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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

23/11/2019 10:45

"Ele não vai me matar?", questionou "hacker" a policiais antes de fuga

Eurico foi preso na quinta-feira (21), oito meses após deixar de Campo Grande, na cidade de Joinville, Santa Catarina

Geisy Garnes e Marta Ferreira
No camburão, Eurico dos Santos Mota, mais um alvo da Operação Omertà preso (Foto: Direto das Ruas)No camburão, Eurico dos Santos Mota, mais um alvo da Operação Omertà preso (Foto: Direto das Ruas)

O medo de ser assassinado pelo grupo de extermínio que, segundo as investigações da Operação Omertà, é comandado pelo empresário Jamil Name, fez com que o técnico em informática Eurico dos Santos Mota, de 28 anos, sair da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio), no dia 23 de abril, direto para a fuga. A apuração do Campo Grande News revela que da delegacia ele pegou ônibus com destino Cuiabá, capital do Mato Grosso, estado onde vive a família do técnico em informática. De lá, fugiu para Santa Catarina, afirmando aos parentes que iria trabalhar em Joinville, onde acabou localizado.

Eurico foi preso na quinta-feira (21), oito meses após deixar de Campo Grande, por suspeita de envolvimento com milícia armada responsável por pelo menos quatro execuções em Mato Grosso do Sul. Por trás do sumiço, estava o medo de ser assassinado e até a aparição de advogados que nunca foram chamados por ele na delegacia.

O caso começou em abril deste ano, quando o técnico em informática foi identificado pela polícia como um dos envolvidos no plano de execução ao capitão reformado da Polícia Militar Paulo Xavier, que terminou na morte do filho dele, Matheus Xavier Coutinho, de 20 anos. No dia 23 do mesmo mês, Eurico foi encontrado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Temor - Antes mesmo de ser levado a DEH, que investigada o assassinato, Eurico contou aos policiais militares ter sido contratado para rastrear Paulo Xavier em tempo real e para isso recorreu a um grupo de hackers. Em vídeo gravado pelos militares, o técnico começa a explicar a história, mas quando é questionado sobre o número de celular do homem que o contratou, deixa claro o medo de se tornar um dos alvos da milícia. “Será que ele não vai me matar aqui?”.

Já na delegacia, Eurico relatou a contratação pelo ex-guarda civil de Campo Grande por Juanil Miranda Lima, um dos pistoleiros do grupo, segundo os dados já relevados. Diz que entrou em contato com um hacker para conseguir rastrear Xavier e prometeu pagar R$ 2 mil pelo serviço. 

Para ter a localização exata do alvo, o segundo suspeito, ainda não localizado, se passou por mulher e marcou encontro com o capitão reformado. No entanto, o hacker não recebeu o dinheiro combinado com Eurico e resolveu contar para Xavier toda a verdade sobre o plano, depois de saber do assassinato de Matheu Xavier.

Mateus foi morto no dia 9 de abril, quando saia de casa com a camionete do pai. (Foto: Paulo Francis)Mateus foi morto no dia 9 de abril, quando saia de casa com a camionete do pai. (Foto: Paulo Francis)

Enquanto Eurico prestava depoimento, dois advogados foram a delegacia especializada afirmando representar o técnico em informática. A história foi desmentida por ele mesmo. Conforme apurado pela reportagem, Eurico contou aos policiais não ter avisado para ninguém sobre a presençana unidade e que não tinha como pagar por sua defesa.

Assustado, ele dispensou a presença dos advogados durante o depoimento e disponibilizou acesso integral às suas conversas do WhatsApp, Facebook, Instagram, Menssenger e e-mail. Ele ainda deixou para a polícia seu celular desbloqueado e foi liberado.

Antes de deixar a delegacia, avisou aos policiais que temia ser morto e que por isso fugiria da cidade assim que saísse da unidade. Eurico deixou Campo Grande na noite do mesmo dia, de ônibus. Primeiro foi para Cuiabá e de lá para Santa Catarina, onde trabalhava com tecnologia da informação.

Mentiu - Ao decorrer dos meses, a polícia descobriu novas provas sobre o envolvimento de Eurico no caso e pediu a prisão temporária do técnico em informática. O pedido foi embasado na tese de que quem contribui para a execução de um crime, deve responder pelo mesmo, previsto no artigo 29 do Código Penal.

A prisão de Eurico é resultado do inquérito sobre a execução do estudante de Direito, mas o depoimento do técnico em informática é um elo importante entre as investigações do assassinato e sobre a atuação de milícia sob o comando de Jamil Name e Jamil Name Filho em Mato Grosso do Sul.

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