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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

22/03/2013 09:09

"Máfia do câncer" desmontou rede pública para criar monopólio privado

Aline dos Santos
Máfia do câncer desmontou rede pública para criar monopólio privado

Desmonte da rede pública e monopólio do setor particular no tratamento do câncer. Os dois fatos, que ocorreram de forma simultânea em Campo Grande, levantaram as suspeitas que levaram a Polícia Federal a bater na porta do médico Adalberto Abrão Siufi, dono da clínica Neorad, diretor-geral do Hospital do Câncer até anteontem e ex-diretor do setor de oncologia do HU (Hospital Universitário) de Campo Grande.

A investigação que culminou na operação Sangue Frio começou em março do ano passado para entender por que os serviços de radioterapia oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) eram fornecidos apenas pelo setor privado. “É um monopólio, uma máfia. É difícil crer que os órgãos municipais ou estaduais não funcionem e só os particulares, já que a mesma pessoa controlava os dois”, afirma o superintendente da PF, Edgar Paulo Marcon.

Para os que enfrentam a doença e recorrem ao SUS, as opções são poucas. A radioterapia é feita somente no Hospital do Câncer. Já atendimento ambulatorial e quimioterapia são oferecidos na Neorad.

No ano passado, a resistência do HU em aceitar recursos do governo federal e reativar o setor de radioterapia foi parar na Justiça. O plano previa investimento de R$ 505 milhões em 80 hospitais, cinco deles em Mato Grosso do Sul. No Estado, somente o HU e a Santa Casa de Campo Grande rejeitaram a oferta.

A recusa levou o Sintss (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social) a acionar o MPF (Ministério Público Federal). “E a batalha continua. Nem o HU nem o Hospital Regional estão se preparando para receber os equipamentos. Tem um acelerador que é top de linha na radioterapia”, denuncia o presidente do sindicato, Alexandre Costa.

Diretoria - Auditoria realizada pela CGU (Controladoria-Geral da União) em 2012 verificou prejuízo de R$ 973 mil aos cofres públicos. De acordo com a chefe da controladoria em Mato Grosso do Sul, Janaína Faria, o valor foi obtido após levantamento em contratos do Hospital Universitário que somam R$ 11 milhões.

A análise trouxe à tona uma série de irregularidade: direcionamento de licitação, montagem de processos licitatórios, subcontratação de serviços para empresas ligadas a dirigentes do hospital, superfaturamento e emissão de empenho anterior à adesão em ata de registro de preços.

Na terça-feira, a PF apreendeu documentos no HU e a Justiça Federal determinou o afastamento do diretor do hospital, José Carlos Dorsa Vieira Pontes, e do gestor de contrato com os terceirizado, Alceu Edison Torres. A ordem também foi dada para dois empregados de empresa terceirizada que atuam no HU. Conforme informações extraoficiais, os afastados são Antônio Carlos Dorsa e Rodrigo Freitas.

Sofrimento - Com os setores de oncologia dos hospitais públicos sendo desmontados, equipamentos pagos com dinheiro público foram deslocados para o Hospital do Câncer, que oferece tanto atendimento pelo SUS quanto particular.

Em dezembro de 2011, auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) identificou uma situação que faz parte da rotina dos pacientes: o tratamento do câncer é ainda mais sofrido em Mato Grosso do Sul se comparado aos outros Estados. Conforme a vistoria sobre a política nacional de atenção oncológica na rede pública de saúde, era atendida 33,9% da demanda por radioterapia e 34,4% dos que precisam de cirurgias oncológica.

SUS mais 70% - O médico Adalberto Abrão Siufi fez manobra para manter contrato com a empresa Neorad e o Hospital do Câncer, que rendia, em média, R$ 3,1 milhões por ano.
Entre 2007 e 2010, a Neorad recebeu R$ 12,7 milhões.

O detalhe é que o contrato previa o pagamento do valor estipulado pelo SUS mais acréscimo de 70%. A promotora Paula Volpe pediu na Justiça o afastamento da direção do hospital. No entanto, ontem, o Conselho Curador afastou os diretores por 15 dias.

Uma das primeiras medidas foi demitir Betina Moraes Siufi Hilgert, filha de Adalberto e administradora da unidade hospitalar. Contudo, segue mantido o contrato com a Neorad.



Estamos com medo de médicos e hospitais, não dá mais para confiar em ninguém deles, vide o que aconteceu no Hospital Evangélico de Curitiba.
 
Leda Belliard em 22/03/2013 12:29:13
Somente o pai, mãe, irmão o amigo de verdade, é que sabe o sofrimento de uma pessoa acometida por esta doença. Pior do que isso, é qdo uma pessoa desprovida de meios materiais, se socorre dos meios públicos para receber o tratamento devido, e não consegue, porquê o equipamento que poderia salvar sua vida, "não está funcionando" ou o hospital não dispõe do equipamento. Dói saber que pessoas prolongaram seu sofrimento, tentando à cura, mas foram impedidas de receber o tratamento devido, porque autoridades médicas, fecharam as portas do setor que poderia lhes trazer alento, fazendo com que somente algumas clínicas particulares, pudessem fazer o tratamento. Pior de tudo é que nossos mandatários, eram todos médicos, e "nada viram".
 
Valter Oliveira em 22/03/2013 12:00:27
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