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Capital

“Se ele cometeu pecado, foi de ter ido à festa”, diz defesa de agente

Questionado sobre a situação em que o cliente estava no momento do crime, se ele havia ingerido bebida alcoólica ou não, o advogado afirmou que “muito provavelmente sim"

Por Luana Rodrigues e Guilherme Henri | 28/09/2017 15:21
José Roberto Rodrigues, advogado do agente penitenciário, em entrevista à imprensa. (Foto: Guilherme Henri)
José Roberto Rodrigues, advogado do agente penitenciário, em entrevista à imprensa. (Foto: Guilherme Henri)

Com depoimentos de testemunhas em mãos, na tarde desta quinta-feira (28), a defesa de Joseilton de Souza Cardoso, 34 anos, voltou a reforçar que o agente penitenciário federal agiu em legítima defesa ao atirar e matar o pedreiro Adílson Silva Ferreira dos Santos, 23 anos, durante show no estacionamento do Shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande.

Em entrevista coletiva à imprensa, realizada em seu próprio escritório, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa disse que, até agora, as 15 testemunhas ouvidas pela polícia confirmam a versão do agente penitenciário: de que ele estava na fila e a vítima, juntamente com os primos, furou a fila, o que gerou uma briga.

“Seis mulheres afirmam que ele (agente) foi muito agredido, que a vítima e os primos chutaram até a cabeça dele. Disseram que a todo momento ele dizia para parar. Isso tudo antes dele ser obrigado a sacar a arma e agir em legitima defesa”, contou o advogado.

Diante dessa questão o advogado afirmou que irá desistir do pedido de habeas corpus já impetrado à Justiça e vai esperar a conclusão das investigações para entrar novamente com um pedido de liberdade.

“O que foi relatado pela família da vitima é mentira, não houve essa situação deles terem tentado ajudar o agente, ele agiu em legítima defesa e as testemunhas confirmam isso, portanto, vamos aguardar”, explicou.

Cópia do documento funcional do agente penitenciário Joseilton de Souza. (Foto: Reprodução)
Cópia do documento funcional do agente penitenciário Joseilton de Souza. (Foto: Reprodução)

Embriaguez - Questionado sobre a situação em que o cliente estava no momento do crime, se ele havia ingerido bebida alcoólica ou não, o advogado afirmou que “muito provavelmente sim. Ele estava em uma festa, é um rapaz solteiro, então, provavelmente tenha bebido sim, mas se meu cliente possa ter cometido um pecado é de ter ido a esta festa, não de ter tentado se defender”, disse.

Rosa justificou ainda que Cardoso estava armado, pois “agentes envolvidos na segurança pública estão vivendo um momento de caça pelos criminosos e sofrem constante ameaças, ele está amparado pela lei no que se refere a estar naquele tipo de local armado”, explicou.

Vaquinha - Colegas de trabalho do agente federal estão fazendo uma ‘vaquinha’ para ajudá-lo a pagar um advogado. Ele está preso desde a madrugada de domingo. De acordo com um agente penitenciário de 36 anos, que pediu para não ser identificado, a categoria está mobilizada para ajudar Joseilton. Isto porque, “ele era muito bem quisto por todos os colegas, todo mundo gostava dele, era bem humorado, foi bombeiro por 12 anos, uma boa pessoa”, afirmou.

Os colegas também não concordam com a decisão da Justiça de manter o agente preso, mesmo com ele sendo réu primário, esteja empregado e com endereço fixo. “Achamos muito estranho”, disse.

Como não era sindicalizado, Cardoso terá que pagar para ter uma boa defesa. Segundo o colega, advogados cobraram de R$ 50 mil à R$ 200 mil para defendê-lo. “Estamos mobilizando a todos via email, para que depositem o que puderem para ajudá-lo”, disse.

Corpo de jovem atingido com tiro a queima roupa no local do crime, na madrugada deste domingo (Foto: Direto das Ruas)
Corpo de jovem atingido com tiro a queima roupa no local do crime, na madrugada deste domingo (Foto: Direto das Ruas)

Tiro - Joseilton foi preso em flagrante logo depois do crime e disse que agiu em legítima defesa. A pistola ponto 40 usada por ele foi apreendida.

A família da vítima e os amigos do agente dão versões diferentes sobre o caso e o motivo do desentendimento não foi revelado. A situação que resultou em crime tem a versão de que o pedreiro foi ajudar o agente, que passava mal perto do banheiro químico; outra narrativa dá conta que a confusão começou porque a fila foi “furada” e o agente reprimiu a conduta, sendo agredido a socos.

O delegado Reginaldo Salomão, que atendeu o caso no domingo, relatou que o agente justificou o disparo como "ato de memória muscular", uma reação automática devido aos treinamentos realizados na academia para reprimir agressões.

O agente penitenciário contou à polícia que a intenção era deixar a arma no carro, mas como não conseguiu vaga de estacionamento dentro do shopping, teve que entrar com a pistola no show.

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