, lamenta-se.

Já a dona de casa Maria Vieira de Souza, 63, sofre com os efeitos do calor. Além de não ter geladeira em casa, ela sofre com pressão alta e com o calor infernal debaixo do barraco. “Tá difícil”, lamenta-se.

Outros – Campo Grande não é a única cidade do Estado castigada pelos termômetros acima dos 40º C.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a maior temperatura foi registrada em Três Lagoas, onde os moradores enfrentam um calorão de 41,9º C. A umidade relativa na cidade também é de situação de emergência, 12%.

A situação se repete nos municípios de Água Clara (41,7º C), Cassilândia (40,1º C) e Maracaju (40,2º C).

Para o campo-grandense, a previsão não é boa. Segundo o Inmet, a temperatura deverá subir e superar 41ºC a partir de amanhã. Em alguns municípios do interior, a máxima deverá chegar a 43º C.

Operário apaga fogo em fio: calor está insuportável em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)Operário apaga fogo em fio: calor está insuportável em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)



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