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Capital

"Eu paguei a bala que matou meu filho", diz mãe de Ike, morto por PM

Por Nadyenka Castro e Viviane Oliveira | 16/04/2013 16:56
Família de Ike levou cartazes à Praça do Rádio Clube. (Foto: Marcos Ermínio)
Família de Ike levou cartazes à Praça do Rádio Clube. (Foto: Marcos Ermínio)
Jacira, de óculos, fala dos sentimentos 6 meses após o crime. (Foto: Marcos Ermínio)
Jacira, de óculos, fala dos sentimentos 6 meses após o crime. (Foto: Marcos Ermínio)

Ela enterrou o filho, Ike Cézar Gonçalves, no dia que ele completaria 30 anos e agora, quase seis meses após o crime, Jacira do Nascimento, recebe com sentimentos de revolta, medo e de impotência a notícia da soltura do policial militar Bonifácio dos Santos Júnior.

“Eu paguei a bala que matou meu filho”, diz a assistente financeiro, explicando que Bonifácio é servidor público e usava arma do Estado no dia do crime. Além disso, o salário é resultado de impostos pagos por ela, enquanto cidadã.

Jacira reuniu a família na Praça do Rádio Clube para protestar contra a soltura. Eles levaram cartazes e estavam vestidos com camiseta estampada a foto do técnico de enfermagem e comerciante.

Revoltada com a concessão do habeas corpus a Bonifácio, ela diz que ele deveria proteger os cidadãos. “Uma pessoa que está para defender e proteger a sociedade, não pode matar”, fala Jacira.

Ela diz que espera que ele seja condenado pelo que fez e que volte à prisão. Jacira também quer outra reunião com o Comando da PM (Polícia Militar) para ter informações sobre o processo administrativo que pode terminar com a exclusão dele.

Adrian Lucas Rodrigues Gonçalves, 20 anos, estava com o irmão, Ike, na madrugada do dia 28 de outubro do ano passado, quando ele foi morto. Para ele, o fato de Bonifácio ter visto rosto da família e agora estar em liberdade, representa ameaça. “A gente pensa até em medidas protetivas”, diz.

Viúva de Ike, Tatiane Virgínia, 30 anos, lembra que se Bonifácio quisesse realmente acabar com a confusão que acontecia em frente a casa de shows Santa Fé, não atiraria na cabeça do marido dela. O casal tem três filhos: de oito, cinco e quatro anos.

Ike foi morto com um tiro na testa e o amigo teve a perna atingida de raspão, quando tentava separar uma briga na saída da festa. Depois do crime, Bonifácio e o amigo, Osni Ribeiro de Lima, fugiram. Os dois foram presos nas respectivas casas. Osni, acusado de ter dado fuga para o PM, foi solto no fim do ano passado e o policial, nessa segunda-feira. Ambos por habeas corpus.

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